Arquivos para novembro 2010

Você só pode dar o que tem

30 de novembro de 2010 — 2 Comentários

Estava lendo um livro do irmão Kenneth Hagin sobre cura no qual ele fala que você só pode dar aquilo que tem. Ele faz essa declaração no intuito de provar que Deus é incapaz de colocar doenças nas pessoas, visto que ele não as possui no Céu.

Isto me fez pensar em muitas coisas. Iluminou-me em várias áreas.

Percebi que muitas vezes desconsideramos este princípio de forma inconsciente, e que, se o tivéssemos sempre em mente, mudaríamos de atitude em relação a muitas coisas. Continue lendo…

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Bate-bola

29 de novembro de 2010 — Deixe um comentário

Oi, gente! Recebi de Danny o convite de responder estas perguntinhas logo abaixo, que revelam um pouco sobre mim, e aceitei o desafio! A regra é indicar 5 blogs para fazer o mesmo. Foi divertido responder, me fez pensar um pouquinho… Ninguém caçoe das minhas respostas, ta? 🙂

1. O que te levou a criar um blog?

Sempre amei ler e escrever, e desde pequena cultivava o hábito de fazer diários, poemas, textos, enfim… Desenvolvi, então, com o passar dos anos, a habilidade que me havia sido dada por Deus. Quando me converti, percebi que havia tanta coisa dentro de mim que poderia ser útil para outras pessoas… Coisas que eu tinha aprendido com Deus, que muitos também precisam saber e aos quais eu jamais teria oportunidade de encontrar pessoalmente para compartilhar. Vi, então, o blog como uma oportunidade e ferramenta de propagação do evangelho de Cristo… Uma voz virtual, de alcance inimaginável. Por isso estou aqui! Continue lendo…

Mulher que se preza

26 de novembro de 2010 — 2 Comentários

Mulher que se preza, é mulher que se ama.  Esta assertiva não saiu do meu coração por dias a fio, numa espécie de lembrança recorrente, como aqueles conselhos de mãe que nos acompanham por toda a vida, mas que me foi dado pelo Espírito de Deus.

Tenho compreendido o valor do respeito a si mesma, às próprias limitações, às nossas peculiaridades, à maneira que o Senhor nos criou. Num mundo dividido entre o desprezo ao sexo frágil e o feminismo exacerbado, há certa dificuldade de nos vermos sob a ótica da Palavra de Deus.

É difícil, no fim das contas, equilibrarmos o nosso ego e encararmos as nossas qualidades com a modéstia de quem as reconhece como dons, enquanto aceitamos as nossas limitações com a consciência de quem sabe que não foi chamado para tal tarefa.

São muitas vozes, ora subestimando o nosso potencial, ora injetando revolta e soberba nos nossos corações, pervertendo a criação de Deus, chamando-nos a ocupar uma “poltrona” que não nos cabe, e o resultado de tudo isso é a frustração! Continue lendo…

A Ponta do Iceberg

25 de novembro de 2010 — Deixe um comentário

É muito fácil falar bonito sobre o amor. A própria palavra já evoca coraçõezinhos voadores e rechonchudos nas nossas mentes, além de histórias dramáticas de amores infinitos e não-consumados. Falar de amor ou de novela hoje em dia pode representar a mesma coisa para alguns, entretanto, o amor bíblico é bem diferente.

Não pretendo que este texto seja mais uma apologia a 1 Coríntios 13. Eu sei que este é considerado o “capítulo do amor”, pois a precisão de Paulo ao falar sobre o assunto foi marcante e oportuna, além de muito útil. Mas eu não tenho visto mais este capítulo como a única ou principal chave para o conhecimento do amor, pois tenho percebido que fechamos os olhos para a forma como a Bíblia ousa defini-lo.

Notei que ainda mais rica que a descrição poética, precisa e fervorosa de Paulo sobre o verdadeiro amor, inspirado pelo doce Espírito Santo, é a insistente demonstração do mesmo por toda a Bíblia, sobretudo nos evangelhos.

Lemos 1 Coríntios 13, esquecendo-nos ou ignorando que ele está demonstrado de forma prática em cada atitude expressa de Deus, e principalmente na forma como Jesus viveu.

Quer ver como estamos enganados, todos nós? Pergunte a um ímpio sobre amor, e ele lhe falará sobre “paixão avassaladora” ou sobre envelhecer ao lado de alguém; pergunte a um cristão, e ele lhe falará de uma cruz.

Não que a cruz de Cristo seja um problema, pois de fato, ela foi a solução. Mas entenda, vemos a cruz, pontualmente, o momento da crucificação, da morte, lá no monte… A cruz, os cravos, a dor. Mas eu acredito piamente que a cruz de Cristo foi apenas – e me perdoe pelo “apenas” – a “ponta do iceberg”.

