Essa coisa de ser solteiro… Parte 6 – Carta a uma solteira

10 de novembro de 2012 — 6 Comentários

Eu tenho inveja da minha prima. Mas é aquela “inveja branca”, de tiete, tipo aquela que dá quando você vê Celine Dion cantando e, ao mesmo tempo que acha incrível, maravilhoso, estonteante e todos os sinônimos superlativos que existam, lamenta não conseguir imitar a performance à altura. “Como eu queria cantar como ela!”, você pensa, “um dia, quem sabe, eu chego lá”.

É que ela escreve melhor do que eu. Ela é descolada, divertida, hilária e emocionante. Tudo ao mesmo tempo (ou no tempo certo). Dá vontade de ler mais e mais das coisas que ela escreve, e às vezes é só um email de “oi, ta tudo bem com você?”, e zé fini! Dá raiva! Você fica querendo mais e acabou logo ali, no “dá notícias”.

Mais raiva ainda, porque ela não se esforça pra isso, simplesmente flui dela, como águas de um rio. A danada pensa daquele jeito… vê se pode!

Foi por isso que, desde que ela me mandou (há um bom tempo) um bendito e-mail acerca das coisas do coração (mentira, era sobre minha solteirice :-P, rs…), eu pensei em publicá-lo. Eu só não sabia como fazê-lo – se editado ou na íntegra, se parafraseado ou exatamente naquele formato.

Além disso, eu não queria expor as nossas intimidades, já que vocês obviamente iriam saber quem são as personagens da história, e tinha mais um agravante: ela conta uma experiência de decepção emocional que não é a realidade de algumas meninas cristãs, mas ao mesmo tempo MUITAS, mesmo sendo cristãs, passam por algo semelhante e também reagem como ela.

Além do mais, algumas de nós se converteram depois de muito penar nessa selva que se chama mundo, e carregamos algumas feridas mal saradas e cicatrizes doloridas, ou comportamentos errados nessa área das nossas vidas.

Essa semana a ideia me ocorreu novamente, e eu decidi ceder a essa inclinação, pois sei que, apesar de não ser cristã, ela falou algumas coisas que eu acredito que toda menina deveria considerar, independente de religião, de uma maneira super graciosa e envolvente.

Antes de fazer isso, pedi permissão a ela para tal, e decidi editar algumas partes, removendo aquilo que considerei desnecessário ou particular demais, mas mantendo o cerne da mensagem. Troquei os nomes dos personagens também, para ser elegante e não submeter ninguém a um constrangimento desnecessário.

Espero que você seja edificada, se divirta e se emocione como aconteceu comigo, pois as coisas que ela falou são ótimas, maduras e equilibradas de um modo geral, e podem ser acolhidas como conselhos excelentes por quem ainda tem certidão de nascimento original.

Só uma observação pertinente: lembrem, meninas, que ela não é cristã, ok? Caso achem estranho ela me chamar de “empresária capricorniana”. E não se escandalizem com os “critérios” da moça, afinal, ela não nasceu de novo AINDA, mas nós estamos orando por ela, amém?! rs…

Outra coisa importante: 2+2=4, não importa quem faça a soma, se um cristão ou um incrédulo. Portanto, espero que todos tenham a consciência de que a verdade é verdade independente de quem a esteja falando. Isto digo porque há quem despreze bons conselhos tão somente por não estarem sendo ditos por um cristão.

Feitas as devidas ressalvas, boa viagem!

Oi, Lu.

A minha regularidade em te escrever é espantosa, mas a vida é assim mesmo.

Melhor escrever quando estou inspirada. Se isso é quase nunca, também quase nunca cobrei dotes artísticos de Deus…

Mas vamos ao tópico da vez: O fato de você ainda não ter um bofe magia para chamar de seu.

Perua, posso confessar?: Desde pequena sempre quis ter um namorado.

O primeiro motivo nunca foi muito nobre: ganhar um ursinho “amo você” (aquele bem branquinho que segurava um coração vermelho escrito “amo você”).

Por quê isso? Porque quando eu era pequena não tinha muito o que fazer, assistia muito ao programa do Gugu, e todo dia dos namorados era assim, com os convidados do palco ganhando um ursinho “amo você”.

Juro que eu pensava que quem ganhava o ursinho só poderia ser alguém que fosse namorado de alguém. E eu não tinha um namorado.

Então, sou muito lesa, pode mangar meeeeeeeeeesmo, mas desde o dia em que externei a minha “necessidade” de ter um namorado (a plateia foi Mainha), passei a rezar para encontrar a pessoa que iria completar a minha vida.

