Sobre suas “pérolas” e o que fazer com elas

21 de maio de 2017 — Deixe um comentário

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Eu queria começar o texto de uma forma que chamasse a atenção das pessoas que se sentem desvalorizadas em um relacionamento (romântico ou de amizade mesmo) e não estou encontrando uma forma criativa de fazê-lo, então vou ser direta: ei, é pra você! E assim podemos começar.;)

Eu tenho visto você, e eu já fui uma “você”. Daqui do outro lado da tela, vejo as pessoas reclamando de solidão, de traição, de falta de consideração, de abandono, de decepção e do quanto, a despeito de suas tentativas incessantes, de sua tolerância constante, e da sua correta atitude, sempre tendem a ser desprezadas.

Eu vejo – pessoalmente e nas redes sociais – você me contar o quanto se dedica, confia e se entrega em suas relações, sem colher aquilo que planta. É triste, eu sei. Embora não tenha o hábito de me expor nas redes, eu já senti muito além da pele a dor que é dar o melhor de si, de se abrir sem reservas, de dar crédito e pagar pra ver, pensando e fazendo aquilo que é certo, procurando ser justo,  paciente, benigno, e no fim, ser tratado com indiferença ou descaso. Como disse algum filósofo do século XVII, “é punk ser feito de besta”.

Mas veja bem, eu não quero que esse pareça um texto triste, um lamento. Eu quero falar sobre isso de forma franca com você, pois me peguei, enquanto subia degraus por trinta minutos num exercício de tédio em que pude ficar sozinha com myself, refletindo sobre algo que Jesus falou há 2 mil anos, e que nós deveríamos levar em consideração se não quisermos ficar fazendo papel de trouxa a vida inteira.

[Pode começar a me amar agora. Obrigada, de nada.]

Sempre que alguém me fala que foi desprezado por outrem, eu me lembro dessa frase que Jesus falou bem no meio do sermão da montanha, e parece descontextualizada do restante do seu discurso. Jesus ta lá no meio dos discípulos falando sobre não julgar e não ficar apontando os erros alheios, sem antes enxergarmos (e corrigirmos) os nossos próprios, quando, “do nada”, solta: “Não deis aos cães as coisas santas, nem deiteis aos porcos as vossas pérolas, não aconteça que as pisem com os pés e, voltando-se, vos despedacem” (Mateus 7.6).

Antes que algum religioso/teólogo/patrulheiro queira corrigir a hermenêutica e exegese da minha reflexão, quero deixar bem claro que sei muito bem que o Brother-mor estava originalmente falando sobre pregarmos a Palavra àqueles que claramente as desprezam e não querem ouvir, mas peço licença aos senhores reverendíssimos para usar o princípio aqui contido para filosofar a bem de todos. Amém? Prossigamos.

Durante muito tempo, confesso, eu ouvi esse conselho sem entender muito bem. Durante outro tempo, ouvi e entendi do modo tradicional, mas não refleti o suficiente sobre ele. É evidente que o conselho é “não perder tempo e energia” com alguém que está predisposto a rejeitar o argumento que você tem a oferecer, mas falar sobre porcos e cães me parecia um pouco apelativo, exagerado, pesado, na verdade. E as pérolas e coisas sagradas então…

Acontece que falar de pérolas é falar de algo precioso. Quem for pesquisar, verá que pérolas são o resultado de um processo interno de defesa das ostras e blá blá blá, todo aquele sacrifício englobando partículas durante em média 3 anos pra, talvez, se der sorte, a defensiva resultar numa pérola com formato redondo e negociável. Não vou ficar romantizando a produção de pérolas, você vai encontrar um milhão de blogs que já fizeram isso. A questão aqui é: a preciosidade da joia se dá por sua raridade, e a raridade é fruto do tempo e investimento, somado à dificuldade de, depois de muita espera, o negócio dar certo.

