Do jeito que eu sou

19 de dezembro de 2011 — 9 Comentários

Tenho quase um metro e oitenta, minhas mãos são enormes, calço 39 quando não tem 40 e passei os primeiros 22 anos da minha vida numa acirrada luta contra a balança.

Sou mega-hiper-ultra-desastrada, roí as unhas até o sabugo por anos a fio, tenho ciúmes dos meus amigos, tento aprender violão há séculos (não com tanta perseverança) e não saio da mesma música.

Eu falava “assim”, com a língua nos dentes. Era tímida, acredite (na realidade, em essência ainda sou, embora interprete muito bem a expansividade).“Burra” em geografia e história, gosto de pensar que sou boa em matemática e português, mas não sou fluente em outra língua por “medo de perder” a nativa.

Tenho dificuldades de concentração, esqueço fácil de dar o recado. Rotina não é meu forte, disciplina é esforço sobre humano, e gosto de guardar coisinhas velhas com significado – além de alguns segredos…

Ta bom, não vou falar todos os meus defeitos, afinal, ainda quero um pouco de crédito da sua parte, pois tenho algo a dizer. Algo, aliás, que pode mudar a forma como você se vê.

Eu fui uma das meninas mais noiadas que conheci na vida. Quase tudo que eu citei já foi motivo de angústia para mim um dia, e o que não foi poderia muito bem ter sido. Só para que você tenha uma ideia, eu evitava me olhar no espelho! E não apenas a minha aparência, mas até a personalidade que possuo e as minhas limitações foram trunfos do diabo para anular minha autoestima e roubar minha alegria.

Os livros foram cúmplices nestes dias de insegurança da minha alma. Eles me permitiam viver realidades que eu imaginava não poder sozinha. Os diários, meus amigos, me ajudavam como podiam – sem julgamentos. Ouviam os meus lamentos sem recriminação alguma, e fingiam não perceber o que era notório: eu não me aceitava.

Não me aceitava como mulher. Não me aceitava como pessoa. Não aceitava minha aparência, meu jeito de ser, a minha vida de um modo geral… Eu desejava me tornar outra pessoa.

Não sei precisamente o dia em que tudo mudou. Para ser honesta, creio que não houve um dia “D”, aquele divisor de águas, o momento “a partir daí…”, mas entendo que foi um processo gradativo de compreensão de quem eu realmente sou, porque Deus não comete enganos.

Tudo bem, eu sei que parece chavão, mas é a mais pura realidade. Deus não é um perdedor, e não gera filhos que se encaixem nesta descrição. Além do mais, ele é alguém com muito bom senso – o suficiente para não fazer a tolice de apostar as suas fichas em quem não pode corresponder às suas expectativas.

Quem daria a vida do seu filho por um fracassado, sem futuro, incapaz de fazer algo de valor? Ninguém com um pingo de juízo! E acho que Deus tem mais que um pingo, né? Vamos concordar, ele nos criou, e apesar de termos nos perdido no meio do caminho, ele sabia o que havia depositado em nós, e o quanto valia a pena nos resgatar e restaurar a nossa vida para que fôssemos aquilo para o que fomos gerados.

Foi o conhecimento do caráter dele que me deu segurança. Conhecer o seu imensurável amor  e quem ele me tornou em Cristo, fez com que eu abrisse os olhos para aquilo que sou, tenho e posso nele!

“…somos mais que vencedores, por meio daquele que nos amou.”  Rm 8.37

Ele nos amou, e por essa razão, deu aquilo que tinha de mais precioso para nos tornar mais que vencedores! Mas aí é que tá, conheço inúmeras pessoas que sabem de cor os versículos bíblicos que declaram coisas afins, e ainda assim não acreditam em si mesmas. São dependentes emocionais, tímidas, viciadas em elogios e aprovação de homens, sem o mínimo de ousadia – exatamente como eu era.

