O Espírito Natalino

23 de dezembro de 2011 — 2 Comentários

Acho muito interessante essa época do ano, com todas essas luzes nas praças e edificações, musiquinhas temáticas, Papai Noel de todos os tipos, pinheiros enfeitados e cartões de crédito estourados. É um período bem interessante.

Até gosto de ver todas aquelas pessoas motivadas, o corre-corre frenético em busca dos presentes de amigos quase secretos (já que a informação sempre vaza ou alguém nos flagra comprando o bendito presente delator), shoppings e salões de beleza lotados, famílias migrando em retorno à terra natal para comemorar…

Dizem que é o tal “espírito natalino”.

O espírito que “enobrece” os corações dos homens uma vez por ano. Que os motiva a pendurarem pisca-piscas nas janelas e a doarem cestas básicas. Que nos faz desprezar o calor absurdo de 34°C e simular neve com espuma, ao mesmo tempo em que compramos presentes aos montes.

A responsabilidade da reconciliação dos amigos em discórdia nesta época do ano pesa sobre ele, que também é o motivador da generosidade que presenteia desde o porteiro do prédio à secretária maltratada o ano inteiro.

Esse tal aí me parece mais uma “maquiagem” sazonal. Porque você sabe, tem maquiagem para a pele, mas acho que o tal do espírito natalino é a maquiagem da consciência. Ele parece aliviar o coração de quem errou o ano inteiro e não quer entrar em outro ano com pendências no SERASA do céu. Pode faltar bondade em todos os outros 11 meses, mas ficamos tanto mais generosos quanto se aproxime do 24° dia do derradeiro mês do ano!

Minha mãe contou recentemente que um entregador fez essa mesma queixa contra o patrão. Sem meias palavras, ele falou algo bem parecido com isso:

“É o mês do meu aniversário, mas eu detesto dezembro, quero que passe logo. Olha só, dona, o cara não vale nada, faz ruindade o ano inteiro, trata todo mundo feito bicho. Essa semana ele chegou pra mim e disse: ‘ei, tu conhece alguém a quem eu possa dar uma cesta básica? Alguém da favela, bem pobre…’ Eu o levei lá, e quando o galerão da favela viu, veio todo mundo pra cima da gente. Ele olhou pra mim covardemente e disse ‘diz que foi tu, vão me assaltar’”.

Fiquei achando engraçado e curioso. Nada contra doação de alimentos, ta? Também não tenho nada contra caridade, absolutamente! Mas o que nos move a ser tão generosos no mês de dezembro, em maioria, não tem nos mantido assim nos demais.

Temos uma tendência ao tradicionalismo exacerbado, e costumeiramente a tradição é vazia de significado – é uma mera repetição do que foi feito por gerações, e a geração da vez o faz sem compreender e nem questionar.

Para falar a verdade, percebo que a maioria das pessoas nem lembra que o Natal é a comemoração do simbólico aniversário de Jesus Cristo, cuja data verídica é desconhecida. O menino Jesus, neste contexto das comemorações natalinas, frequentemente está muito tímido, representado em algum presépio, geralmente miniaturizado (isso quando dá sorte de aparecer na festa). O destaque mesmo é dado para as suntuosas árvores decoradas e o famoso Papai Noel (não o do céu, vale ressaltar).

Daí resulta que, o que deveria ser uma comemoração cristã do nascimento do salvador da humanidade, tornou-se uma festa regada a álcool que mistura a exaltação de ícones desprovidos de sentido, e dotados de muita, mas muita futilidade.

O tal “espírito natalino” que atua um mês por ano, rouba a cena do Espírito que abençoa o ano todo – O Espírito Santo! Este é o Espírito que deve nos mover, não importa qual seja a data marcada no calendário.

Ele não vai nos estimular a perdoar apenas uma vez por ano, mas 70 vezes 7 vezes , como ensinou o Mestre Jesus – uma representação de atitude incansável que devemos ter ao fazê-lo.

Ele também não vai nos inspirar a ajudar aos pobres com a mesma frequência com que pagamos o seguro do carro, nem a tratar as pessoas como elas merecem e precisam por míseros 30 dias ao ano. Ele deseja nos ensinar a andar deste modo, nos suprindo e equipando para fazê-lo cotidianamente.

Dá uma tristeza pensar que nem todo mundo se liga sequer que ele exista…

Entretanto, o que me conforta, no fim das contas, é que tudo tem o seu lado bom. Nesse caso, um maravilhoso, por sinal. O momento é ideal para rever amigos, família, confraternizar. Também é um excelente pretexto para presentear quem se quer bem – quando se precisa de um.

Tenho amigos que simplesmente não precisam, e me orgulho deles, porque não são movidos por espíritos tradicionalistas, mas pelo Espírito do Deus, que é generoso de Janeiro a Janeiro, e que dá a todos liberalmente tanto os seus bens, quanto seu amor, sua graça e misericórdia.

Que eu e você sejamos movidos pelo Espírito certo, e seremos bem assim: “natalinos” o ano inteiro, amando a todos, e compartilhando o que temos de melhor com quem nos cerca.

Tenha um FELIZ NATAL!

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2 Respostas para O Espírito Natalino

  1. 

    Sábias palavras! Que me permita postar em meu face aos meus amigos e familiares, pela verdadeira palavra a qual significa Feliz Natal?

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