Arquivos para A Poesia Tem Razão

Travessia

6 de abril de 2013 — 3 Comentários

sinalizac3a7c3a3o1Percebi ontem que todas as vezes em que estou diante de um grande dilema, me vejo vestida num sobretudo escuro, na beirada de uma calçada, pronta para atravessar a rua numa tarde de inverno. Deduzi que provavelmente esta visão seja uma metáfora da minha alma a respeito do acontecimento iminente. O inverno das incertezas supostamente me exige estar preparada para o frio que a falta de alguns aconchegos familiares farão, logo em seguida à travessia. Depois de alguns passos, lá estarei eu, na outra margem, separada do antigo por algumas novas distâncias.

Na maioria das vezes, eu não quero atravessar.

O que mais me marca nessas visões, é a minha nada sutil hesitação. Não é o cenário vintage, o tremular das folhas ao vento gélido, nem o vai e vem dos carros. Até os figurantes passam desapercebidos… Tudo, na verdade, parece meio estático e desfocado, com aquela insistente hesitação em negrito. Pouco do que se passa do lado de fora me chama atenção, mas posso notar cada milímetro de todo o titubeio do meu relutante coração dentro do peito.

O diretor dessa cena deu um close no apego. No foco dessa lente estão o medo das mudanças e a perda de tesouros emocionais – de fases que, uma vez abandonadas, serão apenas vagas lembranças agridoces. Abraço-as todas por dentro, numa despedida prolongada, como se faz com os amores que se deixa ao longo do caminho. Sofro por antecipação de tudo o que não viverei mais.

Entenda, não é que eu vá sentir falta de pessoas, nem de coisas; nem é falta de cidades ou lugares. É falta de quem eu era, antes da passagem que ainda não fiz, mas que me aguarda bem ali.

Sinto falta, ainda aqui, sob o ar denso do inverno, no meio fio da (in)decisão, bem no centro da hesitação protagonista, como alguém com um déjà vu prolongado que espera até o momento em que o farol, ainda intermitente no pestanejar, lhe permita mais alguns momentos bem ali, onde está…

Antes que ele feche, porém, bem no último segundo, estou decidida a correr, porque mesmo com saudade do conhecido, minha curiosidade apaixonada sempre me faz preferir ver o que está lá, exatamente do outro lado, no final da travessia.

Luciana Honorata

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Oi pessoal!

Totalmente sem tempo de escrever, passei aqui somente para compartilhar um texto de um blog novo sobre literatura e paixão pela escrita/leitura que achei belíssimo!!! Amei o blog Literatortura, e estou indicando para todos aqueles que são apaixonados pelas palavras! Espero que vocês gostem tanto quanto eu.

Beijos e até o próximo post.

Lu Honorata

O TEXTO SEM DE FATO INÍCIO, SEM DE FATO MEIO, SEM DE FATO FINAL. IMITANDO A PALAVRA.

(gra.fo.ma.ni.a)
sf.
1. Psiq. Compulsão patológica de rabiscar, de registrar graficamente, de escrever. 

O texto sem de fato início (porque sempre esteve), sem de fato meio (porque não se pode encontrar), sem de fato final (porque nunca acaba). Imitando a palavra.

A paixão. O ato sublime de euforia. O ponto final entusiasmado. Completo; A obra. O conto. O texto. O artigo. O livro. O personagem. O poema. O vício. Dentre tantas definições de escrever, não recairei no ato poético de que escrever é salvar a vida [como diria Lispector]. Escrever é uma doença. E das mais vertiginosas. Escrever é um vírus impossível de tratar, uma pandemia interna. Continue lendo…

Eu não poderia deixar este ano ir embora sem me despedir oficialmente, e agradecer a todos os que estiveram comigo durante os dias destes doze preciosos últimos meses. Para mim, este foi um ano MARCANTE em muitos sentidos, e posso olhar para trás contando os louros que ele me deixou. Em 2011 Deus me surpreendeu e me abençoou de modo inenarrável!

É por essa razão que escolhi Drummond – um dos poetas mais marcantes que conheço, e dos quais “roubo” palavras com frequência para me fazer entender.  A propósito, como ele mesmo já falou: 

“Quem teve a ideia de cortar o tempo em fatias, a que se deu o nome de ano, foi um individuo genial. Industrializou a esperança fazendo-a funcionar no limite da exaustão.

Doze meses dão para qualquer ser humano se cansar e entregar os pontos. Aí, entra o milagre da renovação e tudo começa outra vez com outro número e outra vontade de acreditar que daqui para adiante vai ser diferente.”

