O Contrário do Amor

1 de setembro de 2011 — 4 Comentários

Já que estou sem tempo de escrever esses dias por causa das aulas no Rhema, vou colocar alguns textos que gostei de ler nos últimos tempos. Este é mais um de Martha Medeiros, que além de escrever maravilhosamente bem, tem uma sensibilidade incrível! Vale a pena cada linha! Abraço a todos… até breve!

O contrário de bonito é feio, de rico é pobre, de preto é branco, isso se aprende antes de entrar na escola. Se você fizer uma enquete entre as crianças, ouvirá também que o contrário do amor é o ódio. Elas estão erradas. Faça uma enquete entre adultos e descubra a resposta certa: o contrário do amor não é o ódio, é a indiferença.

O que seria preferível, que a pessoa que você ama passasse a lhe odiar, ou que lhe fosse totalmente indiferente? Que perdesse o sono imaginando maneiras de fazer você se dar mal ou que dormisse feito um anjo a noite inteira, esquecido por completo da sua existência? O ódio é também uma maneira de se estar com alguém. Já a indiferença não aceita declarações ou reclamações: seu nome não consta mais do cadastro.

Para odiar alguém, precisamos reconhecer que esse alguém existe e que nos provoca sensações, por piores que sejam. Para odiar alguém, precisamos de um coração, ainda que frio, e raciocínio, ainda que doente. Para odiar alguém gastamos energia, neurônios e tempo. Odiar nos dá fios brancos no cabelo, rugas pela face e angústia no peito. Para odiar, necessitamos do objeto do ódio, necessitamos dele nem que seja para dedicar-lhe nosso rancor, nossa ira, nossa pouca sabedoria para entendê-lo e pouco humor para aturá-lo. O ódio, se tivesse uma cor, seria vermelho, tal qual a cor do amor.

Já para sermos indiferentes a alguém, precisamos do quê? De coisa alguma. A pessoa em questão pode saltar de bung-jump, assistir aula de fraque, ganhar um Oscar ou uma prisão perpétua, estamos nem aí. Não julgamos seus atos, não observamos seus modos, não testemunhamos sua existência. Ela não nos exige olhos, boca, coração, cérebro: nosso corpo ignora sua presença, e muito menos se dá conta de sua ausência. Não temos o número do telefone das pessoas para quem não ligamos. A indiferença, se tivesse uma cor, seria cor da água, cor do ar, cor de nada.

Uma criança nunca experimentou essa sensação: ou ela é muito amada, ou criticada pelo que apronta. Uma criança está sempre em uma das pontas da gangorra, adoração ou queixas, mas nunca é ignorada. Só bem mais tarde, quando necessitar de uma atenção que não seja materna ou paterna, é que descobrirá que o amor e o ódio habitam o mesmo universo, enquanto que a indiferença é um exílio no deserto.

Martha Medeiros

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4 Respostas para O Contrário do Amor

  1. 

    Parabéns pela postagem, lindo texto da Martha. Inteligente e com a capacidade de nos levar a reflexão. Sucesso também a você Luciana em suas aulas no Rhema, abraços!

  2. 

    Valeu Flávio! Obrigada pela visita e pelos votos… =)

  3. 

    De fato.. sempre que pensava no “oposto” do amor eu pensava no ódio – mas não, eu não sou uma criancinha do maternal (kkk ^.^). Mas enfim, esse texto é ótimo, e muito inspirador, e com certeza vou por este pensamento na série sobre o amor que estou escrevendo para o meu blog.! =)
    Deus a abençoe, gosto muito das postagens que já li aqui em seu blog.!

    • 

      Obrigada Gabriell, por suas visitas e pelas palavras de incentivo! Também sou grata pela divulgação do blog, viu? Deus multiplique as bênçãos na sua vida e te inspire também a escrever sobrenaturalmente… Grande abraço! Shalom!!!

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