Os icebergs são grandes blocos de gelo imersos no mar que parecem ser pequenos, pois apenas 10% da sua massa aparecem do lado de fora da água (a ponta do iceberg), dando uma impressão equivocada sobre as suas reais dimensões.

Não é interessante perceber que Jesus viveu certo tempo neste mundo e, assim como um iceberg, seu ministério – a parte “visível” da sua vida – tenha correspondido a aproximadamente 10% deste período? Foram trinta e três anos dos quais só temos conhecimento de cerca de 3 anos e meio.

Certamente Jesus não sofreu apenas no Calvário, ou durante seu tempo de ministério nesta terra, pois de que valeria a cruz de Cristo, se ele tivesse vivido “de qualquer jeito”, sem nenhum tipo de sofrimento, fazendo o que queria sempre que “dava na telha”? Não teria valor algum! Foram os 33 anos de “dores” que o prepararam para aquele momento que dividiria os tempos!

Essa cruz, tão falada e tão amada, foi o ápice de uma vida crucificada. Muitos a apontam como o supremo ato de amor de Cristo, todavia, ela foi o cume de uma trajetória de renúncias e agonias por amor a nós, e ao Pai.

Penso honestamente que, às vezes, nos esquecemos de que Jesus era gente. Sim, gente como a gente, de carne e osso, que possui desejos, sonhos, fome, sede… Gente que vai ao banheiro, que fede quando sua e se aborrece quando é contrariado. É como se ignorássemos o fato de que, junto com o corpo preparado por Deus para ele (Jo 1.14, Hb 10.5), também tenham vindo as concupiscências da carne.

Não! Não venha me dizer que Jesus não tinha concupiscências, pois a Bíblia fala que ele foi tentado como nós, porém, sem pecado (Hb 4.14-15), e “cada um é tentado, quando atraído e engodado {ou seduzido} pela sua própria concupiscência” (Tg 1.14). Logo, se Jesus foi tentado, foi atraído e seduzido pela concupiscência que havia nele.

Sim, Jesus era preservado do pecado pela comunhão que nutria com Deus, entretanto, ele sofria às tentações penosamente, crucificando a carne com as suas concupiscências cada vez que decidia não mentir, não se ensoberbecer, não invejar, não fornicar… Enfim, cada vez que renunciava “cometer seus próprios erros”, que como ser humano poderia sentir-se no “direito” de cometer.

Já pensou se ele tivesse falado as coisas que ouvimos alguns cristãos dizerem por aí? Tipo: “É a minha vida, tenho direito de errar, ninguém tem nada com isso…” ou “errar é humano”. Não, ele não fez isso… Ele SOFREU.

Amor que é amor é aquele que renuncia o seu direito em favor do outro. Isso sim é uma cruz! É aquele que paga o preço de não lançar mão até do que lhe é permitido quando isto significa prejudicar alguém; que sente a dor para não ver o outro agonizar; que acredita e investe quando o terreno parece árido e infértil…

Paulo disse que o amor é sofredor, e é importante frisar que Jesus não sofreu apenas na cruz.

Particularmente, eu penso em quantas vezes ele quis ceder à sua carne, e jogar bola com os amiguinhos ao invés de ler a Bíblia…

Penso como ele pode ter desejado deitar numa rede e descansar em vez de “ir a pé até Cafarnaum” debaixo de sol escaldante, ou em como deve ter sido duro para ele suportar as injúrias, os escárnios, a incredulidade da própria família, a companhia de um traidor e o irritante som das multidões alvoroçadas, quando tudo que ele queria fazer talvez fosse “reclinar sua cabeça” e ter um pouco de sossego…

Penso em quantas vezes ele quis dar uma resposta desaforada e atrevida aos fariseus, ou talvez até a Maria, quem sabe…?

Quanto “sapo” Jesus deve ter engolido, sendo homem, para fazer a vontade do Pai e representá-lo fielmente!

A Bíblia diz que a prova do amor de Deus foi ter-nos dado Jesus, SEU filho, herdeiro e sócio dos negócios celestiais, quando ainda éramos pecadores. Eu, porém, digo que a prova do amor de Jesus, pelo Pai e por nós, foi ter suportado paciente e penosamente, tudo que lhe fora confiado.

Foi pensando sobre tudo isso que concluí que não sabemos ainda o que é amar… Bom, pelo menos a maioria de nós ainda não aprendeu como amar a Deus e aos nossos como convém, com esse amor incondicional e sofredor, que nega a si mesmo e se desgasta pelo outro, acreditando que esse é o caminho para a glória.

