A Pergunta Proibida

16 de janeiro de 2013 — 12 Comentários

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Dizem que não se deve perguntar a idade de uma mulher. Parece que fazer isso, nos dias de hoje, é tido como falta de educação, ética ou etiqueta; um ato considerado como crime passivo de penalidade de fuzilamento, pelo menos no olhar. Isso quer dizer, trocando em miúdos, que se você não quiser correr o risco de ser deselegante, jamais deveria fazê-lo.

Contudo, a poucos dias de completar os célebres-paranoicos-esquizofrênicos 30, considerado comumente como a fronteira etária de conforto para se responder a uma pergunta dessa natureza, tenho me perguntado seriamente quem começou essa brincadeira de mal gosto!

Afinal, o que há de errado ou desonroso em entrar na quarta (ou quinta, ou sexta…) década de sua volátil existência?!

Eu honestamente entendo algumas neuras que se pode ter em relação ao que provavelmente vai acontecer com o seu corpo a partir daí. É justo ponderar sobre o assunto, e é normal se sentir impotente em relação ao caso, mas ainda não justifica tal desconforto.

Alguém poderia tentar explicar, argumentando que os homens têm certo preconceito com mulheres mais (digamos) maduras, e as moçoilas apenas se protegeriam do bullying machista guardando o segredo a sete chaves. Outra pessoa, menos “sociológica” e mais “psicológica”, entretanto, poderia dizer que na realidade as mulheres fazem isso para não se sentirem velhas. (Neste momento estou tentando pensar em outra razão, mas nada me vem à mente…)

Bom, confesso que lembro claramente de, aos 15 anos, pensar exatamente dessa forma: “Mulheres de 30 são velhas, pelamordedeus!”. Achava que, neste ponto da vida, eu já saberia quase tudo relacionado a mim mesma e ao meu futuro, teria minha carreira definida, e todas as lacunas sociais e filosóficas preenchidas, e “blá-blá-blá, já posso morrer em paz!”.

Imaginava, na minha doce inocência (pensando que já era sabida demais), que uma mulher nessa altura deveria ser uma grande fortaleza de segurança inabalável, caráter inalterável, fronteiras rompidas e sonhos conquistados. Mais ou menos como uma Joana D’arc contemporânea, se é que você me entende. Que grande ilusão a minha!

Ninguém havia me dito que, na verdade, não há nesse mundo quem envelheça (calma, você vai entender…). Não houve um indivíduo sequer disponível para me revelar o doce mistério da vida, de que não somos essa “casca” de carne vermelha que apodrece, adoece, se corrompe, falha e morre. Nós somos muito mais que uma carcaça – somos aquilo que a preenche.

Esqueceram de me dizer (ou não se importaram, ou não quiseram, ou não sabiam), que mulheres de trinta são “adolescentes” experientes que decidiram abraçar oportunidades e assumir responsabilidades, mas não deixaram de sonhar. São meninas que também se sentem inseguras às vezes. Que olham para o futuro com a mesma curiosidade e expectativa das debutantes, querendo “brechar” na cortina do destino e achando que esse “lugar” é tããão loooonge quanto parecia naquele tempo.

Claro, em geral não têm a mesma flexibilidade, nem a mesma quantidade de colágeno no corpo, nem o mesmo peso, nem pôsteres do Justin Bieber como wallpaper (graças a Deus!), mas e daí? Disfarçam muito bem (algumas nem tanto, aliás), mas no fundo são adolescentes um pouco mais vividas.

São meninas que cresceram em inteligência, em força, em $$$$$, em conhecimento, em espírito, mas também podem querer colo quando estão cansadas, e desejar serem galanteadas como no primeiro encontro.

Até as que receberam a visita da cegonha se sentem assim, pasme você! Não importa quantos filhos tenham, ou de que tamanho seja sua coleção de divórcios, decepções, demissões ou fracassos, ou tudo isso junto, a verdade é que se tocar “aquela música” vão querer dançar, soltam aquele gritinho histérico ao rever a melhor amiga (só que internamente, como o Jô), e o amor verdadeiro ainda é o seu principal tema (seguidos por moda e maquiagem, of course!).