Lu, num dos meus momentos mais recentes, tipo, em Janeiro/2001, você até estava aqui, e eu sofri muito por um rapaz chamado André.

Nós dois tínhamos um grande problema: eu gostava muito dele e ele não sentia o mesmo por mim.

Prima, como eu chorei por esse rapaz. Chorei muito e por muito tempo.

Hoje, estou com Thiago. Tudo muito bem. Mas às vezes me pergunto o que danado eu sentia por André.

Sério, era uma coisa muito intensa. Juro que doía no coração. Não sei como e nem o porquê essa reação física tão forte em mim.

O pior é que ele nunca tinha feito nada, realmente, para me fazer gostar tanto dele. Apaixonei-me sozinha e por um mito muito fictício do meu juízo.

A minha loucura e egocentrismo era tão loucos, que tudo que o pobre rapaz fazia eu interpretava como algo bom para mim.

Claro que não era.

Enfim, em 2005 conheci Thiago. Nada dei por ele. Nada.

Mas aí, depois de ter sofrido tanto com uma paixão tão irracional, decidi pensar muito antes de me envolver.

Na verdade, André foi o meu último lampejo de espontaneidade emocional.

O resto que veio depois dele (porque sim, por mais que ele me esnobasse, nunca fiquei esperando ele cair no meu colo e permiti-me conhecer outras pessoas) foi tudo muito de caso pensado: sabia que uns podiam ser algo mais e sabia, beeeeem direitinho que outros eram apenas atração física, que nada sério sairia daquele envolvimento.

Voltando a Thiago.

As pessoas falavam que ele era ótimo nisso, que era um bom menino, que era um ótimo profissional, um filho exemplar, quase o Dalai Lama nordestino.

Eu acreditei? Não.

A sua prima, em 2005, era, sem dúvida alguma, uma das mulheres mais PHD’s em homem da região. Claro que isso inclui todas as sujeiras que eles são capazes de fazer. Alguns já tinham sofrido tanto, que eu tinha que me esforçar bastante para que eles caíssem na minha lábia.

Ééééééé, o “trauma emocional” que foi gostar de André me “ensinou” a viver.

Prima, a dor não mata mas ensina a viver.

Agora, se você só quer viver vendo as coisas negativamente, paciência, decisão equivocada a da pessoa que decidir. Eu não.

Eu estava uma máquina mega racional com todos os homens, inclusive com o próprio André. E o anjo da guarda firme e forte comigo. Eu escutava ele (o anjo).

Prova disso? Bem, um dia André me ligou.
Saí com ele. Foi numa quarta feira. Lembro como se tivesse sido ontem. Não fui muito longe com ele, fui muito carinhosa, mas a minha postura não era mais a de uma mamona tola. Fui bem diferente e adulta.

Cheguei em casa exultante. Acreditei que dali para a frente tudo ia ser diferente. Afinal, ele tinha visto uma mulher muito melhor do que a que ele tinha conhecido.

Não foi, não. Não foi mesmo!

No dia seguinte, minhas amigas me chamaram para ir ao shopping. Eu disse que não iria, pois André, com certeza (embasada na noite anterior), ligar-me-ia.

Não ligou.

Tive um pressentimento (anjo da guarda feelings): vá com as suas amigas.

Liguei para elas e fui. Quem estava lá? André, com outra ex. Acho que nessa semana ele pretendia fazer rodízio de ex ou algo assim.

Paguei um King Kong: Morri de chorar em público.

Voltando a Thiago (pela enésima vez): todo mundo dizia que ele era, como pessoa, a última coca-cola do deserto.

Na minha cabeça, não era mesmo.

Só que o povo falava tanto, que decidi ver qual era a do rapaz.
Vai que eu estava errada?!

Prima, Thiago não é e nem nunca foi o meu modelo “deus-grego, davi, moreno da cor do pecado”, mas era, pela língua dos outros, a melhor pessoa do mundo.

Que bom que eu estava errada! Que bom que joguei o meu modelo externo de homem fora e me dei a chance de conhecê-lo melhor – até porque já não tenho mais aquele corpitxo de antigamente para pegar um gatão, kkk!

Mas Prima, o povo costuma ser muito errado, mas quando acerta, acerta… a voz do povo, nesse caso, foi mesmo a voz de Deus.

Sei lá se vou ficar com ele para o resto da minha vida, mas acredito que não há ninguém melhor para mim.