Quando estivermos dispostos a ter uma vida assim, crucificada, dia após dia, e não apenas um momento, saberemos que o amor é um andar cotidiano, e não um gesto momentâneo, um texto na internet, ou uma pregação na calçada…

Assim, portanto, a exemplo da cruz de Cristo e dos icebergs, seja também o nosso proceder. Nem sempre as pessoas verão tudo o que fazemos e sofremos por amor ao Senhor e à sua Palavra, contudo, é este sofrimento que irá nos aperfeiçoar com um peso de glória que ecoará por toda uma eternidade.

“… se com ele sofremos, também com ele seremos glorificados. Porque para mim tenho por certo que os sofrimentos do tempo presente não podem ser comparados com a glória a ser revelada em nós… Como está escrito: Por amor de ti, somos entregues à morte o dia todo, fomos considerados como ovelhas para o matadouro.” Romanos 8.17-18,36

Luciana Honorata

Lacunas

23 de novembro de 2010 — 2 Comentários

Lacunas são espaços vazios. O dicionário define como “vácuo, falta, omissão”. Muitas vezes, é essa a sensação que temos, de que a nossa vida está cheia de lacunas e que precisamos urgentemente preenchê-las, sobretudo quando somos jovens.

É justamente nessa fase que nos sentimos mais desfalcados. Olhamos a nossa vida e ela parece estar indefinida; todas as áreas parecem estar “a preencher”, como se fosse um grande formulário de inscrição para a “existência ideal”. Lá estão elas: profissão, relacionamento, chamada ministerial, visão… “qual a sua chamada mesmo?!”, as pessoas nos cobram. Tudo parece incerto. As lacunas parecem estar em neon, bem evidentes, e nós, nos vemos na obrigação de mostrar a todos que temos o poder de defini-las.

É o péssimo hábito que temos de deixar a pressão das circunstâncias regerem as nossas ações. Isso termina tornando-nos crentes sem confiança em Deus, que agem segundo a carne, forçando a barra para as coisas acontecerem, tentando abrir a porta do futuro com o “pé-de-cabra” da ansiedade. No entanto, é nesse ponto que nos frustramos, pois essa não é a linguagem da fé, mas dos nossos sentimentos. São nossos sentidos calculando naturalmente a realidade, enquanto a Palavra nos fala de uma verdade superior: somos plenos!

Na vida do crente não existem lacunas. Ser cristão é, na realidade, ser cheio, completo. A verdade bíblica neotestamentária fala de uma condição de suprimento total em todas as áreas; fala-nos dos crentes como um povo cheio de tudo, superabundante!!!

Somos o povo cujo Pastor não nos deixa faltar nada (Sl 23.1), e que tem promessa de vida, e vida abundante (Jo 10.10), aleluia! A Palavra diz:

“buscai, pois, em primeiro lugar, o seu reino e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas.” – Mateus 6.33

Jesus estava falando das coisas da vida natural. O que muitos de nós chamamos de lacunas a serem preenchidas, a Bíblia chama de acréscimo. E o acréscimo nunca é o suprimento à falta, mas o excedente, o “a mais”, o bônus!

O que realmente importa, isto é, o essencial e indispensável, nós já temos! Na verdade, estamos transbordando do que realmente interessa! Tudo que precisamos para viver, tanto a vida natural como a vida com Deus, já nos foi dado:

“Visto como, pelo seu divino poder, nos têm sido doadas todas as coisas que conduzem à vida e à piedade, pelo conhecimento completo daquele que nos chamou para a sua própria glória e virtude,” – 2 Pedro 1.3

Somos supridos. Se somos cristãos, – e de fato o somos – para sermos bem bíblicos, podemos afirmar que somos cheios do Espírito Santo, cheios de sabedoria, cheios de bondade, cheios de alegria, cheios de paz, cheios de fé, cheios de ousadia e, sobretudo, cheios de amor. Amor esse que Deus derramou no nosso coração, para que pudéssemos superabundar na sua vontade. Todas as demais coisas são “apenas” acréscimos.

Não me entenda mal, não pretendo menosprezar os seus sonhos. Eu mesma tenho alguns e não quero minimizá-los, muito pelo contrário, quero lhe ajudar a pô-los no lugar certo, para que eles deixem de ser um peso, uma cobrança, ou uma lacuna. Para que você consiga viver a vida abundante que Deus te deu, sem frustrações.

Refiro-me aos nossos sonhos pessoais. Quero que você perceba que a realização deles é como aqueles bônus de videogame, que vamos “pegando” durante o jogo, conforme avançamos em cada fase. Eles não são a finalidade do jogo, mas nos ajudam a jogar. Dão-nos um pouquinho mais de “gás”, de “life”, alguns “super poderes” ou algumas armas extras. Quando a “munição” ta faltando, é legal pegar um desses… Mas entenda: eles não são o objetivo do jogo.

