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Equilibrismo

16 de novembro de 2010 — Deixe um comentário

Eu tenho uma séria desconfiança de que todo crente já passou por isso, embora não arrisque generalizar por conhecer meu próprio testemunho e o de alguns irmãos próximos, mas é fato comum se ouvir algum crente dizendo: “eu já fui radical um dia”.

“Radical” leia-se: “desequilibrado, tendencioso, exagerado”.

Há em nós uma tendência arriscada para os extremos. Tudo quanto queremos e sabemos parece ser o certo, é sempre muito bom e não se discute mais isso. Somos altamente parciais e tendenciosos. Nossos avós chamam esse fenômeno de “viseira de burro”. Você já viu uma?!? Ela é colocada nas laterais da cabeça do animal para que ele não enxergue nada mais do que está exatamente diante dos seus olhos.

Muitos de nós andamos com “viseiras de burro” invisíveis. Elas estão nas nossas mentes: na nossa visão preconceituosa, religiosa, parcial. Nós vemos uma parte e queremos decifrar o todo. Nós conhecemos um lado e desprezamos o que está oculto. Julgamos um pelo outro, porém, muito antes de ter a visão geral da “coisa”.

Demoramos a acertar o caminho da cruz porque tudo o que sabíamos sobre o evangelho era algo a respeito de homens e mulheres barulhentos com folhetos nas calçadas, caixas de som ecoando hinos da harpa em plena praça e alguns escândalos de “religiosos mercenários”. Então, recusávamo-nos a olhar a outra face.

O poder de Deus então enfim nos alcançou… Alguém nos mostrou o “outro lado” e precisamos admitir que, de fato há algo de realmente bom, ou melhor, que na realidade é VERDADEIRAMENTE benéfica, agradável e fascinante a vida com Deus.

O problema é que, conosco, trazemos a nossa tendência preconceituosa e radicalista para o lado de cá, e aí desequilibramos de novo.

Então, abraçamos a verdade de tal modo que não queremos nos desvencilhar dela. Ela nos salvou. Aleluia! Precisa ser pregada, anunciada, amada, idolatrada, salve, salve! Precisa ser estudada, garimpada, vivida, praticada… Enfim, a gloriosa verdade nos consome!

Agora, somos o povo escolhido! Agora, somos do Reino eterno de Deus! O sacerdócio santo e separado. E quem são os outros?!?

Oh… são apenas pecadores, filhos do diabo, controlados pelos demônios e que não sabem o que é liberdade.

E os nossos irmãos desviados? São quase apóstatas que conhecem o caminho da verdade, mas não se firmam. “Bem feito!” – alguns diriam – “já que não querem Jesus…”.

Deus tenha misericórdia de nós!

Tornamo-nos pessoas legalistas, sem misericórdia, presunçosas e partidárias. Levantamos a bandeira da nossa congregação e estufamos o peito, cheios de orgulho porque temos a Palavra Revelada! Como se ela não estivesse na Bíblia, mas com um punhado de “crentes especiais”.

Sobretudo enquanto ainda meninos na fé, somos rápidos para julgar e apontar os pecados dos outros. Cada passo fora da linha, cada palavra de incredulidade, cada pequeno detalhe é observado. Tornamo-nos implacáveis não apenas conosco, mas com todos. Totalmente desequilibrados!

Com o passar do tempo e um coração sincero, desejoso de acertar, a vida nos mostra o quanto ainda temos que aprender, e como não devemos roubar das pessoas o direito de crescer, de cometer os próprios erros e arrependerem-se.

O nosso espírito foi salvo, graças a Deus. Mas a nossa humanidade não foi perdida com isso. Temos muito trabalho ainda a fazer! Precisamos doutrinar uma alma teimosa e volúvel. Ora ela quer estar conosco, ora com a “inimiga íntima”, a nossa carne. Esta, só será vencida no dia em que o Senhor vier nos buscar para estar com ele.

A questão é: estamos todos no mesmo barco. Todos precisamos crescer, todos usufruímos da graça, todos precisamos da misericórdia… TODOS!

Aqueles que não erram nas palavras, erram nas intenções ou nas ações. Aqueles que não mentem, podem fazer acepção de pessoas ou difamar um irmão… Enfim, não importa! O que interessa é que o julgamento cabe a Deus e não a nós. Só ele tem a visão absoluta dos fatos, dos corações, das intenções… Ele é o juiz, não o nosso “achismo”. Ele tem uma visão privilegiada de tudo e, portanto, um julgamento imparcial e justo.