André deve ter sido alguma doença, pois não é possível a gente gostar tanto de alguém que não gosta da gente, que não faz nada, de verdade, para que a gente possa gostar dele.

Amar Thiago não dói não.

Adoro não sentir essa dor doída.

Prima, você é empresária capricorniana. Tem a obrigação de pensar muito. A reflexão é um dom de Deus, acredite.

Você não teve experiências iguais a minha, e eu não tive experiências iguais às suas. Somos pessoas diferentes que tiveram experiências diferentes. Mas eu sei que no campo amoroso, você também anda pagando um dobrado.

Prima, posso não te acrescentar muita coisa, mas eu imploro: quando você ver um homem por quem você possa se interessar, pense antes e pense muito.

Sério. Faça uma triagem.

A minha era assim:

Não podia fumar, não podia ser careca (rs…).
Não podia ter filhos adolescentes (filhos adolescentes são ótimas desculpas de cafajestes, pois dão mesmo problema).
Tinha que querer ser algo mais na vida: tipo, ter mais dinheiro do que eu (conquistado, não do pai) ou então ser alguém muito esforçado, tipo para querer chegar até uma profissão digna que me desse conforto (não luxo). Mulher precisa de segurança. Eu preciso. Quero trabalhar por prazer, e não porque se eu não trabalhar meus filhos vão passar necessidades.

Além disso, somos nós que embarangamos quando ficamos grávidas: gorda, peluda, com os seios acabados, com um humor péssimo. Pelo menos tranquilidade financeira temos que ter!

Homem que é cheio de problemas é roubada. Ele quer uma mãe. E homens normais não amam como devem a mulher que se comporta para eles como uma mãe!

Já não bastam os nossos problemas para termos que carregar os deles. Lógico que devemos ajudar e ser solidárias, mas jamais fazer o impossível. Isso só dá errado. Escute, aconselhe, mas não vá resolver!

E tinha que ser fiel e ter muito caráter.

Não podia ser recém saído de um namoro. Nesses casos, a gente sempre fica correndo o risco do cara não ter deixado de gostar da ex e voltar para ela. Nesse caso, ele não é ruim, apenas não deve saber muito o que quer (ou com quem quer ficar).

Nada de complicado faz bem.

Pessoas que não tem um bom relacionamento com os pais, geralmente (95%), não serão bons maridos, bons pais.

Ah: se conhecer alguém, o primeiro passo é conhecer o lar. Não a casa, mas sim o lar. O lar não é um dado 100%, mas pode ser um ótimo indicador.

Lu, a internet engana tanto!
Quem conhece alguém na net não sabe o que ela é de verdade.
Essa tal vida virtual é muito incerta.

Um ótimo local para você conhecer alguém é a sua igreja.

Tem muita gente separada legal, também.

Nesses seus 28, estar com alguém de 38 não é tão ruim. Só se ele for um babaca que tenha a sua idade mental.

Lu, eu tenho uma amiga muito bacana e que está sofrendo pacas.

Eu sempre disse a ela que o que ela tem para oferecer não pode ser dado: tem que ser conquistado e por alguém mais maduro.

Quando digo alguém mais velho, pode ser que alguém com 30 anos tenha mais juízo do que um de 40, mas o que conta mesmo é a maturidade.

Eu sempre digo a ela que um médico, na faixa dos 40, iria ser show. Aí, ela me diz: “Mas Ju, eu não quero um médico porque ele vai ser muito mais importante do que eu. Eu quero alguém para crescer comigo. Com um médico eu vou me sentir tão pequena, tão diminuída…”

Eu acho isso uma bobagem, mas ela acha importante. E eu respeito.

Se você acha que estar com uma autoridade, com um médico bem ($$$) de vida ou alguém assim também é ruim porque você vai se sentir pequena, eu te digo o mesmo que digo a ela: se essa pessoa que você considera importante, é porque você é! E se comporte como alguém que é mesmo! Sem arrogância, mas se faça importante e imprescindível! Mas sem ser mãe.

Mas Prima, se o seu coração está bem sossegado, mas de verdade, espere o amor.

Não feche as portas para ele não, mas não abra sempre também.

Tipo, reflita, raciocine muito para não deixar qualquer um roubar o brilho dos seus olhos.

Se ele errar, dê uma segunda chance.

Estabeleça as regras.

Mas se errar de novo contigo, é porque vai errar sempre. Desista.
Mais uma vez: de problemas, já bastam os seus.

Você não precisa que alguém de fora da sua família te traga mais problemas.

