A Firmeza Doutrinária de Jesus

18 de dezembro de 2010 — Deixe um comentário

Olá pessoal!

Vai aqui um texto super edificante do nosso irmão e mestre Natan Rufino a respeito de firmeza doutrinária, publicado na revista Conexões, da Alumni Rhema. Vale a pena ler cada linha!

Muita gente conhece bem o texto que diz “errais, não conhecendo as Escrituras nem o poder de Deus”. Quem disse isso? Sim, foi o próprio Jesus em pessoa! Isso é pensamento dele! É ideia sua! Esse é o seu ponto de vista a respeito do assunto em questão. Mas aí é que está: qual é o assunto em questão? Preparado ou não para saber a resposta, aí vai: doutrina era o assunto em questão! Jesus explicava aos seus opositores como desenvolver, em sua vida de devoção a Deus, a firmeza doutrinária necessária para conseguir escapar dos “ensinos dos demônios”.

Jesus disse: “vocês erram por não conhecerem as Escrituras”. Daí, concluímos que ele não cometia o mesmo erro a respeito do qual ele os repreendera, certo? Se Jesus falava que era errado não conhecer as Escrituras, é porque ele certamente as conhecia relativamente bem!

Há muitas passagens nos Evangelhos que nos mostram isso, porém, uma das que mais tem me chamado a atenção atualmente é Lucas 4.16-21. Este texto diz que Jesus pegou o livro do profeta Isaías e o abriu exatamente na passagem a respeito da qual pretendia ministrar.

“Achou o lugar onde estava escrito” é o que a Bíblia diz. Ele não “achou” por acaso. Não foi por uma suposta “inspiração súbita” que aquele texto sobressaiu-se diante dos seus olhos. Ele o conhecia muito bem e sabia em seu coração o tempo e o modo de usá-lo. “HOJE, se cumpriu essa Escritura!” foi o que ele falou, assim que terminou de lê-lo. Isso nos mostra que ele tinha uma mensagem específica para um dia específico, e portanto, precisava de um texto específico! Jesus conhecia muito bem as Escrituras!

Quando os saduceus se aproximaram dele para um pequeno debate teológico, eles não foram interrogá-lo por causa de uma dúvida que os incomodava, mas o que os motivava era a convicção que tinham a respeito de alguns assuntos da Bíblia. Sim, eu disse convicção! Hoje nós sabemos que eles estavam errados em seus pensamentos, mas lembre-se de uma coisa: eles não sabiam! Acreditavam firmemente no que professavam e tinham ousadia para questionar Jesus tomando por base tais convicções. Leia o texto com atenção e você perceberá que eles não queriam aprender de Jesus, eles queriam ENSINAR Jesus!

Outra coisa interessante de se observar, é que o erro doutrinário dos saduceus não se limitava apenas às questões relacionadas à ressurreição. Em Atos 23.8 a Bíblia diz que “os saduceus declaravam não haver ressurreição, nem anjo, nem espírito; ao passo que os fariseus admitiam todas essas coisas”. Perceba que eles não tinham pensamentos errados apenas a respeito da ressurreição. De fato, os enganos espirituais e doutrinários raramente se limitam a uma única área, mas na maioria das vezes, um outro erro se faz necessário para justificar o primeiro, e é assim que se forma uma vasta cadeia de pensamentos e idéias absurdas.

A pergunta dos saduceus no versículo 28 não foi sincera. “Porquanto na ressurreição, de qual dos sete será ela esposa?”. Eles não acreditavam na existência da ressurreição! A ideia deles por meio da história que havia sido contada para Jesus, era mostrar como o pensamento a respeito da ressurreição era absurdo, POIS eles tinham um TEXTO BÍBLICO que dava base para que pensassem assim!

Por causa de uma má interpretação do texto de Moisés, eles pensaram: “a lógica é que não exista ressurreição, pois como ficaria a condição social de todas estas pessoas que já tinham sido casadas com a mesma mulher?”

Os saduceus, coitados, não tinham qualquer experiência a respeito do que o poder de Deus poderia fazer para transformar o ser humano e a sua natureza. Eles não entendiam que o poder de Deus não apenas pode agir e interferir em nossa vida hoje, como também no futuro poderá “transmutar” toda a nossa condição mortal, alterando inclusive os nossos instintos mais básicos e nos concedendo uma realidade extra terrena, próxima do próprio estado angelical.

Respondeu-lhes Jesus: Errais, não conhecendo as Escrituras nem o poder de Deus. Porque, na ressurreição, nem casam, nem se dão em casamento; são, porém, como os anjos no céu. (Mateus 22.29,30).

