Tatuagens são para sempre

14 de janeiro de 2011 — 10 Comentários

O que acontece quando você muda e elas permanecem?

Peço licença para postar o texto de um homem que não se professa cristão, mas que escreveu verdades coerentes que são um alerta para nossa geração. Ele é editor geral da revista Época e escreve uma coluna semanal no site Globo.com. Fico impressionada com a capacidade de expressão que Ivan Martins usou nesse texto. Pra quem ta pensando em fazer tatoo, vai aí um ponto de vista nada quadrado, muito menos tendencioso. Grifei as partes que considerei mais show, ok? Vale a pena refletir!

“Conheço uma moça que gastou um bom dinheiro, e um bocado de tempo, tentando, sem sucesso, tirar da orelha uma tatuagem que havia feito na Índia, no tempo em que era devota de um guru famoso. Não sei por que ela queria tirar a marca, mas o que me ficou marcado, para mim, é que ela não estava conseguindo.

Eu não tenho tatuagens. Na minha geração não era moda. Quando se tornou moda, nos anos 90, eu não consegui embarcar. Tenho dificuldade em responder às duas perguntas básicas que antecedem a tatuagem: onde tatuar e o quê tatuar. Imagino que essas dúvidas expressem uma resistência mais profunda. Tatuagens são para sempre e eu tenho dificuldade com o que é irremovível. Vou morrer com a tela do corpo intacta – ou, pelo menos, livre de marcas voluntárias.

Mas, ao meu redor, as tatuagens se multiplicam. São como itens de série num grupo de mulheres urbanas entre 20 e 30 anos. Em geral, vêm em dupla: uma na nuca, outra no ombro; uma no pé, outra na virilha; uma no cóccix, outra na panturrilha. Os temas das tatuagens também são parecidos, o que faz com que as pessoas fiquem mais ou menos iguais. Homens e mulheres.

Houve um tempo em que fui tocado pela novidade e achei que esses adereços expressavam alguma forma de rebeldia. Ou de erotismo. Hoje eles não me dizem muita coisa, num terreno ou no outro. A revolta embutida nas tatuagens-padrão ficou para trás há muito tempo. Para chocar, hoje em dia, é preciso cobrir uma vasta porção do corpo – ou inventar um desenho totalmente inusitado. E bem agressivo.

Vi este fim de semana as fotos da Cléo Pires sem roupa e fiquei com a impressão de exagero – com todas aquelas palavras tatuadas, a moça parecia São Paulo antes da lei Cidade Limpa. Continuava linda, mas, de alguma forma, aquele monte de desenhos desviava a atenção do essencial. Oscar Niemeyer, um homem que entende de beleza, disse uma vez que o corpo da mulher é a forma perfeita – por que, então, conspurcá-lo com tantas intervenções desnecessárias? Fica a pergunta.

Para escrever este texto, eu tentei conversar com uma amiga que tem 13 tatuagens. Queria que ela me falasse do barato em desenhar e escrever no corpo com tinta que não apaga, mas a conversa não aconteceu. Minha curiosidade, portanto, permanece.

Mas eu já tenho algumas opiniões. Acho que estão superestimando o ganho estético – e erótico – da decoração corporal. Se as atrizes dos pornôs baratos fazem as mesmas tatuagens das garotas de classe média, alguém está usando a coisa errada. Por isso que eu aposto que dentro de poucos anos nós veremos uma revalorização do corpo intacto. Chique vai ser não ter marcas.

Outra coisa que me parece óbvia é que as pessoas tentam usar as tatuagens como uma forma de diferenciação. É um statement, como se diz em inglês, uma declaração sobre si mesmo. Os desenhos dão uma pista do que a pessoa pensa ou é. Ou pensa que é. Mas, quando todo mundo faz a mesma coisa, onde fica a individualidade? Não fica. Desaparece num mar de clichês visuais. Luas, estrelas, fadas, lírios, beija-flores, tribais… Parece uma feira hippie.

Eu acho a onda das tatuagens mais uma expressão da nossa dificuldade cada vez maior em tratar com o abstrato, com aquilo que vai além das aparências. O corpo deixa de ser o complexo portador dos sentidos, dos sentimentos e das ideias para se transformar num outdoor. Frases curtas, imagens marcantes, cores. A complicada troca de ideias (eu falo, você ouve, depois a gente inverte), dá lugar a uma espécie de comunicação instantânea. Carrego todos os meus símbolos comigo e os revelo de uma só vez, exibindo o braço em que uma imagem me define: Cristo, Che Guevara ou Gaviões da Fiel. Eu sou isso, sacou?

