Comer, Rezar, Amar – Apenas uma reflexão…

31 de dezembro de 2010 — 9 Comentários

É o nome de um filme, mas bem que podia ser uma pregação, afinal, ainda que em ordem imprópria, pelo menos o título fala sobre ser suprido em três áreas: física, espiritual e emocional.

Estas são necessidades básicas de cada um de nós: todo mundo precisa de alimento natural; todo mundo precisa de comunhão com Deus; todo mundo precisa de relacionamentos. Somos seres espirituais, que possuem uma alma e habitam num corpo, e embora a protagonista da história não tenha tido a bem-aventurança de encontrar Jesus e descobrir o lugar de cada coisa em sua própria vida, nós temos a chance todos os dias de reajustar as nossas.

Ontem eu tive um daqueles dias “solitários” – sim, assim entre aspas, porque apesar de desprovida de companhia física, adoro a minha própria companhia, assim como a do Espírito Santo. Minha família viajou e eu tive um curto período de trégua para fazer o que quisesse como me aprouvesse, e decidi fazer algo nada original: assistir um bom filme. As meninas sabem que não há nada como ver uma boa comédia romântica quando se está sozinha e pode-se chorar bobamente sem ser recriminada por ninguém, e foi essa minha motivação ao apertar o play do DVD. Bom, eu não esperava refletir tão profundamente sobre algumas coisas da vida e esta é a razão deste post.

Religiosidades bem à parte – visto que estamos discorrendo acerca de um filme mundano que fala sobre separação conjugal mesclada com hinduísmo e algumas outras heresias – este é um post só para meninas que conseguem ser sinceras consigo mesmas e pensar na vida sem medo de ter que recalcular a rota.

O filme conta a história de uma mulher casada que um dia percebe que não é feliz e, portanto, se separa em busca de realização pessoal, equilíbrio, “encontrar a sua palavra”, definir-se… Ela começa buscando isto em outro amor, mas percebe que não a satisfaz completamente, e decide continuar sua jornada em uma viagem à Itália, Índia e Indonésia, à procura de “paz interior”…

Bom, eu não precisaria dizer que tudo isto nós já temos em Jesus Cristo, e não seria necessário para nenhuma de nós passarmos por um divórcio para descobrir quem somos. Também é desnecessário perder muito tempo explicando que não é o fato de viajarmos que faz com que as mudanças que precisamos aconteçam em nossas vidas… No entanto, excetuando-se o fato de ser um tanto quanto fantasioso, este é um filme que nos fará pensar no peso das nossas escolhas, na relevância dos nossos valores, e na capacidade de superar os revezes da vida.

Fiquei pensando naquela mulher, deitada em sua cama, arrependendo-se de ter casado com alguém que não tinha os mesmos objetivos, a mesma maturidade, o mesmo ponto de vista que ela… A tão falada “falta de amor” que acomete os casamentos depois de algum tempo, muitas vezes é apenas a falta de identificação que foi ocultada pela embriaguez da paixão, e depois de algumas doses de rotina fica tão evidente quanto a toalha molhada em cima da cama.

Quantas mulheres de Deus não se casam com homens incrédulos por medo de ficarem sozinhas, ou porque se apaixonaram e “o sorriso dele era tão lindo que eu não pude resistir”?

Quantas não se precipitam e comprometem seus sonhos, seus ministérios, sua comunhão com Deus e tantas outras coisas, investindo em relacionamentos que estão bem longe dos padrões bíblicos, por pura carência e medo da privação?

Tenho visto meninas maravilhosas, com grandes chamados ministeriais, jogarem tudo para o alto por medo da solteirice. Elas se casam, se anulam, sufocam o plano de Deus para suas vidas e vivem imersas em insatisfação e frustração. É o que a Bíblia chama de entrar em jugo desigual, isto é, unir-se a alguém que não é compatível com a sua realidade, sua fé, seu nível de maturidade espiritual… Enfim, não é tão somente casar-se com descrente, pois pode acontecer até mesmo entre cristãos – unir-se a alguém que não se “encaixa” com você em pontos fundamentais, básicos.