A nossa parte é, sem sombra de dúvidas, a de sermos gratos pelas novas chances que ele nos concede diariamente, e vivermos como “equilibristas” esforçando-nos para não cair nem de um lado, nem de outro, mas andando na linha da verdade do amor de Deus, que nunca falha.

(Hebreus 4.13) – E não há criatura que não seja manifesta na sua presença; pelo contrário, todas as coisas estão descobertas e patentes aos olhos daquele a quem temos de prestar contas.

Luciana Honorata

 

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Apenas parece…

16 de novembro de 2010 — Deixe um comentário

Como é comum de se ouvir por aí, a vida é uma caixinha de surpresas! Sempre há algo acontecendo inesperadamente, um evento que não estava no nosso cronograma e nos pega “de assalto”. Geralmente, somos tentados a refazer os nossos planos por causa destas circunstâncias imprevisíveis. Elas aparecem e parecem ecoar um sonoro NÃO àquilo que pedimos ao Pai ou que ousamos chamar à existência pela fé na Palavra.

Quase podemos ouvir a zombaria do diabo ao pé dos nossos ouvidos, sua risada sarcástica “pseudo-triunfante”, fazendo nos sentirmos muito aquém do que a Palavra garante que somos: mais do que vencedores!

Por alguns momentos, quase acreditamos que ele prevaleceu sobre nós, e acontece que, se atentarmos para o quadro natural à nossa frente, é exatamente essa a impressão que teremos: a de desfalecimento diante da aparente derrota.

Parece que ele ganhou, parece que não tem mais jeito, parece que a Palavra não funciona e que é um verdadeiro “Fantástico Mundo de Bobby” e que todos os testemunhos que ouvimos foram meros acasos atribuídos a Deus, mas que na verdade mesmo, para nós não funcionará. Apenas parece…

Dou graças a Deus porque a sua Palavra nos adverte:

“A aparência deste mundo passa…” (1 Coríntios 7.31)

Aleluia!!! A aparência passa. Tudo aquilo que parece derrota pode mudar de um instante para outro… ou desprezamos o fato de que o Mar Vermelho parecia intransponível?!

Posso confessar que, nem no meu mais louco delírio, ousaria duvidar da estabilidade de um mar “plantado” na minha frente! Se eu não conhecesse o final da história (medite você também), penso que jamais me atreveria a crer para que o mar fosse partido ao meio. Talvez eu usasse uma fé “violenta” e dissesse: “Senhor, manda um “super navio”, ou um helicóptero, Senhor, manda um exército de anjos…”, ou talvez entrasse em desespero e na oração em “línguas emergenciais”, mas jamais duvidaria da estabilidade do mar instalado à minha frente.

Glória a Deus, cuja Palavra é poderosa! Moisés tinha um firme propósito: sair com o povo de Deus do Egito rumo à Terra Prometida. Eu não sei qual o seu propósito, mas a Palavra de Deus diz:

“Tu, SENHOR, conservarás em perfeita paz aquele cujo propósito é firme; porque ele confia em ti.” (Isaías 26.3)

Deus conserva em perfeita paz aquele que sabe o que quer. É o inverso da situação descrita em Tiago, capítulo 1, que diz que o homem que não sabe o que quer (ou que duvida) é como uma onda, impelida e agitada pelo vento. A Bíblia diz que esse homem é inconstante em todos os seus caminhos e não receberá de Deus coisa alguma.

Devemos observar que nosso Deus é um Deus de fé, e que a fé não muda de idéia diante da circunstância adversa, mas permanece firme até o fim! Ela persevera, ela insiste, ela “finca pé”, “o sangue dá na canela” e ela não se demove… E por quê?!? Por que confia em Deus!!!

A fé sempre está plenamente convicta de que ele vela sobre a sua Palavra para cumpri-la, porque sabe que ele é fiel, que é o todo-poderoso e que, uma vez que ele nos instruiu e liberou a autoridade no Nome de Jesus para que a usássemos, não voltará atrás nos seus desígnios.

Deus sabe o que quer! Ele tem propósito em tudo o que faz e se agrada quando imitamos o seu caráter indefectível!

Se você tem um propósito, não se deixe demover pelo que parece prevalecer. A promessa de Deus é: enquanto você não se move para mudar os planos e propósitos por causa daquilo que está vendo, ouvindo ou sentindo, ele te dá graça para suportar com paciência o cumprimento da promessa, te conservando em perfeita paz, porque você confia nele e no seu imenso poder para fazer abundantemente além daquilo que podemos pedir ou pensar…

Luciana Honorata