Cada coisa no seu lugar. A vida, na sua essência, é assim mesmo. A causa principal dela não é nos tornarmos bons médicos, advogados, comprarmos uma casa com piscina, usar roupas de marca, casar com alguém bacana, ou ter um casal de gêmeos graciosos. Também não fomos feitos para “ganhar as nações”, pasme você! A Bíblia diz que Deus nos fez para habitarmos sobre a face da terra e para buscarmos a ele (Atos 17.27), e essa é, portanto, a razão pela qual estamos aqui neste mundo: para buscá-lo.

O nosso serviço a Deus é uma oferta que fazemos ao Senhor, é uma resposta de gratidão ao seu infinito amor, e de compaixão pelos nossos irmãos, – especialmente aos perdidos – mas ainda não é o ponto principal da nossa existência.

Se somos cristãos de fato, nascidos de novo e cheios do Espírito Santo, estamos plenos e não há lacunas em nós. Todas as outras coisas, mais cedo ou mais tarde, nos serão acrescentadas. Alguém já disse: “as primeiras coisas, em primeiro lugar”.

Decida pensar da maneira certa, ver-se como Deus te vê: sem lacunas, e receba da vida os acréscimos com alegria e ações de graças, cumprindo o propósito de Deus para sua vida e sendo superabundante em tudo. Nós nascemos para reinar em vida!

Luciana Honorata

Solidão

20 de novembro de 2010 — 12 Comentários


Você pode ter pensado ao ler o título: “lá vem, mais um texto ‘Deus é contigo, você não está só'”, no entanto, apesar deste ser um tema válido e bastante útil, não é meu intuito abordá-lo por ora.

O fato é que eu percebi que a solidão é mal vista por muitas pessoas. Na verdade, pela maioria delas. Conheço pessoas que têm tanto medo da solidão, e desprezam-na tanto, que não se sentem confortáveis sequer de ir ao banheiro sozinhas, mas têm sempre que convidar alguém para acompanhá-las. Elas precisam de companhia para tudo: dormir, acordar, tomar café, trabalhar, assistir TV, orar, viver… Enfim, difícil mesmo é encarar a solidão e o seu silêncio.

Não que eu considere o isolamento a “nova forma de vida”, ou o ideal para o homem, de forma alguma. Isto seria uma tremenda heresia! Eu sei que precisamos uns dos outros, pois a Bíblia enfatiza este fato, sobretudo no Novo Testamento. Entretanto, pergunto-me como é possível que alguém seja cristão e não saiba apreciar a solidão, isto é, a ausência de companhia física por perto.

Ficar sozinho não somente muitas vezes é uma bênção, como em outras, na verdade, é uma necessidade. Não há como termos comunhão com Deus, se não tivermos momentos solitários. Bons períodos de isolamento irão nos proporcionar excelentes momentos com o Senhor, que aprofundarão o nosso relacionamento com Ele, gerando intimidade.

Deus deseja que o conheçamos de forma particular, pessoal, não apenas como os homens de terno e gravata o apresentam nos domingos à noite. Há um Deus além-púlpito, além-imposição de mãos, além-gabinetes pastorais e além-profetas.

Há um Deus que é Pai, quando procurado para o alento e suprimento do filho que estende os braços. Há um Deus que é amigo, quando precisamos desabafar e chorar no colo de alguém que nos compreenda. Há um Deus que é juiz daqueles que ousam nos afrontar. Há um Deus na solidão do nosso quarto, à espera dos nossos corações rendidos.

Jesus sabia disso. Ele aprendeu a usufruir da solidão naquilo que ela tinha para oferecer de melhor. Aliás, Jesus era especialista em aproveitar o melhor das coisas, das pessoas, das circunstâncias… Ele sabia tirar “leite de pedra”, como diriam os mais experientes, e ele é o nosso exemplo.

Sabendo, pois, Jesus que estavam para vir com o intuito de arrebatá-lo para o proclamarem rei, retirou-se novamente, sozinho, para o monte. João 6.15

Jesus recolhia-se solitariamente em cima dos montes, onde pudesse falar e só ser ouvido pelo Pai. Algumas vezes durante o dia, outras enquanto todos dormiam. Ele desfrutava de uma “solidão” muito bem-acompanhada, longe de todo o burburinho dos alvoroçados discípulos emocionados com os grandes sinais que operava e das mãos estendidas buscando o pão ou a cura. Longe das “tapinhas” nas costas daqueles que queriam agradá-lo e promovê-lo, e mais longe ainda das palavras ferinas dos fariseus que o perseguiam. Ele distanciava-se de tudo e todos, para ficar somente perto daquele que tinha todas as respostas, para todas as perguntas.

Era ali, na comunhão com o Pai, que ele se fortalecia para mais um dia de renúncia e santidade. Era no silêncio do isolamento que a voz do Espírito de Deus se sobressaía apontando o caminho dos milagres e sussurrando as revelações.