Não arranje mesmo.

Deus é bacana.

Quando você quiser e estiver preparada para receber (quase esqueci disso, mas sim, é preciso estar preparada), Deus vai dar um jeito de te apresentar o futuro pai dos seus filhos.

Por fim, um último conselho: não diga tudo. Não precisa ser supersincera. Tenha seus mistérios e segredos. Não muito para não levantar suspeitas em alguém mais desconfiado, mas o suficiente para manter sempre o interesse.

Mas Prima, sinceramente: é melhor estar só do que mal acompanhada. Sério isso.

Outra coisa: ser solteira tem seu charme.

Tenho uma amiga que é bonita, inteligente, bem sucedida, super gente fina… Digo pra ela que mostre ou finja ter pelo menos um defeito para o cara se sentir seguro de chegar perto, afinal, uma mulher perfeita demais é complicado!

O cara tem que ser ultra bem resolvido para se encostar em nela!

Se ele tiver uma autoestima meio fraca, não chega. E tem muita gente bacana que tem baixa auto-estima… Eu sou bacana e tenho um pouco. Thiago também. Essa minha amiga também… Para você ver!

Eu digo que ela se finja de burrinha. Não muito, mas fazer o tipo sou meio burrinha em geografia ou biologia é um charme! Numa roda, você pode contar as besteiras que jurava que eram certas sem ser, que as pessoas super vão te curtir, pois você vai assumir UM defeito. Exemplos (reais): “a sístole é um osso da perna”; “quero ir esquiar em Bariloche no Chile”, etc.

Essa de Bariloche fui eu. E foi séria. Quando fui contraditada, disse, com toda propriedade do mundo, que eu não tinha culpa de pensar assim, pois a palavra Bariloche e Chile tinham a mesma sonoridade. Thiago se acabou de rir! E eu tenho outras pérolas (reais) que posso emprestar. Meu repertório é vaaaaaaaaaaaaaasto…

Mas se você quiser um cabra de pêia e ele demorar, liga não: solteirice não é e nem nunca foi doença.

Enfim, até uma próxima sessão!

Beijocas, sua prima Bel.

P.S.: Chegasse até aqui? (Risos) Não se preocupe com o conteúdo do seu último e-mail. Não será divulgado.

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6 Respostas para Essa coisa de ser solteiro… Parte 6 – Carta a uma solteira

  1. 

    Ameeeeeei, Lu! Que prima divertida! Adorei o senso de humor dela, e tem muita sabedoria no que ela te escreveu. “Deus é bacana”. Ri em voz alta… E acredite se quiser, inspirada por esse texto, eu, pela primeira vez e assim, numa fluência que só a inspiração divina pode conceder, escrevi a respeito da perda que passei 6 meses atrás. Vou enviar o texto a você e provavelmente até o poste, mas queria agradecer aqui, não só por esse texto, mas pelos muitos outros que me inspiraram nessa minha recente re-visita ao blog. Como disse no facebook, você é demais! Havia me esquecido como é fluir no mundo das letras, e a leitura de alguns dos seus textos me despertou a inspiração e escrevi por mais de 3 horas seguidas, com paradas apenas para ir ao banheiro. Rs. Continue escrevendo, Lu! Um beijão!

  2. 
    Alessandra Matias 19 de agosto de 2013 às 15:49

    A paz Luciana!
    Me diverti muiiitO lendo esse texto,que prima divertida essa sua!
    Amei:- Deus é bacana! E é messmo.
    Seus textos como sempre me edificam muito.Continua nessa força.

  3. 

    Ameeei Lu, te achei por SOLTEIRICE e só li vdds, mas to sentindo sua falta,cade posts novos?
    bjs não suma Deus é contigo

  4. 
    Thiago Souto Maior 2 de novembro de 2015 às 21:01

    Cara que texto legal rsrsrs, que pena que acabou rsrsrs,
    Sou professor de biologia, e sístole é um osso da perna foi ótimo hahahah, ri pacas !!!

  5. 
    Thiago Souto Maior 2 de novembro de 2015 às 21:07

    Cara que texto legal rsrsrs ! Que pena que acabou rsrsrs !
    Sou professor de biologia e sístole é um osso da perna foi ótimo hahahah, ri pacas !!!

  6. 
    Thiago Souto Maior 2 de novembro de 2015 às 23:39

    Cara que texto legal rsrsrs ! Pena que acabou rsrsrs !
    Sou professor de biologia, e sístole é um osso da perna, foi ótima, ri pacas, hahaha !!!

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