Mas a mensagem do post mesmo é o poema que vem a seguir, ta? É que Drummond é tão irresistível que não resisti!!! Continue lendo…

Poesia de Verdade

6 de setembro de 2011 — 3 Comentários

Eu sei, parece que eu gosto de poesia… Mas gostar de poesia parece meio piegas, tipo sentimentalismo barato ou coisa parecida, e isso não combina muito comigo.

Tá, tudo bem, eu gosto. Mas não de todas. Detesto poesia que não entendo – enigmas indecifráveis que só servem aos seus autores e seus egos. Mundinho particular impenetrável que não diz respeito a ninguém, muito menos a mim. Pode ser poesia para qualquer um, mas no meu mundo eu não definiria como tal. Continue lendo…

O Laço e o Abraço

12 de janeiro de 2011 — Deixe um comentário

Meu Deus! Como é engraçado! Eu nunca tinha reparado como é curioso um laço… uma fita dando voltas. Enrosca-se, mas não se embola, vira, revira, circula e pronto: está dado o laço.

É assim é que é o abraço: coração com coração, tudo isso cercado de braço. Continue lendo…

Filtro Solar

2 de outubro de 2008 — Deixe um comentário

Nunca deixem de usar filtro solar! 
Se eu pudesse dar uma só dica sobre o futuro,seria esta: use filtro solar. 
Os benefícios a longo prazo do uso de filtro solar 
estão provados e comprovados pela ciência; 
já o resto de meus conselhos não tem outra base confiável além de minha 
própria experiência errante. 

Mas agora eu vou compartilhar esses conselhos com vocês. 
Aproveite bem, o máximo que puder, o poder e a beleza da juventude. 
Ou, então, esquece… Você nunca vai entender mesmo o poder 
e a beleza da juventude até que tenham se apagado. 
Mas, pode crer, daqui a vinte anos, você vai evocar as suas fotos e 
perceber de um jeito – que você nem desconfia hoje em dia 
quantas tantas alternativas se lhe escancaravam à sua frente, 
e como você realmente tava com tudo em cima. 
Você não é tão gordo(a) quanto pensa!

Não se preocupe com o futuro. 
Ou então preocupe-se, se quiser, mas saiba que pré-ocupação 
é tão eficaz quanto mascar chiclete 
para tentar resolver uma equação de álgebra. 
As encrencas de verdade de sua vida tendem a vir de coisas que nunca 
passaram pela sua cabeça preocupada, e te pegam no ponto fraco às quatro 
da tarde de uma terça-feira modorrenta. 
Todo dia enfrente pelo menos uma coisa que te meta medo de verdade. 
Cante. 

Não seja leviano com o coração dos outros. 
Não ature gente de coração leviano. 
Use fio dental. 
Não perca tempo com inveja. 
Às vezes se está por cima, 
às vezes por baixo. 
A peleja é longa e, no fim, 
é só você contra você mesmo. 
Não esqueça os elogios que receber. 
Esqueça as ofensas. 
Se conseguir isso, me ensine. 
Guarde as antigas cartas de amor. 
Jogue fora os extratos bancários velhos. 
Estique-se. 

Não se sinta culpado por não saber o que fazer da vida. 
As pessoas mais interessantes que eu conheço não sabiam, 
aos vinte e dois, o que queriam fazer da vida. 
Alguns dos quarentões mais interessantes que conheço ainda não sabem. 
Tome bastante cálcio. 
Seja cuidadoso com os joelhos. 
Você vai sentir falta deles. 
Talvez você case, talvez não. 
Talvez tenha filhos, talvez não. 
Talvez se divorcie aos quarenta, talvez dance ciranda em suas bodas de diamante. 
Faça o que fizer, não se auto-congratule demais, nem seja severo demais com você. 
As suas escolhas tem sempre metade das chances de dar certo. 
É assim pra todo mundo. 

Desfrute de seu corpo. 
Use-o de toda maneira que puder. Mesmo. 
Não tenha medo de seu corpo ou do que as outras pessoas possam achar dele. 
É o mais incrível instrumento que você jamais vai possuir. 
Dance. 
Mesmo que não tenha aonde além de seu próprio quarto. 
Leia as instruções, mesmo que não vá segui-las depois. 
Não leia revistas de beleza. Elas só vão fazer você se achar feio. 