Não que eu as esteja criticando, até porque eu experimentei isso. Não ouvi uma prima ou uma vizinha contar, mas passei pelo drama pessoal e dolorosamente. Vivi longos anos à sombra da minha irmã mais velha, que chegava e acontecia em todas as festas, tinha os melhores amigos e conquistava os melhores rapazes. Eu era o patinho feio ao lado do cisne exuberante. Estávamos prontas para sair: ela, linda, magra e talentosa. Eu, gorda, insegura e cabisbaixa.

É claaaaro que não era o fator peso quem me tornava alguém desinteressante. Sei de muitas meninas que não estão de bem com a balança, mas que têm uma intimidade estrondosa com suas próprias personalidades. Eu me sentia daquela forma simplesmente porque deixava que o diabo usasse não somente aquilo para me oprimir, mas todos os medos e sofismas que ele mesmo tinha se encarregado de semear dentro de mim.

Eu me achava feia, e me via assim. Eu me sentia burra, e me enxergava dessa forma. Eu tinha medo da vida, da rejeição, das críticas, da exposição… enfim, eu era um poço de insegurança!

Ta, naquele tempo eu nem sabia que o diabo existia e que queria me manter naquele cativeiro de autocomiseração, mas um dia eu descobri. Tive que conhecer Jesus, a fim de compreender que Deus me ama e acredita em mim, e que é Satanás quem adora deixar pessoas com baixa estima, porque pode manobra-las facilmente a com o objetivo de mantê-las longe do plano do Pai.

É ele quem se encarrega de mentir para nós sobre quem somos. É dele a voz que diz “não posso”, “não consigo”, “não tenho”, “não sou”, ainda que em primeira pessoa. É ele quem insiste em descredibilizar a Palavra de Deus, porque é exatamente ela que nos informa a verdade que liberta – que somos filhos de Deus, e ele nos dotou de muito poder!

“Porque não recebestes o espírito de escravidão, para viverdes, outra vez, atemorizados, mas recebestes o espírito de adoção, baseados no qual clamamos: Aba, Pai… Ora, se somos filhos, somos também herdeiros, herdeiros de Deus e co-herdeiros com Cristo...” Rm 8.15,17

A imagem que temos de nós mesmos nem sempre é a que Deus tem, e é por isso que precisamos saber como ele nos enxerga, para que possamos corresponder às suas expectativas. Saber quem Deus é vai nos levar a entender quem de fato somos. Conhecer Jesus vai estabelecer os limites do que podemos ser, fazer e ter da parte de Deus.

Uma pessoa que não se aceita é alguém frágil demais. Fica tão vulnerável por não acreditar em si mesma, que busca nos outros a aceitação que não tem dentro dela.

Ora, como alguém que se sente insignificante pode se imaginar vivendo os grandes planos traçados por Deus para ele…?! Não mesmo! Não há como pensar grande, quando seus olhos só enxergam o chão. É quando os erguemos contemplando a imensidão do ser de Deus e compreendemos que fomos feitos à sua imagem, que pensamos alto como são seus sonhos para nós!

É aí que nos vemos cumprindo as nossas carreiras e ministérios.

É aí que não aceitamos a miséria, a doença, a tristeza, o desprezo.

É aí que entendemos que a felicidade é a escolha diária de acreditar que o que ele diz sobre nós é sobre o que outras pessoas pensam, seja qual for a opinião delas!

É aí que não precisamos depender da aprovação alheia para estarmos de bem com a vida, ainda que não sejamos nem um pouco parecidos com a Gisele Bündchen ou o Brad Pitt.

É aí entendemos que a aparência física pode ser um bom atrativo, mas que a gente se apaixona mesmo é pela alma das pessoas, e isso não se vê, mas se experimenta, se sente, se vive… E que atraente mesmo é quem se casa com a nossa alma, não com as nossas curvas.

(Vamos combinar: a embalagem nunca poderá ser melhor que o conteúdo, ou alguma coisa estará errada.)

