É certo um cristão se interessar por… política?

8 de dezembro de 2014 — Deixe um comentário

politica-e-religiaoSou cristã há quase uma década e meu círculo de amizades é maciçamente “gospel”. Entre amigos e seguidores nas redes sociais, devo ter algo em torno de quase 4 mil pessoas vinculadas a mim, e das quais tenho acesso às publicações. Ultimamente, tenho notado que posso contar nos dedos aqueles que demonstram interesse por política, muito embora nossa nação esteja vivendo um momento tão delicado nesse aspecto, em especial os cristãos.

Há um silêncio ensurdecedor por parte da Igreja, que parece se esconder atrás do “respeito às autoridades” recomendado pela Bíblia, da inevitabilidade escatológica de progressão do mal nos últimos dias, do dever de oração que pesa sobre os crentes, ou da suposta irrelevância que as coisas “naturais” têm em relação às “espirituais”, na tentativa de se esquivar da responsabilidade de, pelo menos, se posicionar em relação aos fatos que atingem diretamente os interesses da mesma.

Espio meu feed de notícias e pergunto-me se meus irmãos na fé realmente não se importam com o que está acontecendo, se não estão percebendo, ou se fazem vista grossa. É inevitável pensar que parecemos estar vivendo em países diferentes, dada a discrepância de interesses demonstrados pelas notícias que estão sendo, ao mesmo tempo, compartilhadas e ignoradas. E lamento muito – vou dizer o porquê.

Lamento, porque aprendi com a Palavra que omissão também é pecado, e não é dos simples. O apóstolo Tiago alertou que “aquele que sabe que deve fazer o bem e não o faz, comete pecado” (Tg 4.17). Pra mim isso já seria de bom tamanho, mas não fica por aí. Enquanto os irmãos parecem viver em outra dimensão, ignorando os fatos a pretexto de “mover o reino espiritual”, estamos tendo o nosso país saqueado, e perdendo nossa liberdade religiosa e de expressão – a maior vantagem de se morar em um país, até então democrático.

Por longos anos ouvi, nas conferências de missões, pregadores e crentes louvando a Deus pela oportunidade de terem nascido em um país livre, no qual pregar o evangelho é tão comum que chega a ser banalizado. Gabavam-se de não estarem na Janela 10-40, na China ou na Coreia do Norte, onde portar a Bíblia é motivo de morte por fuzilamento, e os cultos evangélicos se dão nos porões, às escuras. Pois bem, ainda não é o nosso caso, mas é inegável que estamos sendo amordaçados aos poucos, e como sapos dentro da panela de água fria que foi colocada ao fogo, muitos não estão sentindo que a água vai ferver em algum momento, e aí poderá ser tarde demais.

Para que não pareça um exagero infeliz, basta que lembremos que tivemos uma amostra da ditadura da opinião no ano passado, quando o pastor Marco Feliciano foi perseguido ao assumir a Comissão de Direitos Humanos na Câmara dos Deputados, recebeu a pecha de racista e homofóbico, e sofreu uma pressão absurda, tanto da militância quando da mídia chapa branca que fazia questão de mal interpretá-lo sempre que conseguia. A psicóloga Marisa Lobo também sofreu os efeitos desse governo, e enfrentou uma tentativa de cassação da sua licença profissional, por se declarar cristã, que felizmente não vingou. Concomitantemente, a PL122 (cujo texto original foi arquivado por ora, mas certamente voltará  travestido de outra referência) foi tramitada com relativa aceitação do Congresso, com direito a assertiva da represidenta na sua campanha eleitoral de que, independente de qualquer PL, a dita “homofobia” será criminalizada no seu novo mandato. São os planos do Planalto.

Neste ano que estamos encerrando, tivemos amordaçada uma das maiores jornalistas em atividade, Rachel Sheherazade. Ela foi completamente neutralizada pela censura de um partido que não tem pudor em ameaçar e abusar do poder, em prol de silenciar aquela que denunciava diariamente seus desmandos. Perdemos uma voz, e foi uma perda dolorida. Assistimos o casamento civil entre pessoas do mesmo sexo ser empurrado goela abaixo, sem muita cerimônia, e um inimigo declarado do cristianismo, apologista de entorpecentes e abortista, ser elevado à condição de “representante da juventude nacional”. Difícil de engolir.

Veja bem, estou apenas resumindo para ser breve: o nosso país está caminhando a passos largos para o bolivarianismo, e todo o totalitarismo que ele traz consigo. Essa ideologia, fundamentada nos pensamentos de Marx, e contaminada pelos equivalentes de Engels, Stalin e Gramsci, matou mais de 100 milhões de pessoas e basicamente ABOMINA o cristianismo! Não, você ainda não entendeu, ela não é indiferente, ela ODEIA o cristianismo e considera a religião como o ópio do povo, exatamente como seu mentor, Karl Marx.