O fato é que, somente quando estamos sozinhos, temos a oportunidade de sondar os nossos corações em busca das convicções que Deus tem depositado neles. Muitas vezes, estamos sem direção simplesmente por que queremos recebê-la em frente à TV, ou enquanto nos dedicamos aos sites de relacionamento e às salas de bate-papo.

Penso que teríamos muito mais luz nas nossas vidas, se aprendêssemos a amar a solidão nos termos certos, e a cultivar esses momentos com mais zelo, tornando-os mais freqüentes e entregando-nos com mais fervor.

Lembremo-nos sempre: Deus é galardoador daqueles que o buscam (Hebreus 11.6b), não diante dos homens, mas na solidão do quarto fechado.

Tu, porém, quando orares, entra no teu quarto e, fechada a porta, orarás a teu Pai, que está em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará. -Mateus 6.6

Luciana Honorata

Equilibrismo

16 de novembro de 2010 — Deixe um comentário

Eu tenho uma séria desconfiança de que todo crente já passou por isso, embora não arrisque generalizar por conhecer meu próprio testemunho e o de alguns irmãos próximos, mas é fato comum se ouvir algum crente dizendo: “eu já fui radical um dia”.

“Radical” leia-se: “desequilibrado, tendencioso, exagerado”.

Há em nós uma tendência arriscada para os extremos. Tudo quanto queremos e sabemos parece ser o certo, é sempre muito bom e não se discute mais isso. Somos altamente parciais e tendenciosos. Nossos avós chamam esse fenômeno de “viseira de burro”. Você já viu uma?!? Ela é colocada nas laterais da cabeça do animal para que ele não enxergue nada mais do que está exatamente diante dos seus olhos.

Muitos de nós andamos com “viseiras de burro” invisíveis. Elas estão nas nossas mentes: na nossa visão preconceituosa, religiosa, parcial. Nós vemos uma parte e queremos decifrar o todo. Nós conhecemos um lado e desprezamos o que está oculto. Julgamos um pelo outro, porém, muito antes de ter a visão geral da “coisa”.

Demoramos a acertar o caminho da cruz porque tudo o que sabíamos sobre o evangelho era algo a respeito de homens e mulheres barulhentos com folhetos nas calçadas, caixas de som ecoando hinos da harpa em plena praça e alguns escândalos de “religiosos mercenários”. Então, recusávamo-nos a olhar a outra face.

O poder de Deus então enfim nos alcançou… Alguém nos mostrou o “outro lado” e precisamos admitir que, de fato há algo de realmente bom, ou melhor, que na realidade é VERDADEIRAMENTE benéfica, agradável e fascinante a vida com Deus.

O problema é que, conosco, trazemos a nossa tendência preconceituosa e radicalista para o lado de cá, e aí desequilibramos de novo.

Então, abraçamos a verdade de tal modo que não queremos nos desvencilhar dela. Ela nos salvou. Aleluia! Precisa ser pregada, anunciada, amada, idolatrada, salve, salve! Precisa ser estudada, garimpada, vivida, praticada… Enfim, a gloriosa verdade nos consome!

Agora, somos o povo escolhido! Agora, somos do Reino eterno de Deus! O sacerdócio santo e separado. E quem são os outros?!?

Oh… são apenas pecadores, filhos do diabo, controlados pelos demônios e que não sabem o que é liberdade.

E os nossos irmãos desviados? São quase apóstatas que conhecem o caminho da verdade, mas não se firmam. “Bem feito!” – alguns diriam – “já que não querem Jesus…”.

Deus tenha misericórdia de nós!

Tornamo-nos pessoas legalistas, sem misericórdia, presunçosas e partidárias. Levantamos a bandeira da nossa congregação e estufamos o peito, cheios de orgulho porque temos a Palavra Revelada! Como se ela não estivesse na Bíblia, mas com um punhado de “crentes especiais”.

Sobretudo enquanto ainda meninos na fé, somos rápidos para julgar e apontar os pecados dos outros. Cada passo fora da linha, cada palavra de incredulidade, cada pequeno detalhe é observado. Tornamo-nos implacáveis não apenas conosco, mas com todos. Totalmente desequilibrados!

Com o passar do tempo e um coração sincero, desejoso de acertar, a vida nos mostra o quanto ainda temos que aprender, e como não devemos roubar das pessoas o direito de crescer, de cometer os próprios erros e arrependerem-se.

O nosso espírito foi salvo, graças a Deus. Mas a nossa humanidade não foi perdida com isso. Temos muito trabalho ainda a fazer! Precisamos doutrinar uma alma teimosa e volúvel. Ora ela quer estar conosco, ora com a “inimiga íntima”, a nossa carne. Esta, só será vencida no dia em que o Senhor vier nos buscar para estar com ele.