Como virou moda e todo mundo usa, alguém pode dizer que a tatuagem tornou-se simbolicamente inofensiva. Ela passa, como outras rebeldias visuais da adolescência ou modismos de décadas passadas. Os piercings que a garotada usava na sobrancelha e no umbigo sumiram, embora tenham ficado os buraquinhos. Cabelos esverdeados, tranças rastafári, cavanhaques – isso tudo vai embora quando o dono cansa. A tatuagem não. Ela fica. O corpo muda, as ideias se transformam, mas a aquele desenho permanece, na contramão da natureza.

Imagine a sua mãe até hoje com o cabelo que ela usava nos anos 80. A tatuagem pode ser isso, um anacronismo existencial colado na pele, a lembrança de algo que você já foi, deixou de ser, mas continua sinalizando, como uma placa de trânsito que esqueceram de arrancar – e que agora indica a direção errada.

Talvez eu esteja exagerando, mas sempre penso nas pessoas que escrevem na pele o nome daqueles que amam. O que acontece com elas? O sujeito vai embora, viver com outra, mas a ex tem o nome dele escrito na nuca. O rapaz levou um pé na bunda, o noivado acabou, mas ele fica com o nome da Fulana escrito no braço. Acho essas coisas antinaturais.

A marca do humano é ser transitório. Tentar fixar na pele uma paixão, um momento, uma filiação, é inútil. As coisas passam, elas nos escapam. E aquelas que realmente permanecem estão tão fundas dentro de nós, tão entranhadas, que dispensam adereços e representações. Eu diria que as coisas essenciais não precisam ser tatuadas – e que as coisas que precisam ser tatuadas não são essenciais. Mas dêem um desconto no meu ponto de vista: eu sempre fui apaixonado por cadernos em branco.”

Ivan Martins

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10 Respostas para Tatuagens são para sempre

  1. 

    Deus é lindo e seus planos são de paz ! amei pq fica bem claro q a vontande de Deus sempre será essa… (o natural).Não importa de onde veio e alias o melhor que tenha vindo deles mesmo,sem fundo”RELIGIOSO”.

  2. 