Dedique-se a conhecer os seus pais. 
É impossível prever quando eles terão ido embora, de vez. 
Seja legal com seus irmãos. Eles são a melhor ponte com o seu passado
e possivelmente quem vai sempre mesmo te apoiar no futuro. 
Entenda que amigos vão e vem, mas nunca abra mão de uns poucos e bons. 
Esforce-se de verdade para diminuir as distâncias geográficas 
e de estilos de vida, porque quanto mais velho você ficar, 
mais você vai precisar das pessoas que conheceu quando jovem. 

More uma vez em Nova York, mas vá embora antes de endurecer. 
More uma vez no Carifórnia, mas se mande antes de amolecer. 
Viaje. 

Aceite certas verdades inescapáveis: 
Os preços vão subir. Os políticos vão saracotear. 
Você, também, vai envelhecer. 
E quando isso acontecer, você vai fantasiar que quando era jovem, 
os preços eram razoáveis, os políticos eram decentes, 
e as crianças, respeitavam os mais velhos. 
Respeite os mais velhos. 
E não espere que ninguém segure a sua barra. 
Talvez você arrume uma boa aposentadoria privada. 
Talvez case com um bom partido. 
Mas não esqueça que um dos dois pode de repente acabar. 

Não mexa demais nos cabelos senão quando você chegar aos quarenta 
vai aparentar oitenta e cinco. 
Cuidado com os conselhos que comprar, 
mas seja paciente com aqueles que os oferecem. 
Conselho é uma forma de nostalgia. 
Compartilhar conselhos é um jeito de pescar o passado do lixo, esfregá-lo, 
repintar as partes feias e reciclar tudo por mais do que vale. 

Mas no filtro solar, acredite! 

Mary Schmich

A gente se acostuma a acordar de manhã, sobressaltado porque está na hora, a tomar café correndo porque está atrasado.

A gente se acostuma a ler o jornal no ônibus porque não pode perder tempo na viagem, a comer sanduíches porque não tem tempo para almoçar.

A gente se acostuma a andar nas ruas e ver cartazes, a abrir as revistas e ver anúncios, a ligar a televisão e assistir comerciais.

A gente se acostuma a lutar para ganhar dinheiro, a ganhar menos do que precisa e a pagar mais do que as coisas valem.

A gente se acostuma a morar em apartamentos de fundos e a não ter outra vista que não a das janelas ao redor.

A gente se acostuma a não abrir de todo as cortinas, e a medida que se acostuma, esquece o sol, o ar, a amplidão.

A gente se acostuma à poluição, à luz artificial de ligeiro tremor, ao choque que os olhos levam com a luz natural.

A gente se acostuma às bactérias da água potável, à morte lenta dos rios, à contaminação da água do mar.

A gente se acostuma à violência, e aceitando a violência, que haja número para os mortos. E, aceitando os números, aceita não haver a paz.

A gente se acostuma a coisas demais para não sofrer. A gente se acostuma para não se ralar na aspereza para preservar a pele.

A gente se acostuma para poupar a vida. Que aos poucos se gasta, e que de tanto se acostumar, se perde por si mesma.

A gente se acostuma, eu sei, mas não devia.

 
(Extraído do orkut de Neto)-Não tenho a menor idéia de quem seja o autor..rsrsrsrs…

O segredo.

22 de outubro de 2007 — 2 Comentários
"Com o tempo você vai percebendo que para ser feliz com outra pessoa, você precisa em primeiro lugar, não precisar dela. Percebe também que aquela pessoa que você ama ou acha que ama, e que não quer nada com você, definitivamente, não é a pessoa da sua vida. Você aprende a gostar de você, a cuidar de você e, principalmente, a gostar de quem também gosta de você. O segredo é não correr atrás das borboletas… é cuidar do jardim para que elas venham até você. No final das contas, você vai achar, não quem você estava procurando, mas quem estava procurando por você..!"

É…

10 de outubro de 2007 — Deixe um comentário
"Quando encontrar alguém e esse alguém fizer seu coração parar de funcionar por alguns segundos, preste atenção: pode ser a pessoa mais importante da sua vida.
Se os olhares se cruzarem e, neste momento, houver o mesmo brilho intenso entre eles, fique alerta: pode ser a pessoa que você está esperando desde o dia em que nasceu.
Se o toque dos lábios for intenso, se o beijo for apaixonante, e os olhos se encherem d’água neste momento perceba: existe algo mágico entre vocês.