Eu demorei a compreender estas verdades. E sei que não é em poucas linhas escritas que vou conseguir transmiti-las integralmente para algumas pessoas que estão represadas dentro de si mesmas. No entanto, eu preciso dizer que é possível! Você pode “todas as coisas naquele que te fortalece”! Fp 4.13.

Foi com base nesta verdade que me firmei para vencer tudo aquilo que me detinha. Hoje, eu sou capaz de me aceitar exatamente do jeito que sou. Eu decidi isso, e desde então estou vivendo assim…

É claro que há sim muitas coisas que eu quero e preciso mudar em mim, tanto na estética, quanto no caráter. Mas eu encontrei o equilíbrio entre a aceitação e o comodismo, e não vivo mais atormentada.

Aceitei-me, ponto. Isso quer dizer que pouco a pouco, pacientemente, vou mudando o que é necessário, e aperfeiçoando aquilo que já é bom.

Consegui equilibrar meu peso. Venci a timidez e estou cada vez mais confiante. Continuo desastrada, mas hoje considero isso mais um charme que um defeito. Parei de roer as unhas, uso salto sem constrangimento, tenho inteligência suficiente para fazer aquilo a que me determino, e as “únicas coisas” da lista introdutória que ainda não mudaram, é o número que calço, a música que toco e o ciúme que sinto… (Mas estou chegando lá, amém!? Rs…)

Deus me ama do jeito que eu sou. Ele também te ama do jeito que és. Foi ele mesmo quem nos encheu de dons e talentos, esperando que os encontremos dentro de nós. O primeiro passo para que consigamos isso, é nos aceitarmos exatamente como ele nos fez! 

Luciana Honorata

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9 Respostas para Do jeito que eu sou

  1. 

    Se eu te falar que esse post parace que foi feito pra mim você acredita!? ontem mesmo estava me sentindo um nada, e pedi a Deus que tirasse esse sentimento do meu coraçao, por que eu tinha certeza que esse sentimento nao provinha d’Ele, logo fiquei melhor… esse post diz tudo, pra que ser triste, inseguro, demostivado se temos um Deus tao grandioso ao nosso lado!? Sempre quando passo aqui.. recebo uma benção.. palavras repletas de sabedoria…
    Que você continue assim, sendo templo do Espirito Santo!

    • 

      Amém, Emily, fico feliz por ter ajudado de algum modo, e por saber que te abençoo através do blog. Que vc continue com o coração sensível à voz de Deus e volte sempre por aqui… muito obg por compartilhar! 🙂

  2. 

    Você é linda mesmo professora!!! Gosto tanto das suas palavras principalmente porque vem do alto, inspiradas pelo nosso Paizão!

  3. 

    Oi Lu não sabia que no assado vc se sentia assim. Quando comecei a ler até questionei se era seu mesmo o texto, pq não tem mais nada a ver com aquela pessoa, glória à Deus pq ele nos transforma numa pessoa melhor. É por isso q amo esse Deus!!!!

    • 

      Oi suuu! Que grata surpresa ver vc por aqui! Jamais imaginei que vc frequentaria meu blog, oh… rs… feliz demais pelo seu passeio por essas bandas! Pois eh, eu era assim mesmo, tvz um pouco pior, mas Deus… ahh ele eh TOP! Tbm eh exatamente por isso q eu o amo tanto! Volta sempre, ta? Beijo!

  4. 

    Você me fez pensar…

    ((Assim como o desengonçado secretamente pratica passos de dança na frente do espelho, somos nós com os sentimentos. O coração vai acabar pisando no pé de alguém se não aprendermos a bailar antes de entrar no salão. As primeiras lições da valsa aprendemos sozinhos, sem uma companheira(o) do lado. A mesma instrução serve para a apresentação no palco do amor. “Amando-nos primeiro, adquirimos o talento para conduzir alguém numa nova canção”. ))

    Lindas palavras, como a sua alma…

  5. 

    Viciei em seu blog!

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