    Obs.: Autor desconhecido.
    Grande parte dos lideres evangélicos condena o uso de piercing e tatuagens por ser uma modificação do corpo, o qual é templo do Espírito Santo, que faz parte do corpo de Cristo e que tais adereços agridem a pele e consideram essa agressão uma ofensa a Deus.
    Leornard Sweet, professor metodista e um dos mais interessantes pensadores cristãos de nossa época, comenta sobre tatuagens e piercings em seu e-book recente The Dawn Mistaken For Dusk. Ele diz que a razão pela qual “bod mod” é o assunto no 1 nas listas de discussões e bate-papos de jovens cristãos com menos de 20 anos nos EUA é que isso faz parte da cultura jovem pós-moderna atual (e quase global), uma cultura onde a imagem é altamente valorizada. A ironia disso tudo é que cirurgias plásticas e implante de silicone são coisas cada vez mais aceitas pelos cristãos modernos. Tem personalidades famosas do mundo evangélico brasileiro com o corpo siliconado. Todavia, como diz Sweet, “Cirurgia plástica é uma forma severa de alteração do corpo. Isto é aceito, mas brincos e tatuagens, não são?”
    Podemos citar textos na bíblia como na história de Eliezer que deu a Rebeca uma argola de seis gramas de ouro para ser colocada no nariz (piercing?) e, após fazer isto, ajoelhou-se para adorar a Deus (Gn.24.22,47). Os que defendem dizem que se o primeiro ato fosse pecado ou considerado pagão, então Eliezer não teria adorado a Deus em seguida. E acrescentam que no livro de Êxodo, percebemos que as mulheres dos hebreus usavam brincos e argolas, os quais foram oferecidos como oferta dedicada ao Senhor para a construção do Tabernáculo. Novamente, acham que Deus não aceitaria de seu povo ofertas que representassem costumes pagãos. E mais o texto mais intrigante se encontra em Ezequiel 16, onde o próprio Deus diz que adornou Jerusalém com jóias, pulseiras, colares, argolas para o nariz e brincos para as orelhas. Ao que parece, tais adornos não eram uma ofensa ao Senhor.
    Uma vez que a Bíblia parece não condenar o uso de piercing e tatuagens, sua condenação pode ser caracterizar um fato social vivido na maioria das congregações cristãs. Segundo o sociólogo Émile Duskhein (1858-1917) os fatos sociais são o modo de pensar, sentir e agir de um grupo social que são introjetados pelo indivíduo e exercem sobre ele um poder coercitivo. A introjeção é um mecanismo neurótico de defesa, inconsciente, que consiste na incorporação imaginaria de um objeto ou pessoa amada ou odiada, isto é, o indivíduo imita inconscientemente certos comportamentos de outro e os integra na sua própria personalidade.
    Podemos dizer ainda que os fatos sociais são caracterizados pela Generalidade (o fato social é comum a todos os membros de um grupo ou a sua grande maioria), Exterioridade o fato social é externo ao indivíduo, existe independente da sua vontade), Coercitividade (os indivíduos se sentem pressionados a seguir o comportamento estabelecido).
    Além do fato social vivido nas igrejas, sobre piercing, tatuagens, modos de se vestir, comportamentos, etc, podemos dar um exemplo bastante simples que nos ajuda a entender melhor esse conceito formulado por Durkhein. Se um aluno chegasse à escola vestido com roupa de praia, certamente ficaria numa situação desconfortável: os colegas ririam dele, o professor lhe daria uma bronca e provavelmente o diretor o mandaria de volta para casa para por uma roupa adequada.
    Existem um modo de se vestir que todos seguem (neste caso, todos os alunos da escola). Isso não é estabelecido pelo indivíduo. Quando ele entrou no grupo, já existia tal norma e, quando ele sair a norma provavelmente permanecerá. Quer a pessoa goste ou não, ver-se-á obrigada a seguir o costume geral. Se não o seguir sofrerá uma punição (que pode ir, conforme o caso, da ridicularizarão e do isolamento social até uma sansão penal. Em virtude dessas características um fato social vai contra os princípios Bíblicos, os ensinos de Jesus e ao livre arbítrio dado por Deus ao homem.
    O desafio da igreja, olhando por esta perspectiva, não está em julgar ou condenar, mas orientar as pessoas (principalmente os jovens) para os riscos que existem em fazer estas coisas sem uma orientação profissional e cuidados de higiene e saúde. A pessoa está consciente dos riscos de inflamação, doenças contagiosas e “efeitos colaterais” diante da sociedade? Está consciente de que algumas alterações são irreversíveis e, mesmo diante da possibilidade de reversão, podem deixar marcas para o resto da vida? Mais ainda, precisamos falar sobre questões de identidade, valor pessoal e auto-imagem. Pois são estas as questões mais importantes para quem está considerando qualquer forma de alteração do corpo, seja uma plástica no nariz, implantar silicone nos seios, colocar um piercing ou fazer uma tatuagem.
    Ao invés de demonstrar esse tipo de preocupação com o próximo, grandes lideres evangélicos que denunciam essas práticas agem com discriminação e inventam explicações mirabolantes para impor suas idéias de maneira a coagir os indivíduos. Alguns explicam inclusive os significados dos Piercings nas partes do corpo mais comumente utilizadas para sua colocação e seu reflexo no mundo espiritual, visto que as partes do corpo citadas abaixo têm uma influência muito grande na vida das pessoas, na área da fala, visão, gestação, sexualidade, sensualidade e outras, além de denotarem os chamados “chacras energéticos”. segundo estudos feitos por pastores, estes são os significados:
    1. O Piercing colocado no NARIZ significa DOMÍNIO e seu sentido no mundo espiritual é uma distorção do caráter e um direcionamento que causam rebeldia e uma autoconfiança muito exacerbada.
    2. O Piercing nas SOBRANCELHAS dá vazão para um APRISIONAMENTO DA MENTE, causando um bloqueio na mente de quem os usa. Para essas pessoas nada tem grande importância principalmente na vida espiritual.
    3. O Piercing nas ORELHAS, significa APRISIONAMENTOS EM ÁREAS ESPECÍFICAS do corpo.
    4. O Piercing no UMBIGO. Um dos piercings que estão mais na “moda” é colocado no umbigo. Este está na área destinada a ALIMENTAÇÃO. Serve como um local de canalização de espíritos satânicos no corpo de quem os usa. Ele representa a exposição do corpo, visto que as pessoas que os usam gostam de deixá-los à mostra.
    5. O Piercing nos LÁBIOS, significa um DOMÍNIO NA FALA; assim como o que é colocado na gengiva. As pessoas que os usam estão propensas a ter insegurança nessa área, dificuldades para uma boa comunicação, etc. Seu significado na vida dessas pessoas é como de um cabresto e pode ser representado na forma de gagueira. A diferença entre o colocado nos lábios e o que é colocado na gengiva, é que o segundo representa a LUXÚRIA.
    6. O Piercing nos órgãos genitais traz como significa principal a PROSTITUIÇÃO. Ele pode causar um estímulo intra-uterino para atuação de espíritos nessa área causando esterilidade e outros problemas nas mulheres e, também, nos homens. Ele trás uma atuação na área da prostituição na vida das pessoas que o utilizam. Os que denunciam, afirmam que nem sempre as pessoas com esses tipos de piercings estarão manifestando esses sintomas que foram ditos. Não, nem sempre. Mas no mundo espiritual elas estão aprisionadas de alguma forma por essas marcas que elas carregam no corpo. Pois está escrito que “Não farão os sacerdotes calva na cabeça, e não raparão os cantos da barba, nem farão lacerações na sua carne”. (Levíticos 21:5.) E também: “Não fareis lacerações na vossa carne pelos mortos; nem no vosso corpo imprimireis qualquer marca. Eu sou o Senhor.” (Levíticos 19:28.)
    Apesar dessas declarações não terem base bíblica, essa ultima revela uma enorme preocupação pelo grosseiro erro de interpretação do texto de Levíticos ou até mesmo por falta de argumentos. Apesar da Lei ter seu fim com a morte e ressurreição de cristo declaro em Rm 10.4 “Porque o fim da Lei é Cristo, para justiça de todo aquele que crê”, diversos lideres ainda se submetem ao jugo da lei, ignorando a graça oferecida pelo nosso Senhor Jesus Cristo.
    Em Gálatas 3.10 diz que os que se apóiam na prática da Lei estão debaixo da maldição, pois está escrito “maldito aquele que não persiste em praticar todas as coisas escritas no livro da Lei”. Se a Lei que proibia fazer marcas no corpo deve ser observada, então ainda devemos guardar o sábado, fazer sacrifícios de animais, etc, e os lideres que se colocam no lugar dos sacerdotes, não podem rapar o cabelo e o canto da barba conforme Levíticos 21.5.
    Foi para liberdade que Cristo nos libertou. Portanto permaneçam firmes e não se deixem submeter novamente ao jogo da escravidão. Gálatas 5.1
    Usar pircing ou fazer tatuagem não é pecado e tão pouco condenado pela bíblia. Trata-se apenas de aparência pessoal. Usa quem quer, quem gosta ou acha bonito.
    Fiquem na Paz.