Sabemos então que o erro dos saduceus se baseava em um texto bíblico, mas veja que a falta de experiência com o poder de Deus na vida deles, lhes deixava impedidos de entender corretamente aquela passagem. Sem a compreensão prática do que o poder de Deus pode fazer na vida do homem, eles ficaram vulneráveis aos argumentos dos “espíritos enganadores”.

A sã doutrina é fruto da experiência do homem com o Espírito da verdade, ao passo que as doutrinas que corroem como câncer são o resultado da influência de espíritos enganadores. Qual foi o erro que os saduceus cometeram? Erraram por não conhecerem as Escrituras nem o Poder de Deus! Jesus apontou o erro deles como sendo duplo e, por essa razão, obviamente, precisaria de uma explicação dupla.

Veja que no verso 30 Jesus explica sobre o erro da falta de conhecimento do poder de Deus, ao passo que no verso 31 ele trata sobre o erro da falta de conhecimento de outras Escrituras a respeito do mesmo assunto. Observe:

Verso 30, a falta de conhecimento acerca do poder de Deus:

“Porque, na ressurreição, nem casam, nem se dão em casamento; são, porém, como os anjos no céu”.

Aqui nós vemos Jesus tratando sobre o erro da falta de conhecimento do que o poder de Deus pode fazer na vida do homem. Neste momento, Jesus não está necessariamente falando sobre a realidade da futura ressurreição, nem mesmo tentando provar a veracidade desta doutrina, veja que neste ponto ele está falando sobre o que acontecerá NA ressurreição! Ele está falando sobre o que o poder de Deus fará ao homem na ocasião da ressurreição.

Na ressurreição O PODER DE DEUS transformará nossos corpos mortais e passaremos a uma nova realidade existencial. Porém, todo aquele que hoje tem uma experiência com os poderes do mundo vindouro consegue assimilar a idéia de que, na ressurreição, o poder de Deus transformará a necessidade humana de unir-se com alguém do sexo oposto, e também que o corpo não será o mesmo e não terá os mesmos apetites.

Somente sob essa perspectiva a interpretação da passagem de Moisés sobre o casamento não seria um problema, e não nos sentiríamos tentados a pensar que a ressurreição não existe pelo simples fato considerarmos impossível a vida sem o sexo ou sem o relacionamento conjugal que conhecemos. O elemento básico de aproximação entre o homem e a mulher é exatamente a diferença dos sexos, portanto, quando o corpo for transformado, a relação entre eles também mudará.

Verso 31, a falta de conhecimento das Escrituras:

“e, quanto à ressurreição dos mortos, não tendes lido o que Deus vos declarou…”

Neste momento, vemos Jesus tratando sobre o erro da falta de conhecimento daquilo que está escrito, das Escrituras, por isso ele diz “não tendes lido?” O que Jesus está fazendo? Ele está citando outro texto das Escrituras para trazer esclarecimento a respeito do primeiro texto mencionado. Esta é uma regra básica de interpretação da Palavra de Deus: a Bíblia se interpreta a ela mesma! No momento anterior, vimos Jesus falar sobre o conhecimento do poder de Deus que, muito provavelmente, se experimenta por meio de uma vida de oração. No entanto, ao mencionar aquilo que “Deus disse”, ele se refere especificamente ao que está ESCRITO!

O erro doutrinário dos saduceus, e qualquer outro grupo de religiosos a respeito da ressurreição, dos anjos, da essência espiritual humana, ou ainda sobre qualquer outro tema bíblico, serão sempre pelas mesmas razões: falta de conhecimento de uma quantidade razoável de textos que falem sobre o mesmo assunto, e falta de experiência pessoal do que o poder de Deus pode fazer na vida humana.

Por favor, não saia do foco, não estamos falando sobre qualquer outra coisa aqui senão sobre como conservar A DOUTRINA em nosso meio! Não existe doutrina sadia sem a maneira sadia de desenvolvê-la. Não existe credo, dogma ou doutrina que possa se sustentar com base em visões ou revelações, sem fundamentação bíblica, textual. Da mesma forma, não existe teologia cristã que possa ser considerada aceitável sem a base de uma experiência real do poder de Deus na vida de seus formuladores. A valorização somente do texto resultará em formalidade e legalismo, enquanto a valorização da oração e experiência do poder de Deus somente, dará origem a fanáticos desequilibrados.

O contexto da história que estamos discutindo termina dizendo que “ouvindo isto, as multidões se maravilhavam da SUA DOUTRINA”. É crença evangélica comum que o texto de Mateus seja inspirado por Deus, o que significa dizer que, a forma em que este texto apresenta a história traz exatamente aquilo que Deus deseja que entendamos. Usando a mesma regra de citação das Escrituras usada por Jesus, poderíamos dizer que “Deus nos mostrou a base da doutrina de Jesus Cristo”.

Natan Rufino

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