É por essas e outras que as bases do cristianismo estão sendo retiradas da nossa sociedade. O conceito de família está sendo revisto e submetido a uma possível “reforma”, porque estamos sob um governo com bases socialistas/comunistas/marxistas (ou seja lá que nome você quiser dar a isso); nossas crianças estão sendo expostas a uma doutrinação, dentro das escolas, que banaliza o sexo, questiona sua sexualidade, deturpa os valores cristãos e desconstrói sua identidade. Ainda nas escolas, elas estão sendo ensinadas que ditadores sanguinários são heróis revolucionários dignos de grande honra, e que o capitalismo é o câncer da humanidade – uma mentira deslavada e cruel, que também é antibíblica!

Os absurdos não param por aí! Este governo tenta descriminalizar o aborto (ou poderíamos dizer “legalizar o assassinato”, tanto faz), descriminalizar as drogas, incentivar a luta de classes, fomentar o discurso do ódio, colocar irmãos em guerra uns contra os outros – negros e brancos, mulheres e homens, ricos e pobres.

[E eu nem sequer vou discorrer sobre a corrupção, porque como já referi em outro texto, isso é algo a ser tratado no coração de cada um. Acredito firmemente ser vã uma luta por mudanças sólidas nesse sentido, já que a corrupção é resultado da natureza caída do homem, sendo imperativo um encontro de cada homem em particular com aquele que muda o coração e o destino das nossas vidas para sempre, Jesus.]

A questão é que considero um equívoco ignorar a realidade que está nos cercando, enquanto assistimos todas as conquistas do cristianismo (e a verdadeira democracia é uma delas), escoarem pelo ralo. Aprendi que minhas palavras devem acompanhar a minha fé, assim como meus atos, e estou tentando manter a minha essência – é por isso que me manifesto.

Não entendo como cristãos se movem por horas em oração, anos a fio, para que Deus “levante homens e mulheres de Deus no Congresso”, e diante de suas candidaturas, se omitem, ou não lhe concedem o voto. É, no mínimo, incompreensível.

Também não acredito que o fato de um governante ter sido eleito democraticamente (isso é questionável, mas não entremos nesses méritos) seja razão para fecharmos os olhos para os desmandos que ele quiser fazer. Veja bem, não estamos num governo absolutista, monárquico, estamos numa DEMOCRACIA, e em qualquer democracia não apenas é cabível, como se faz perfeitamente saudável a existência de uma oposição. É por isso que se chama REPÚBLICA, pois três poderes (Executivo, Legislativo e Judiciário) coexistem, cooperam e fiscalizam-se mutuamente, para que não hajam eventuais abusos de nenhuma das partes, e os interesses da população sejam atendidos – não apenas dos governantes.

Dito isso, fica evidente que omitir-se a questões políticas é, quando pouco, uma irresponsabilidade de qualquer pessoa, especialmente dos cristãos, ainda mais quando debaixo de um governo que é, na prática, inimigo da nossa fé, muito embora possua um discurso convenientemente lisonjeiro quando deseja nosso apoio e eleitorado.

É necessário frisar que não estou negando que o Estado seja laico, nem pregando a intolerância ou a imposição da fé cristã. Meu interesse é, sobretudo, preservar a liberdade da qual gozamos, de dizer o que a Bíblia diz, sem medo de sermos encarcerados, perseguidos, processados ou sabatinados publicamente. De educar e disciplinar os nossos filhos da maneira como a Bíblia nos recomenda. De continuar a falar o que Deus nos concede em inspiração, sem receio de represálias.

Como pregadora do evangelho e filha de Deus, tenho estado alarmada com os rumos que o Brasil está tomando, e temendo que, se a Igreja, com sua força e unidade, não se posicionar com relação às medidas imorais que o governo vigente está tomando, terá sua liberdade de expressão cerceada e sofrerá um dano atroz, que poderia ter sido evitado.

Não convoco uma militância política, não venho em defesa de um partido.

Não menosprezo as vossas orações, reconheço-lhes o valor.

Não recrimino sua confiança em Deus, que lhe protege, guarda e supre.

Não os incito à ansiedade. Chamo-os ao despertamento de suas consciências, confiando na força de um povo que que tem suas raízes na insurgência, e por isso, é chamado de protestante. 

Talvez seja um bom momento para fazer jus ao título.

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