Veja bem, não é que não tenhamos bom senso ou sejamos imaturas como as mocinhas de quinze. Na-na-ni-na-não! É só que a alma não envelhece, e é por isso que rugas, flacidez, cansaço e cabelos brancos são inadmissíveis, afinal, eles não combinam em nada com o que há dentro de nós, assim como marrom e preto jamais serão harmônicos num mesmo look (se você usa marrom e preto juntos, isso sim é um segredo a ser guardado no cofre do Tesouro Nacional!).

Ouvi uma amiga que já beira os 40, numa tarde ensolarada à beira-mar, dizer, sem delongas, que também pensava, aos 20, que uma mulher quarentona era praticamente uma idosa no seu ponto de vista. Agora, chegando à suposta idade da senilidade, ela se sente muito mais viva e bonita do que no tempo em que teve esse pensamento, e apesar das mudanças estarem começando a acontecer no seu corpo, a juventude do seu espírito é inquestionável.

Pra ser sincera, eu também me sinto assim, muito mais bonita e muito mais viva, e muito mais tudo do que na era teen, quando eu ainda não me conhecia o suficiente pra saber quem eu era e o que queria. A sensação que eu tenho é de que todo esse tempo estive ensaiando, e só agora é que o espetáculo realmente vai começar. Olho para o futuro cheia de esperança, sonhando alto, mas sabendo que Deus pode me surpreender e me levar além do que minha vista alcança…

Não me envergonho, pelo contrário, tenho muito orgulho do meu trigésimo ano de vida consumado. Por favor, não se encabulem, perguntem minha idade – eu tenho 30! Peraí gente, por extenso pra ficar mais emocionante: trinta!

Nasci nos anos 80, comecei a me entender como gente nos 90, atravessei o milênio e na primeira década do século XXI me encontrei, quando conheci aquele que me deu tanto a vida, quanto o seu sentido – Jesus.

Não me orgulho de como usei uma parte dessas três décadas, mas sim de estar lhe dedicando cada novo dia. Meus dias são seus. Meu coração é seu. Minha vida é sua, assim como meu glorioso futuro. Eu lhe dei, e não me arrependo disso um dia sequer!

Novamente, não me envergonho, tenho orgulho de estar completando meus 30. A propósito, foi justamente com essa idade que ele começou a fazer e ensinar as coisas que salvaram a minha vida…

Velha?!? Fala sério!

Abram as cortinas! A vida acabou de começar…

“…mas, ainda que o nosso homem exterior [corpo] se corrompa [envelheça], o interior [alma e espírito], contudo, se renova [se mantém jovem] de dia em dia.” 2 Coríntios 4.16

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12 Respostas para A Pergunta Proibida

  1. 

    Fantástico!!! Sou sua fã teacher. Bjnhos!!!
    Happy Birthday to you!!!

  2. 

    Lu, amei , muito edificante, também me orgulho dos meus trinta e seis.

  3. 

    Lindo!!! E, parabéns pelos seus TRINTA anos!!!
    A beleza da vida está em se saber usufruir cada dia que o Senhor dá para recomeçá-la, Vamos corrigir os erros e enfatizar os acertos e, melhor, sermos exemplos de verdadeiros discípulos de Cristo.
    Amo visitar o seu blog. Que a paz de Deus que excede a todo entendimento esteja sempre com você e com todo o Israel de Deus.

  4. 

    Parabéns pelos 30 anos… já passei dos 44a e não tenho problema algum em dizer… graças a Deus… continue firme e confiante… Deus tem sempre o melhor aos Seus…

  5. 

    Parabens rs pelos (pela entrada nos inta), nada mal tambem entrei a 4 anos kkkkkkk que Deus em Cristo Jesus continue inspirando para que escreva estes textos ,,,,,, abrax

  6. 

    ~Olá princesas, deem uma olhadinha no meu blog:
    http://gracyimagine.blogspot.com.br/
    – Se gostarem participem..
    bjinhos =*

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