    • 

      Obrigada pela contribuição bíblico-cultural com nosso blog Flavio! Embora o questionamenmto do Ivan seja sobre as vantagens ou desvantagens, além da motivação de se fazer tatuagens, o comentário foi muito enriquecedor.
      Graça e Paz o obrigada por visitar meu blog.

      • 

        Agradeço a você, Luciana

        Eu também gostei muito do texto do Ivan, e meu intuito foi uma maior reflexão, pois a verdade absoluta só está no Cristo. Acredito que podemos tirar boas conclusões a respeito dos dois textos. Sucesso no seu blog, ele é lindo e com um conteúdo excelente. Graça e Paz! Sucesso visite o meu blog também.

        Atenciosamente, Flávio Barros

    • 

      Ao meu ver as pessoas estão valorizando muito a aparencia da carne,a biblia diz que quem planta para carne da carne colherá corrupção,quem planta para o espirito do espirito colhera a vida eterna.
      Paulo disse todas as coisas são lícitas mas nem todas convém.
      A preocupação do Cristão jovem ou não deveria ser ,o querer ser cheio do Espirito Santo de Deus e não ser cheio de silicone,botox,pircings ou tatuagens…
      Vantagem hoje;um jovem descolado …
      Desvantagem amanhã;um adulto cheio de portas fechadas…

  3. 

    Já havia visto esse texto que o irmão Flávio postou nos comentários.. ele é “perfeito”. kkk
    E concordo com a conclusão do autor: “Usar pircing ou fazer tatuagem não é pecado e tão pouco condenado pela bíblia. Trata-se apenas de aparência pessoal. Usa quem quer, quem gosta ou acha bonito.”

  4. 

    Uau!! Excelente texto do Ivan. Concordo completamente. Nem vou falar muito que vou acabar fazendo um comentário pobre qualquer, que não está à altura de minha identificação e aprovação do texto. Muito bom! Obg por compartilhar, Lu 🙂

  5. 

    Amei os dois textos, bem reflexivos e enriqueceram não somente o blog como aos leitores. Flávio e Ivan, parabéns e obrigada

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