A questão é: estamos todos no mesmo barco. Todos precisamos crescer, todos usufruímos da graça, todos precisamos da misericórdia… TODOS!

Aqueles que não erram nas palavras, erram nas intenções ou nas ações. Aqueles que não mentem, podem fazer acepção de pessoas ou difamar um irmão… Enfim, não importa! O que interessa é que o julgamento cabe a Deus e não a nós. Só ele tem a visão absoluta dos fatos, dos corações, das intenções… Ele é o juiz, não o nosso “achismo”. Ele tem uma visão privilegiada de tudo e, portanto, um julgamento imparcial e justo.

A nossa parte é, sem sombra de dúvidas, a de sermos gratos pelas novas chances que ele nos concede diariamente, e vivermos como “equilibristas” esforçando-nos para não cair nem de um lado, nem de outro, mas andando na linha da verdade do amor de Deus, que nunca falha.

(Hebreus 4.13) – E não há criatura que não seja manifesta na sua presença; pelo contrário, todas as coisas estão descobertas e patentes aos olhos daquele a quem temos de prestar contas.

Luciana Honorata

 

Apenas parece…

16 de novembro de 2010 — Deixe um comentário

Como é comum de se ouvir por aí, a vida é uma caixinha de surpresas! Sempre há algo acontecendo inesperadamente, um evento que não estava no nosso cronograma e nos pega “de assalto”. Geralmente, somos tentados a refazer os nossos planos por causa destas circunstâncias imprevisíveis. Elas aparecem e parecem ecoar um sonoro NÃO àquilo que pedimos ao Pai ou que ousamos chamar à existência pela fé na Palavra.

Quase podemos ouvir a zombaria do diabo ao pé dos nossos ouvidos, sua risada sarcástica “pseudo-triunfante”, fazendo nos sentirmos muito aquém do que a Palavra garante que somos: mais do que vencedores!

Por alguns momentos, quase acreditamos que ele prevaleceu sobre nós, e acontece que, se atentarmos para o quadro natural à nossa frente, é exatamente essa a impressão que teremos: a de desfalecimento diante da aparente derrota.

Parece que ele ganhou, parece que não tem mais jeito, parece que a Palavra não funciona e que é um verdadeiro “Fantástico Mundo de Bobby” e que todos os testemunhos que ouvimos foram meros acasos atribuídos a Deus, mas que na verdade mesmo, para nós não funcionará. Apenas parece…

Dou graças a Deus porque a sua Palavra nos adverte:

“A aparência deste mundo passa…” (1 Coríntios 7.31)

Aleluia!!! A aparência passa. Tudo aquilo que parece derrota pode mudar de um instante para outro… ou desprezamos o fato de que o Mar Vermelho parecia intransponível?!

Posso confessar que, nem no meu mais louco delírio, ousaria duvidar da estabilidade de um mar “plantado” na minha frente! Se eu não conhecesse o final da história (medite você também), penso que jamais me atreveria a crer para que o mar fosse partido ao meio. Talvez eu usasse uma fé “violenta” e dissesse: “Senhor, manda um “super navio”, ou um helicóptero, Senhor, manda um exército de anjos…”, ou talvez entrasse em desespero e na oração em “línguas emergenciais”, mas jamais duvidaria da estabilidade do mar instalado à minha frente.

Glória a Deus, cuja Palavra é poderosa! Moisés tinha um firme propósito: sair com o povo de Deus do Egito rumo à Terra Prometida. Eu não sei qual o seu propósito, mas a Palavra de Deus diz:

“Tu, SENHOR, conservarás em perfeita paz aquele cujo propósito é firme; porque ele confia em ti.” (Isaías 26.3)

Deus conserva em perfeita paz aquele que sabe o que quer. É o inverso da situação descrita em Tiago, capítulo 1, que diz que o homem que não sabe o que quer (ou que duvida) é como uma onda, impelida e agitada pelo vento. A Bíblia diz que esse homem é inconstante em todos os seus caminhos e não receberá de Deus coisa alguma.

Devemos observar que nosso Deus é um Deus de fé, e que a fé não muda de idéia diante da circunstância adversa, mas permanece firme até o fim! Ela persevera, ela insiste, ela “finca pé”, “o sangue dá na canela” e ela não se demove… E por quê?!? Por que confia em Deus!!!

A fé sempre está plenamente convicta de que ele vela sobre a sua Palavra para cumpri-la, porque sabe que ele é fiel, que é o todo-poderoso e que, uma vez que ele nos instruiu e liberou a autoridade no Nome de Jesus para que a usássemos, não voltará atrás nos seus desígnios.

Deus sabe o que quer! Ele tem propósito em tudo o que faz e se agrada quando imitamos o seu caráter indefectível!