A verdade… =)

5 de junho de 2007 — Deixe um comentário
“As Melhores Mulheres pertencem aos homens mais atrevidos. Mulheres são como maçãs em árvores. As melhores estão no topo. Os homens não querem alcançar essas boas, porque eles têm medo de cair e se machucar. Preferem pegar as maçãs podres que ficam no chão, que não são boas como as do topo, mas são fáceis de se conseguir. Assim, as maçãs no topo pensam que algo está errado com elas, quando na verdade, ELES estão errados… Elas têm que esperar um pouco mais para o homem certo chegar… aquele que é valente o bastante para escalar até o topo da árvore”. 

(Machado de Assis)

 

 

Não quero a escuridão dos dias nublados tornando meu dia preto-e-branco

Não quero meios-sorrisos sem-graça dissimulando uma dor indisfarçável

Não quero um olhar amigável em lugar do apaixonado

Não quero um olá seco e frio quando precisar de atenção

Não quero um até logo distante e impreciso

Não quero abrir mão de uma mão ansiosa à procura da minha

Nem de sentir em uma voz a urgência de me reencontrar

Não quero ter medo de dizer o que eu sinto

Nem reprimir a declaração pronta na língua

Não quero estar só depois do expediente

Nem o anonimato de não ser o seu maior troféu

Não… eu não quero alguém que não me ame

Nem ser privada dos presentes e mimos

Não quero uma palavra doce quando precisar ouvir uma dura verdade

Mas também não quero palavras rudes que me mostrem o quanto eu ser eu incomoda

Não quero me sentir obrigada a ser perfeita

Não desejo a perfeição com essa brevidade

E definitivamente não quero errar

Mas não quero acusações

Não quero moralidade

Não quero julgamentos

Não quero impaciência

Não quero dor

Não quero ilusão

Não quero decepção

Não quero indecisão

Não quero meia-entrega sendo esta meio-coração

Não quero desejos irrefreáveis quando o amor está longe

Não quero deixar de ver nos olhos o que estou ouvindo dos lábios

Nem muito menos ouvir dos lábios o que não vejo nos olhos

Ah… não quero

Irredutivelmente não quero nada irreal e ilusório          

Longe de mim os shows ensaiados

Os versos rimados

Sem o brilho da espontaneidade de um coração entusiasmado

Pois tudo o que eu não quero é ser parte de uma farsa

E perder tempo tentando algo que dará errado

Não…eu não quero fracassar

Mas se ser verdadeira significa perder… eis-me aqui derrotada pelo meu arbítrio:

O de ser eu mesma… custe o que custar.

 

Luciana Honorata Agostinho

Dia após dia

6 de setembro de 2006 — Deixe um comentário

Cada dia é uma oportunidade a mais de conhecer àquele que nos amou como ninguém jamais poderá.

Cada amanhecer é o anúncio de uma jornada de glória, cega aos olhos humanos, patente aos olhos de Deus.

Passos sem pegadas visíveis, que conduzem ao trono do Pai: lugar seguro, refúgio perfeito para o corpo cansado e a alma abatida… Lugar de confiar e entregar a plenitude do que somos, para receber aquilo que podemos ser mediante Sua graça e querer.

Dia após dia, essa busca é o que inspira meu levantar, é a razão do meu viver!

Sem medo de parecer retrógrada ou desmistificar o que poderia ser um poema, decido descer do salto das palavras eloquentes e rasgar o verbo com expressões “populescas”, pois prefiro fazê-lo do que correr o risco de não encontrar no dicionário belas palavras que possam definir o anseio do meu espírito por aquele que o recriou.

Portanto, que sejam comuns, mas verdadeiras as declarações do meu coração impressas nesse papel.

Que sejam pobres de métrica, mas ricas de sentimento e repletas de sinceridade!

Eu te amo. Não posso viver sem você, meu amado… Nada mais importa quando penso no que és pra mim! Eu preciso de ti, dependo de ti, reconheço tua majestade, anelo tua presença, não há vida sem você! Nada posso fazer sem ti, me importo com o que pensas e desejo de todo coração corresponder às expectativas que depositas em mim… Não quero te decepcionar jamais! E se hoje me declaro é porque já não consigo mais calar não só a voz, mas nem mesmo o meu punho se contenta em ficar mudo… Ele quer dizer ao teu coração que o meu é permanentemente apaixonado por ti!

Dia após dia, quero que essa paixão tome conta de mim e me encha como agora estou, consumida por esse amor e essa adoração extravagante que me domina e já não consigo detê-la…

É como se por cada poro existente em mim saísse um clamor de “vem!”, um desejo insaciável de mais, um simples e precioso convite: quero mais da tua vida em minha vida… dia após dia.

Luciana Honorata