Lembro-me de uma irmã da minha antiga igreja que era casada com um rapaz de uma igreja bem tradicional. Ela era pentecostal; ele não cria no batismo com o Espírito Santo – nem estava aberto a isso. Ambos eram cristãos, mas discordavam em um ponto doutrinário que é básico segundo Hebreus, capítulo 6. O resultado desta união, a princípio foi muita confusão! Ele chegou a proibi-la de ir à igreja diversas vezes, e eles viviam em pé de guerra. Depois de muitos anos de oração, certo dia ele abriu seu coração e recebeu o batismo. No entanto, ela sempre conta de como sofreu até que ele se abrisse para a iluminação que ela já tinha…

Não estou dizendo que ela deveria ter se separado, ou que não devia ter casado. Também não estou afirmando que as pessoas são imutáveis, não é isso! Pelo contrário! Depois que casamos, temos mesmo que pagar o preço que for preciso até que o outro cresça e possa andar na mesma revelação que nós. É bíblico sofrer por isso. Mas acredito firmemente que já estamos sujeitos a tantas aflições no mundo, que podemos evitar muitas outras simplesmente seguindo os conselhos do Pai, considerando as advertências da Sua Palavra e sendo prudentes. Você já imaginou se aquele irmão tivesse se fechado para sempre em relação ao batismo no Espírito Santo e ficasse engessado pela religiosidade o resto da sua vida? Que tipo de vida aquela mulher teria até hoje?!

Mulheres assim, geralmente, em algum ponto da sua caminhada acabam como a personagem interpretada por Julia Roberts: deitadas em suas camas arrazoando a bobagem que fizeram, lamentando as consequências e decidindo pelo divórcio.

A questão mais grave nisto tudo, entretanto, é que Deus leva essa coisa de casamento muito a sério, e voltar atrás para a “Mariazinha da congregação” talvez não seja tão fácil quanto para a personagem de um filme de Hollywood. Você não vai “chutar o pau da barraca”, comprar uma passagem para Roma e ficar um ano pendurada no cheque especial para encontrar a si mesma, vai?

Quantas de nós teremos a oportunidade de fazer longas viagens a fim de afogar as mágoas em pizzarias italianas e praias orientais? Além do mais, como novas criaturas em Cristo Jesus, devemos saber que a Palavra recrimina o divórcio, excetuando-se alguns poucos casos extremos, pois “não foi assim desde o princípio”… (Mt 19.8)

Deus quer que façamos as escolhas certas – e quero deixar bem claro que não me refiro à “pessoa certa” que alguns acreditam existir por aí à espera deles, a tão esperada “alma gêmea evangélica” como diria um amigo meu, “preparada pelo Pai especialmente para mim, aleluia!”… Não! Escolhas pessoais falam de responsabilidades individuais.

Fazer escolhas acertadas significa fazê-las considerando as suas várias implicações. É considerar prós e contras, reconhecer as próprias limitações e ter coragem de tomar decisões definitivas, atribuindo-as a si mesmo, sem transferência de culpa ou mérito. É saber o que está fazendo e sustentar as consequências deste passo.

Muitos de nós esperamos responsabilizar Deus pelas decisões mais importantes das nossas vidas – especialmente na escolha do cônjuge – por puro medo de não ter a quem culpar se algo der errado.

Não vou culpar a Deus pela blusa preta que desbotou na primeira lavagem, se fui eu mesma quem fui até a feira e a comprei na promoção, não é verdade? Eu sei que a metáfora é um pouco radical, mas eu gostaria que você pensasse bem sobre isso.