Se você tem um propósito, não se deixe demover pelo que parece prevalecer. A promessa de Deus é: enquanto você não se move para mudar os planos e propósitos por causa daquilo que está vendo, ouvindo ou sentindo, ele te dá graça para suportar com paciência o cumprimento da promessa, te conservando em perfeita paz, porque você confia nele e no seu imenso poder para fazer abundantemente além daquilo que podemos pedir ou pensar…

Luciana Honorata

Uma aliada poderosa

15 de novembro de 2010 — 3 Comentários

Há quem despreze o valor da alma. Já ouvi alguns irmãos por aí maldizendo-a, desejando não possuir uma alma, entristecidos, magoados, revoltados por “serem tão da fé”, que melhor seria não ter uma.

De fato, a alma do homem é delicada, melindrosa… às vezes, teimosa, é bem verdade, mas eu costumo pensar que ela é como uma criança, que apenas precisa ser doutrinada da maneira correta.

A alma vibra, chora, se apaixona, fica “amuada”, se ensoberbece, deseja, inveja, desespera, exulta… enfim, a alma oscila entre os hemisférios da vida e da morte, do espírito e da carne, aliando-se, invariavelmente, ao que estiver mais forte.

É extremamente interessante como a nossa alma mostra-se volúvel. Ela é a maior “maria-vai-com-as-outras” que eu, particularmente, conheço. Já percebeu? Presta bem atenção! Basta observar quando vamos a uma conferência ou acampamento espiritual. Nossa! Como ela volta motivada e decidida pelas coisas do espírito! Ambos são “carne e unha”, “faísca e fumaça”, “tampa e panela”! O nosso homem interior, bem alimentado e robusto, conquistou-a como aliada e, unidos, seriam capazes de conquistar o mundo!!!

Em contrapartida, é necessária apenas a volta à rotina, ceder um pouquinho às vontades da carne, ficarmos ocupados com as tarefas do dia-a-dia, nos privarmos do pão da Palavra e comer apenas com o pão de trigo – aquele lá da padaria de seu João – que ela vai se esquecendo pouco a pouco daquela grande ênfase espiritual de outrora, das grandes maravilhas de Deus, dos projetos evangelísticos, dos planos de conquista de uma vida devocional regular, e vai se acomodando… A carne “diz”: vamos!? E lá está ela, com cara de desconfiada, braços dados com a carne, adiando os interesses de Deus e satisfazendo algumas supostas “necessidades imediatas”.

A alma é assim: indecisa. Embora extremamente ensinável. A questão é que, pelo fato de ser aparentemente difícil domá-la e trazê-la como cúmplice na nossa vida com Deus, muitos de nós a repudiamos e queremos subjugá-la, como ao corpo.

Mas a Bíblia não nos ensina a subjugar a alma, nem a escravizá-la! Estas são as recomendações para com o nosso corpo! A nossa alma deve ser tratada, renovada, cuidada… A alma é uma bênção, gente! Ela só precisa ser reconquistada.

Imagine a nossa vida sem a existência da alma! Não teria o colorido das emoções, a adrenalina das lembranças, a sagacidade dos raciocínios… Seria uma vida em preto e branco, de decisões frias e histórias entediantes.

A alma dá sabor às conquistas espirituais, assim como dá brilho aos relacionamentos e sentido às canções.

É certo que a carne teria menos forças sem a alma para colaborar nos seus “desígnios”, contudo, temos que admitir que os nossos cultos seriam menos interessantes e a nossa adoração, apática. Vemos o salmista declarar:

Bendize, ó minha alma, ao SENHOR, e tudo o que há em mim bendiga ao seu santo nome. (Salmos 103.1)

Aleluia! Podemos instruir a nossa alma a bendizer ao Senhor, trazendo-a para junto do nosso homem interior, que tem prazer na Lei de Deus! O melhor de tudo é que, quando a ganhamos, é apenas o começo, pois trazemos o nosso corpo também, e então, andamos na plenitude para a qual fomos criados.

O melhor que podemos fazer, portanto, é nunca desprezar o valor dessa maravilhosa bênção que Deus nos deu, mas tratá-la atendendo ao conselho soberano do Senhor que a criou, que nos diz:

(Romanos 12.2) – E não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente (alma), para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.

Luciana Honorata

Debruçados na Janela de Deus

12 de novembro de 2010 — 4 Comentários

Palavras nada mais são do que “pedaços de nós” em forma de letras ou sons. Cheguei a esta conclusão enquanto meditava sobre o valor que Deus atribui à sua própria Palavra.

A Bíblia nos fala que Deus e a sua Palavra são um, e consequentemente, se nós fomos feitos à imagem e semelhança do nosso Pai, ou como dizem por aí, “uma duplicata em espécie da sua própria categoria”, porque seria diferente conosco?

Nós somos aquilo que falamos, pois as palavras são apenas uma expressão de nós mesmos.

