Arquivos para Deus

1003029_10201720737282985_1114260012_nA maioria das pessoas pensa na vida de modo compartimentado. Compartimento da Família. Do Estudo. Trabalho. Amigos. Relacionamento. Finanças. Diversão. Religião. Praticamente o mundo inteiro pensa assim, em “pedaços”. As pessoas sabem dividir bem as coisas quando é do seu interesse, e de fase em fase na vida, vão cuidando do compartimento da vez, conciliando alguns e negligenciando outros. Mas geralmente sem misturá-los.

Já temos os nossos ditados: “amigos, amigos, negócios à parte”; “não se deve levar trabalho pra casa”; “em briga de marido e mulher não se mete a colher”, e por aí vai… Tudo muito bom e útil, é verdade. Mas suspeito que desse padrão de pensamento resulte a premissa de que não se deve “meter religião” (ou Deus) nas outras coisas da vida. (Pior, não se deve sequer discutir religião, que entra na categoria de “indiscutibilidade” juntamente com política e futebol).

É uma dedução inconsciente mais ou menos assim: a VIDA (trabalho, estudos, amor, família, projetos, etc.) é o que acontece durante a semana, e religião (ou Deus) é coisa de domingo ou horários vagos esporádicos (de tédio).

As pessoas dizem coisas como, “minha vida profissional não tem nada a ver com a minha religião, são coisas completamente diferentes!”, e o mesmo vale para relacionamentos, estudos e tudo que se faça de inútil. (É claro que será ótimo se Deus quiser abençoar, e posso até orar por isso, mas “cada um no seu quadrado” – agradeço se depois de liberar a bênção Deus puder voltar ao dele.)

Li um artigo essa semana sobre uma modelo evangélica que fechou contrato com uma revista masculina para posar nua, e ela alegou justamente isso – “o que faço da minha vida profissional não tem nada a ver com minha religião”! Veja bem, eu não estou aqui para julgar a moça (longe disso!) e aprovar ou desaprovar sua conduta, mas fiquei pensando sobre o assunto desde então, ponderando se realmente são coisas que não se deve associar.

Aconteceu também algo interessante mês passado. Fui ferozmente “atacada” ao postar um texto relacionando fé e política, apenas cogitando qual seria o comportamento de Jesus diante dos protestos recentemente ocorridos na nossa nação e, consequentemente, qual deveria ser o nosso como cristãos. Alguns comentaram (não tão educadamente, claro), que misturar política e religião era um absurdo e uma falta de bom senso. Será mesmo?! Duvido, mas não vou entrar no mérito agora.

Lembro claramente, contudo, de ter sido evangelizada por um rapaz e ser impactada com essa impressão. Eu falava dos meus compartimentos, ele não. Pra ele, tudo estava conectado entre si, e sobretudo, com Cristo. Eu era tão organizada nos meus pensamentos para o futuro! Eu sabia quantas empresas queria ter e como seria a rede de lojas que eu montaria, e em que curso me graduaria, e pra não me alongar, tinha cada coisa no seu lugar, inclusive Deus, lá naquela caixinha do “Deus me livre, Deus me guarde, Deus me faça a feira”!

Mas na vida do rapaz era diferente. Deus estava lá, mas não timidamente. Não no quartinho dos fundos. Ele era como uma água que inundava todos os compartimentos e embebia cada um dos seus sonhos. De certo modo, ele os dissolvia e misturava. A essência de Deus estava ali, interligando todas as áreas, envolvendo-se nelas e envolvendo-as umas com as outras…

Na vida dele, Deus era SENHOR, não religião.

Lembro nitidamente de como ele não me olhava nos olhos enquanto falava. Seu olhar era perdido, lá em cima, e aquilo me intrigava. Era como se buscasse no alto a inspiração, enquanto eu, tão rasa, falava daqui de baixo… Eu pensava, “ei, não mete Deus na conversa agora, não tem nada a ver, estamos falando de trabalho!”, mas ele não fazia por mal, era só que Deus estava envolvido com sua vida profissional, então ele o mencionava. Daqui a pouco, ele já estava “convertendo” os filhos que ainda não tinha tido, dando o dízimo do trabalho que ainda não tinha conseguido, honrando a esposa que esperava encontrar, e compartimento após compartimento era inundado com a presença indispensável de Deus, sendo consequentemente abençoados por ele.

Aquilo me marcou de modo irremediável, embora eu não tenha compreendido bem o porquê no momento. Hoje, distante daquele dia, consigo ver melhor a imagem real das coisas. Ele estava seguindo o conselho inspirado do provérbio que diz, “reconhece-o [o Senhor] em todos os teus caminhos, e ele endireitará as tuas veredas.” (Pv 3.6).

É somente quando reconhecemos Deus nos nossos caminhos, que ele “ajeita” nossa vida. Quando reconhecemos o que Deus diz sobre nossas finanças, que a sua bênção as alcança. Quando o reconhecemos nos nossos relacionamentos, que teremos paz e harmonia neles. Quando o reconhecemos no trabalho, que prosperaremos e encontraremos satisfação… Em cada compartimento que o deixamos entrar e participar, a sua influência estará ali, presenteando-nos.

Honestamente, acredito que se possa viver uma vida compartimentada – uma vida mediana, que coloca Deus lá nos fundos. Uma vida indo ao culto/missa/reunião uma vez ou outra, e fazendo caridade pra se sentir menos insensível de vez em quando. Dá pra fazer, sim. Muita gente vive desse jeito, mesmo sendo (ou pensando ser) cristão. Mas eu não posso mais acreditar que esse é o melhor jeito de viver, por causa do brilho que vi nos olhos daquele rapaz, que me fizeram querer conhecer essa vida embebida no Espírito.