Eu estou falando de mim e de você, se ainda não notou. Dessas pérolas que nós temos, desses sentimentos bonitos que cultivamos, fruto do nosso amadurecimento, das nossas defesas contra as coisas ruins que nos aconteceram e decidimos fazê-las aprendizado. Tô falando de todas as vezes que lutamos contra nossos instintos pra fazer o que sabíamos ser o certo, e nos encontramos melhores do que ontem. Estou falando do nosso tempo, do nosso dinheiro, da nossa atenção e dedicação. Falo do nosso amor, que é coisa tão rara hoje em dia, da nossa franqueza, da nossa CREDULIDADE. É mesmo coisa incomum acreditar de peito aberto, e entrar de cabeça e coração em terreno desconhecido. A maioria das pessoas é de uma desconfiança só.

Pois bem, Jesus falou que não deveríamos lançar essas pérolas, nossas preciosidades raras, aos porcos, e eu sei que você pode achar que ele tava xingando seu ex, ou sua antiga melhor amiga, mas apesar de ser um tanto tentador imaginar que até ele quis isso, sinto informar que não é exatamente esse o sentido da expressão aqui. 😛

Cristo jamais seria pejorativo, sabe? E foi pensando sobre como Jesus é, que eu finalmente compreendi o que ele estava querendo dizer. É que os porcos vivem na lama, e estão acostumados com restos, não com nobreza. Eles vivem num ambiente sujo, comem lavagem, e por natureza não se importam com nada disso – esse é o seu mundo, é como eles são, como vivem, o que estão acostumados a ter, e não possuem um referencial de excelência, portanto, não têm capacidade de enxergar a beleza das coisas raras.

Para o porco – e quero frisar que ele não tem culpa disso – uma pérola e uma pedra são a mesmíssima coisa: se não é de comer, é pra pisar, e acabou. Simples assim.

Algumas pessoas são para nós, o que os porcos são para as pérolas: elas estão tão acostumadas com algo inferior, que quando damos o nosso melhor elas simplesmente não sabem o que fazer com isso – e pisam.

Veja bem, a questão aqui não é ofender um indivíduo comparando-o a um animal imundo, o foco da lição está na pessoa que possui o tesouro. Jesus pretendia mostrar que a atitude de alguém que possui algo de valor, deve ser a de entregá-lo a quem possa reconhecê-lo e cuidar dele, pois essa é a única coisa razoável a se fazer.

Somos nós que insensatamente oferecemos nossas pérolas a pessoas que não têm capacidade para recebê-las e valorizá-las como nós fazemos, e é por essa razão que sofremos. Nós nos apaixonamos ou nos envolvemos com quem tem valores diferentes de nós, e vamos “pendurando” nossas pérolas como prêmios em seus pescoços, enquanto elas nos pisam. Preciso dizer que descobri que a culpa é nossa. [Por favor, não deixe de me amar ainda…] É que nós ignoramos o conselho de Jesus, e é assim que nos estrepamos.

Entenda, com isso, não estou absolvendo os erros daqueles que nos machucaram, mas mostrando que somos, de certo modo, responsáveis pela cancela da nossa vida (por “quem” e “quando” entra e sai dela), e quando insistimos em um relacionamento ruim, ou depositamos nossas energias, tempo, intensidade e todo o nosso melhor em alguém que não nos dá uma contrapartida, mas apenas algumas migalhas pra “nos manter por perto”, estamos, como abestados, lançando pérolas aos porcos.

Não podemos esquecer que todo relacionamento tem por base a RECIPROCIDADE, e isso quer dizer que é uma troca, um dar e receber mútuo, que de fato só é saudável se assim for, pois quando um dá demais, e o outro “de menos”, a coisa desanda.

Eu aprendi tarde, infelizmente, que algumas pessoas simplesmente não são capazes de retribuir à altura o que oferecemos, simplesmente porque aquilo que é importante e valioso pra nós, não é para elas, e portanto, não adianta esperar por isso. Também não adianta tentar mudá-las, alimentar ressentimento, planejar “vingancinha” ou mandar indiretas. Acredite, isso só vai te machucar mais.

Quer saber mesmo o que adianta? Seguir em frente e tomar um chá de “semancol”. Alguém já disse que quando uma pessoa erra conosco, ela é culpada, mas quando erra uma segunda vez, culpados somos nós. Imagina muitas vezes então…

Ouça, finalmente, não a mim, mas a quem sabe das coisas, que é o “dono dos troço tudo”. Guarde suas pérolas para as pessoas que conhecem o valor que elas têm. Aos “porcos”, baby, as migalhas sempre serão de boa serventia.

 

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