“Eu Tenho Inveja!”

21 de janeiro de 2011 — 10 Comentários

Lembro-me de um filme que assisti alguns meses atrás, no qual todas as pessoas do mundo só falavam a verdade, o tempo todo, em qualquer circunstância. Chegava a ser constrangedor. Acredite, foi uma experiência bem interessante. Fiquei pensando nestes últimos dias, depois de conversar com um amigo sobre alguns acontecimentos, que uma das coisas que as pessoas mais diriam se o mundo fosse assim, seria: “Eu tenho inveja!”.

É interessante como ninguém diz isso abertamente, mas praticamente todo mundo já sentiu (ou sente) e agiu (ou age) com base nesse sentimento. Claro, somos crentes, isso não existe no nosso meio, ok? Quem dera! Talvez seja mesmo difícil de admitir isso no meio cristão, ou até para si mesmo, por ser o tipo de coisa que Jesus repreenderia com veemência, ou por ser uma das atitudes mais vergonhosas, baixas e mesquinhas que alguém pode ter. Mas é um fato. Vamos lidar com isso então?

Ter inveja é ficar triste ou enraivecido com o sucesso dos outros.

Aprendi isto com meu pastor. Ele é uma das únicas pessoas que eu conheço que tiveram a coragem de dizer abertamente que sofriam desse mal, e talvez por isso mesmo ele tenha conseguido se expor à cura de Deus nessa área. Por causa da atitude do seu coração de não maquiar o pecado, mas de confessá-lo diante de Deus, hoje ele pode falar de peito aberto daquilo que venceu.

É verdade, isso é algo que requer tempo para tratar, e perseverança. Mas dar outro nome – ou apelido carinhoso – ao pecado, não vai resolver muita coisa. Ter inveja é coisa séria, e cultivá-la, então, pior ainda! A Bíblia diz:

“Não nos deixemos possuir de vanglória, provocando uns aos outros, tendo inveja uns dos outros”. Gálatas 5.26

A inveja é fruto do orgulho, da vontade de estar por cima, de querer ser maior, se destacar, do amor a si mesmo. É produto da vanglória. Ela brota quando achamos que alguém tem o que deveríamos ter, ou aquilo que ainda não conseguimos conquistar. Ela nos faz ter raiva do outro, quando deveríamos odiar a nossa própria mediocridade.

O pior desse tipo de sentimento, contudo, é aquilo que ele nos impulsiona a fazer. Você já viu alguém com inveja falando? Você já viu tal pessoa agindo? A inveja nos faz maldosos e ferinos. Por causa da inveja, difamamos pessoas colocando em xeque suas intenções, motivações, julgando-as…

Nem sempre fazendo de forma direta, um simples comentário de alguém invejoso pode macular a imagem de alguém para sempre aos olhos dos outros. Invejosos não precisam de fatos como arma, pois apenas uma sugestão é capaz de arruinar alguém, afinal, o “mistério” dá tanta margem para especulações, que melhor mesmo é não ter nada concreto.

Outra maneira do invejoso agir é “tomando” o mérito alheio. Claro, a vítima do invejoso nunca está onde está porque se esforçou, porque estudou, porque é talentosa e capaz, ou mesmo porque foi Deus quem a levantou. Claro que não! O invejoso atribui o sucesso do seu “oponente” à sorte, aos “peixes”, à suposta astúcia do “interesseiro oportunista que se aproxima calculadamente das pessoas influentes”.

Alguém que esteja tomado por este sentimento consegue encontrar defeitos na mais perfeita performance. Além disso, é capaz de elogiar primeiro, só para depois dizer “mas…” e então completar a sua fala com algum comentário depreciativo.

Para alguém que tem inveja, ninguém é realmente bom se não for seu amigo, se não o adorar e não concordar com suas ideias. O invejoso usará, portanto, um sem número de recursos, na tentativa de manchar a imagem de alguém, simplesmente porque diminuindo os outros, talvez ele pareça maior.