Expressão é a “enunciação do pensamento por meio de gestos ou palavras escritas ou faladas; é o verbo; é o ato de manifestar-se, mostrar-se, dar-se a conhecer”.

As palavras, então, por si mesmas, não têm valor algum. Quando soltas em um dicionário, por exemplo, chegam a ser entediantes, de tão inertes e sem vida. No entanto, quando usadas por nós, são recheadas de significado, pois traduzem aquilo que somos na essência, revelando vontades, emoções, pensamentos e planos.

É por meio delas que expressamos quem somos e o que pensamos a respeito de nós mesmos e do mundo que nos cerca. Por meio das palavras, nós aparecemos de fato.

Porque, quem sabe as coisas do homem, senão o próprio espírito que nele está? (1 Co 2.11)

O mundo interior é vasto, profundo e particular, mas torna-se parcialmente público por meio das palavras, permitindo-nos ser “compartilhados” às pessoas.

Para mim, foi magnífico descobrir que as pessoas nos “experimentam” por meio do que dizemos. Tudo aquilo que somos e nos permitimos expressar, “entra” nelas por meio daquilo que falamos: as nossas opiniões, as nossas experiências, as sensações… Elas “saem” de nós e alcançam as pessoas, levando-nos em porções para dentro delas, pois palavras são muito mais do que fonemas articulados, e infinitamente mais do que letras unidas e pintadas num papel, elas são idéias vivas!

Gosto de imaginar como se nós fossemos uma grande montanha de areia, e as palavras fossem apenas caminhõezinhos carregados de nós, a levar-nos para outros lugares, para onde as enviamos…

Não me admira que Jesus tenha dito que as palavras que ele falara eram Espírito e Vida (Jo 6.63), visto que as letras, os sons e os gestos são apenas veículos pelo qual as palavras se fazem conhecidas, pois na realidade, elas são algo espiritual.

Perceba que as letras se unem para formar um vocábulo, que gera dentro de nós uma imagem, uma idéia, um pensamento. Estas, por sua vez, geram sentimentos que nos fazem reagir positiva ou negativamente.

Foi justamente por essa razão que Jesus falou que havia limpado os discípulos pelas palavras que os tinha falado, pois a sua vida, as suas idéias, o que Jesus era “por dentro”, foi participado aos discípulos por meio das palavras que pronunciara.

Jesus falava, e suas palavras eram mais do que simplesmente sons. Ele falava não só com a voz, mas com a sua própria vida. Por meio das “palavras” ele se comunicava no sentido mais profundo, “dando-se aos pedaços”, partilhando com os discípulos do seu próprio espírito, das suas convicções, dos seus pensamentos, daquilo que ele é em toda a sua essência. As palavras de Jesus penetravam no coração deles e cresciam como uma semente em terra fértil, limpando-os por dentro!

A expectativa de Deus acerca da vida humana era conhecida por Jesus e, com suas palavras ele trazia os discípulos para o mesmo ponto de vista, fazendo-os enxergar a vida de outro ângulo, incitando-os a experimentar a realidade sob uma nova perspectiva, a qual os homens em geral não possuem, justamente por causa das palavras que receberam em discordância com a Palavra de Deus.

Na verdade, percebi que é como se Jesus estivesse “debruçado na janela de Deus”, sendo participante do ponto de vista divino exposto pelas Escrituras e conhecido apenas por aqueles que se dispõem a buscar a verdade com diligência e sinceridade de coração.

Então, da “janela celestial”, ele vê a vida de uma maneira franca, e nos convida a contemplar a mesma paisagem: o horizonte do plano original do Pai, onde nossos umbigos não são o centro do universo e a felicidade não é privilégio de poucos.

Sabe, já estávamos acostumados a “olhar da nossa própria janela”, cuja vista geralmente dá para os terrenos baldios do egoísmo e da ganância. O diabo “semeou” palavras dentro de nós que falam de um mundo cruel e pervertido. Palavras essas, que embaçaram as nossas vidraças e deixaram a nossa casa suja e bagunçada. Palavras que nos fazem pensar sobre nós mesmos e sobre a vida de uma forma diferente daquele que nos gerou.

Deus nos enviou sua Palavra, Jesus Cristo, para nos “tomar pela mão” e nos “debruçar na sua janela”, a fim de apreciarmos a existência do ponto de vista divino, imutável e indefectível, que nos leva à sua vontade que é boa, agradável e perfeita, e é por meio das palavras que ele faz isso.

Atentemos, portanto, para o Espírito e a Vida que estão na Palavra e nos levam a olhar a realidade sob a perspectiva certa!

“Se permanecerdes em mim, e as minhas palavras permanecerem em vós, pedireis o que quiserdes, e vos será feito” (João 15.7)

Luciana Honorata