Quando temos consciência de que podemos fazer escolhas – e as fazemos com lucidez – não vamos acordar um dia nos sentindo vítimas do destino, como se ele tivesse o poder de nos pregar uma peça e minar a nossa esperança de felicidade…

Não! Não somos vítimas, temos domínio sobre as nossas vidas! Recebemos a capacidade de tomar decisões e devemos fazê-lo com sobriedade, considerando a Palavra de Deus. Somos nós quem muitas vezes nos colocamos debaixo de uma escravidão voluntária, porém desnecessária, julgando não fazer mal pegar “alguns atalhos”…

A mocinha do filme foi frustrada, passou por abismos existenciais profundos, teve que encarar a nova realidade de estar sozinha, perdoar a si mesma por suas más escolhas e mais um montão de coisas abstratas que só algumas pessoas vão perceber quando virem o filme ou lerem o livro. Mas o fato é que, assim como ela, todas nós temos a oportunidade de recomeçar, aprender a usufruir dos prazeres da vida (comer), da comunhão com Deus (rezar) e dos relacionamentos (amar), encontrando o equilíbrio das nossas vidas não em “alguéns”, mas Naquele que dá sentido a todo o resto e nos ajuda a manter cada coisa no seu devido lugar.

No fim, a gente acaba percebendo que a felicidade é uma escolha, e que o que Deus quer mesmo, é que a gente aprenda a encontrá-la não somente nas escolhas que ainda vamos fazer, mas também nas que já fizemos.

Luciana Honorata.

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9 Respostas para Comer, Rezar, Amar – Apenas uma reflexão…

  1. 

    Oi Lú….
    Sumida…apareceu hein…e amei seu post! Muito bom…sabe que sou sua fã..né?!
    Posso postar no HOPE?! Deixa vai…

    Amiga..quero desejar um Feliz Ano Novo para vc, que nosso Pai derramente de gransiosas bençãos sobre sua vida neste novo ano, e que todo o querer e desejo do coração dEle sobre sua vida se cumpram com perfeição! Continue sendo esta benção que vc é! Deus é Lindo e Fiel!!!

    Te curto de montãooooooooooooooooooooo!
    Grande Beijo

    • 

      hahahaha… Fica à vontade amiga!!! Pode postar quantos quiser, a hora que quiser! Tbm sou sua fã, viu?.. sou seguidora do seu blog, só que o wordpress nao segue ninguém né? rs… grandes saudades, viu? Tô sumida, mas é por causa da correria de fim de ano, aparecerei em breve… Devagar e sempre… Beijo grande e feliz 2011!!!

  2. 

    Luciana, eu sempre leio seus abençoados textos no portal verbodavida.com e gosto muito de todos, com esse não foi diferente, como uma jovem que deseja fazer sempre escolhas certas com a direção do Pai, essa palavra me proporcionou uma excelente reflexão! Eu concordo com você. Paz!

  3. 

    Oi querida, faz tempo que admiro seus textos, e gostaria de compartilhar os meus também com você. Quando puder, dê uma passadinha por lá, e siga-me. Será um grande prazer para mim. Deus continue te abençoando e principalmente sendo sua fonte de inspiração, porque Dele, por Ele e para Ele são todas as coisas.
    Um forte abraço… bjs:)

    • 

      Oi Késsia, já visito seu blog, viu? É uma grande alegria para mim saber que você sempre lê o meu! O seu link já consta na lista de indicações do meu blog e vai continuar, porém, como meu blog não é blogspot, nao da pra seguir um… Bem, ja sou seguidora de todo modo. Agradeço a sua visita e espero te ver sempre por aqui! Deus continue te abençoando minha irmã..

      No amor de Cristo, Lu.

  4. 

    MARAVILHOSO!

  5. 

    Nossa muito bom o post, eu sei que já faz algum tempo que vc o escreveu, mas, eu li agora, é maravilhoso, nossa é até estranho acho que está sessão aqui vc chama de “só para meninas”, e eu aqui lendo… kkk… mas, é que gosto bastante dos seus textos, acredito na importância de textos assim como esse, não só pra “elas” mas, também para “eles”… ah, gostei da parte em que vc cita o Natan é realmente engraçado quando ele fala sobre essa de “alma gêmea evangélica”… quanto mais “meninas” e “meninos” tiverem acesso a um conteúdo como o que vc tem/produz em seu blog é muito importante, as pessoas precisam de um material assim e os jovens em particular mais ainda dessas orientações! Obrigado Luciana! Eu te abençoo em nome de Jesus! Deus é bom em todo tempo! A paz!

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