Inveja é um sentimento triste, é um vício que nos atrasa, que nos afasta de Deus e, sobretudo, que nos dá a ilusão de que somos os os maiores, os melhores, e todos os outros estão errados, quando na realidade somos nós quem precisamos de conserto.

A inveja nos detém. Ficamos tão ocupados tentando minar o crescimento das pessoas, que esquecemos de nos empenhar para obter o nosso, a nossa própria posição, o “nosso lugar ao sol”, e vamos ficando para trás, falando, falando, falando… Nada acontece! (para o invejoso). A vida continua acontecendo para todos, enquanto o sujeito permanece na “sacada”.

Este era o sentimento predominante nos fariseus. Eles não admitiam que alguém soubesse mais do que eles, pregasse melhor, fosse mais poderoso, tivesse mais seguidores e brilhasse tão mais que os ofuscasse. Era por isso que eles falavam tão mal de Jesus e chegaram a entregá-lo (Mt 27.18, Mc 15.10)… Ninguém além deles deveria aparecer. Eles eram os “donos do pedaço”, ai de quem ameaçasse a sua hegemonia!

Tais homens, insuflados de orgulho e inveja, fecharam-se para o melhor de Deus, e deixaram “passar batida”, a vinda do Messias anunciado. É isto o que a inveja causa: ela nos cega para as bênçãos de Deus! Ela nos bloqueia para as revelações e direções do Pai. Ela nos priva da graça que é capaz de nos levantar ao sucesso aspirado.

Quer saber? A inveja não faz sentido. Ela não traz resultados. Quero dizer, ela só nos acrescenta dores, não contribui com nada! Provérbios diz que ela “destrói como câncer.” (Pv 14.30), e “quem pode resistir à inveja?” (Pv 27.4). Nós podemos!!! O problema é quando estamos com este tipo de atitude sem nos dar conta.

O irmão K. Hagin diz uma coisa muito sábia que serve para várias áreas das nossas vidas. Ele comenta em alguns de seus livros que um passarinho pode até sobrevoar a nossa cabeça, mas ele só vai fazer um ninho nela se nós permitirmos. É assim com a doença, é assim com o pecado, e porque não seria também com a inveja? Cabe a nós, portanto, dominá-la.

Mas como fazer isto?

Creio firmemente que só deixamos de ser invejosos quando compreendemos que o plano que Deus tem para cada um de nós é único, individual e intransferível; e que o fato de alguém estar tendo sucesso no cumprimento do seu em particular deve ser motivo de alegria, não de tristeza, pois é apenas dele aquela bênção.

O verdadeiro sucesso, portanto, não está em ser melhor do que os outros, mas em ser melhor do que se é hoje.

Se você reconhece em si uma atitude como esta, confesse ao Pai (e somente a ele), “eu tenho inveja!”, e decida crer nos pensamentos que ele tem a seu respeito, para desfrutar do sucesso de andar no seu plano e das bênçãos que ele tem reservado unicamente para você.

“Cada um tem a sua própria luz, e não é apagando a dos outros que brilharemos mais.”

No amor de Cristo,

Luciana Honorata.

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10 Respostas para “Eu Tenho Inveja!”

  1. 

    Palavras incrivelmente perfeitas.

    Parabéns e obrigada!

  2. 

    Que o Senhor continue te usando de forma grandiosa através destes textos. Fui abençoadíssima através deste, assim como de vários outros que tive a oportunidade de ler.
    Beijos
    Nanda

  3. 

    Luciana,
    Suas palavras são incríveis e eu precisava muito ler algo como esse seu texto.
    Deparei-me com esse sentimento e isso tem uma repercussão muito ruim na gente, né?!
    Deus te abençõe.

  4. 

    Lu, na frase final tu escreveu “uma” em vez de “um”. correge aí…

  5. 

    O que você escreveu aqui, me ajudou muito a perceber certas atitudes minhas e, também atitudes de outras pessoas… Muito obrigado!

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