Receita de Ano Novo (por Drummond)

31 de dezembro de 2011 — Deixe um comentário

Eu não poderia deixar este ano ir embora sem me despedir oficialmente, e agradecer a todos os que estiveram comigo durante os dias destes doze preciosos últimos meses. Para mim, este foi um ano MARCANTE em muitos sentidos, e posso olhar para trás contando os louros que ele me deixou. Em 2011 Deus me surpreendeu e me abençoou de modo inenarrável!

É por essa razão que escolhi Drummond – um dos poetas mais marcantes que conheço, e dos quais “roubo” palavras com frequência para me fazer entender.  A propósito, como ele mesmo já falou: 

“Quem teve a ideia de cortar o tempo em fatias, a que se deu o nome de ano, foi um individuo genial. Industrializou a esperança fazendo-a funcionar no limite da exaustão.

Doze meses dão para qualquer ser humano se cansar e entregar os pontos. Aí, entra o milagre da renovação e tudo começa outra vez com outro número e outra vontade de acreditar que daqui para adiante vai ser diferente.”

Mas a mensagem do post mesmo é o poema que vem a seguir, ta? É que Drummond é tão irresistível que não resisti!!!

Feliz 2012!

Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor de arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação como todo o tempo já vivido
(mal vivido ou talvez sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser,
novo até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens?
passa telegramas?).
Não precisa fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar de arrependido
pelas besteiras consumadas
nem parvamente acreditar
que por decreto da esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.
Para ganhar um ano-novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo de novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.

Texto extraído do “Jornal do Brasil”, Dezembro/1997.

Fonte: http://www.releituras.com/drummond_dezembro.asp

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