A “Síndrome de Pedro”

1 de dezembro de 2010 — Deixe um comentário

Acredito que não devo ter sido a única a perceber isto, mas cada crente com um temperamento mais parecido com o do apóstolo Pedro, já deve ter percebido que algumas coisas que dizemos são como “cuspir para cima”: caem exatamente na nossa cara. Costumo pensar nisso como a “síndrome de Pedro”.

É o fato de falarmos as coisas precipitadamente, sem termos certeza do que estamos fazendo, ou mesmo sem saber se temos a estrutura necessária para agirmos de acordo com as nossas próprias palavras. Isso aconteceu na vida de um dos maiores apóstolos do Cordeiro repetidas vezes, e está escrito para que não caiamos na mesma armadilha que ele.

Pedro costumava se precipitar em dizer coisas que ele queria de fato fazer. Eram desejos sinceros do seu coração, verdadeiramente. Porém, ainda não era algo que ele conseguiria fazer facilmente, e talvez, mesmo com o maior dos esforços, ele ainda teria dificuldades em cumprir.

Lembro-me de algumas vezes em particular em que Pedro fez isso. O exemplo clássico, embora não único, é a promessa de que jamais deixaria o Senhor. Ele disse:

“Ainda que venhas a ser um tropeço para todos, nunca o serás para mim… Ainda que me seja necessário morrer contigo, de nenhum modo te negarei.” (Mateus 26.33,35)

Sabe, eu não creio que Pedro tenha sido falso com Jesus, assim como acredito que você não pense assim também. Nós sabemos que Pedro tinha um coração acertado, que amava o Senhor e recebia a Palavra com mansidão… No entanto, Pedro falou do seu desejo, não da sua capacidade ou da sua estrutura.

Nós já sabemos que Pedro negou Jesus, assim como já conhecemos também a história em que ele andou sobre as águas e afundou (Mateus 14.28-31), e também que ele voltou para pescar quando sabia que tinha um chamado de Deus para pastorear o Seu rebanho… (João 21.3).

Enfim, ou Pedro havia esquecido das suas próprias palavras, ou sentiu-se incapaz de corresponder a elas… Posso imaginar a amargura com que ele se lembrava das coisas que havia dito a Jesus, e que tinha falhado em cumprir… Restava a Pedro, portanto, muita vergonha e constrangimento, afinal, que tipo de homem de Deus fala aquilo de que não sabe, ou que não pode exercer…? Que tipo de discípulo deixa “cair suas palavras no chão”, quando o ensino do seu Mestre é de que “seja porém, a tua palavra: Sim, sim; não, não. O que disto passar vem do maligno”? (Mateus 5.37) Não tenho dúvidas de que Satanás deve ter usado as próprias palavras de Pedro para oprimi-lo.

Por semelhante modo, muitos de nós falamos coisas irresponsavelmente, e deixamos estas palavras a esmo, sendo lançadas em nossos rostos pelos nossos parentes e amigos, ou mesmo pelo diabo. Foram coisas que dissemos quando ainda éramos muito novos na fé, e sabíamos tão pouco sobre a vida com Deus… Ou quando estávamos no calor de alguma situação, empolgados o bastante para não termos o cuidado de medir qualquer circunstância…

Quero deixar bem claro, entretanto, que isto não é uma apologia à incapacidade, ou mesmo à infidelidade por parte de alguns de nós, muito pelo contrário, é um alerta para que tenhamos mais cuidado com as nossas palavras e às promessas que fazemos a Deus e às pessoas. Está dito em Eclesiastes:

“Não te precipites com a tua boca, nem o teu coração se apresse a pronunciar palavra alguma diante de Deus; porque Deus está nos céus, e tu, na terra; portanto, sejam poucas as tuas palavras. Porque dos muitos trabalhos vêm os sonhos, e do muito falar, palavras néscias. Quando a Deus fizeres algum voto, não tardes em cumpri-lo; porque não se agrada de tolos. Cumpre o voto que fazes. Melhor é que não votes do que votes e não cumpras.” (Eclesiastes 5.2-5)

Sei que o Espírito Santo nos dá sabedoria e poder, capacitando-nos a ter uma vida digna de filhos de Deus. Isto é um fato, não uma especulação. No entanto, podemos ver no livro de Atos algumas vezes em que Pedro errou, ainda mesmo depois de receber o Espírito Santo, agindo preconceituosamente, sendo resistente às mudanças do tempo da graça, e pequenas outras coisas que não temos tempo pra discutir agora.

O fato, é que estamos crescendo – isto é, julgue cada um a si mesmo. E é muito fácil, por exemplo, para um menino de oito anos dizer que odeia garotas. “Argh, eu tenho nojo de meninas!” – eles dizem. Contudo, um dia essas palavras “cairão no colo” deles, e perceberão que elas não tinham sentido algum. Do mesmo modo, algumas coisas são impensáveis para nós hoje, mas um dia terão um significado diferente.

O que eu tenciono, afinal, com esta meditação, é lhe estimular a ser mais responsável com as suas palavras. Poupe-se de fazer promessas que não esteja pronto a cumprir, para que Satanás não as use contra você, para que não te oprima e de repente, você seja constrangido em algumas circunstâncias na vida, sendo tentado até a se desviar do caminho da verdade, por causa da vergonha e do sentimento de culpa que o diabo possa tentar fazê-lo sentir. Fuja da “síndrome de Pedro”, de dizer o que vem à sua cabeça sempre, pois cada palavra que dissermos será cobrada de nós, e estaremos “presos” é por aquilo que dizemos…

“Estás ENREDADO com o que dizem os teus lábios, estás PRESO com as palavras da tua boca.” (Provérbios 6.2)

Luciana Honorata

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