Hoje, eu jamais conseguiria dizer que minha carreira, meu trabalho, minha família, meus amigos, meus pensamentos, meus estudos, a sístole ou a diástole do meu coração, não têm nada a ver com Deus. Eu não seria capaz disso. Tudo tem a ver com ele. Tudo é dele, por ele e para ele! Nele vivemos, nos movemos e existimos. Todas as coisas convergem nele, e tudo só faz sentido por causa dele.

Não é que ele se meta na vida de ninguém, mas a gente bem que pode convidar o arquiteto do universo pra redecorar a nossa vida. Certamente ele vai querer derrubar algumas paredes e reconstruir algumas vigas, misturar alguns ambientes e mudar as cores. Mas a casa vai ficar mais bonita, sem dúvida alguma.

Ser cristão, na verdade é entender que não somos mais de nós mesmos e que nós servimos a um propósito maior que ecoa para a eternidade e se estabelecerá nela. Que tudo quanto fizermos, devemos fazê-lo em nome do próprio senhor Jesus, como se ele mesmo estivesse fazendo. Não se trata de religião, se trata de um modo de vida. Admitamos, não há como compartimentalizar nada radicalmente pensando assim…

Desconfio seriamente que aqueles que conseguem separar bem as coisas, ainda não compreenderam que aquele que se une ao Senhor é um só espírito com ele, e que uma vez que encontramos a Cristo, não mais vivemos, mas ele vive em nós.

Pode me chamar de bitolada, à vontade, por mim tanto faz. Mas depois de misturar-me com Deus e mergulhar minha vida inteirinha nele, eu ganhei aquele brilho nos olhos e me pego muitas vezes olhando para o “nada”, buscando inspiração para o futuro que estou construindo com ele… Assim, eu enxergo bem mais, e as águas do Espírito Santo de Deus encharcam os meus sonhos. Todos eles.

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A Dor Cega

30 de junho de 2013 — 6 Comentários


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Minha mãe tinha uma unha encravada no dedão do pé. Dessas que ficam feias, horrorosas, e que tinha todo o agravo que uma unha encravada que se preze pode ter – vermelhidão, inchaço, secreção e etc. A coisa tava bem séria.

Isso foi há muito tempo. Na época, meu irmão mais novo tinha por volta de cinco anos e era um pimentinha. Lembro dele estar “travessurando” pra lá e pra cá, quando veio correndo em direção a ela para pedir alguma coisa e, descuidadamente, pisou em cheio justamente na… adivinha! Continue lendo…

200289543-002Agora que já entendemos que a Bíblia é uma revelação progressiva, podemos compreender que o Novo Testamento explica o Antigo e que muito do que foi escrito lá atrás era uma declaração específica, para um povo específico que estava numa condição específica, ou seja, não serve integral e especificamente para nós.

Não é o caso, entretanto, de ser inútil – isso seria, inclusive, uma blasfêmia, pois o apóstolo Paulo claramente aponta que “toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, correção e educação na justiça”. É só que ler o “obscuro” é o caminho mais longo para se compreender a vontade de Deus; além disso, verdade seja dita, indo por lá é mais provável que a gente se complique mais do que se ajude.

Veja bem, a questão é que nem tudo o que está escrito na Bíblia foi escrito para a Igreja! Nós podemos sim, tirar proveito de tudo o que está escrito de algum modo, mas isso não quer dizer que todas aquelas palavras foram direcionadas a nós, e é aí que temos errado.

Precisamos compreender que apesar de Deus não ter mudado, a situação em que o homem se encontra diante de Deus mudou muito ao longo das eras. Deus continuou sendo o mesmo, no entanto, a condição do homem mudou.

Adão, por exemplo, tinha uma condição antes de pecar e outra depois – ele já não era o mesmo depois de desobedecer a Deus, logo, seu relacionamento com ele e as regras que o regiam não eram iguais.

Do mesmo modo, depois da Lei ser entregue a Moisés, a situação do homem perante Deus também mudou, pois a partir de então um regulamento que deveria ser seguido e pelo qual o homem seria julgado foi estabelecido.

Com a vinda de Cristo, sua morte e ressurreição, outra realidade foi instituída e, consequentemente, uma nova era (a da graça) com uma nova lei (do amor) se iniciou.

É claro que estou sendo simplista e resumindo tudo pra facilitar a nossa vida! O que eu quero, é que fique claro que a Bíblia é um conjunto de livros que, reunidos, contam uma história que só faz sentido quando sabemos lê-las.

A primeira coisa a ser considerada aqui, portanto, é que o Antigo Testamento não foi escrito para a Igreja de Cristo, isto é, não foi direcionado a ela. Se ele fosse uma carta, no campo “destinatário”, estaria escrito “aos Judeus Israelitas”.

Ora, isso explica muita coisa!

Explica, por exemplo, porque eu me senti tão mal ao ler as terríveis palavras de Jeremias para o povo de Judá.

De vez em quando, na minha infância espiritual, eu abria a Bíblia com o intuito de conhecer Deus e, como alguém havia me dito que a Bíblia era Deus falando comigo, como boa crente que sempre fui (e modesta, é claro, rs…), acreditei naquilo. Abri em Jeremias 17 e li:

“O pecado de Judá está escrito com um ponteiro de ferro e com diamante pontiagudo, gravado na tábua do seu coração e nas pontas dos seus altares… os teus bens e todos os teus tesouros darei por presa, como também os teus altos por causa do pecado, em todos os teus territórios! Assim, far-te-ei servir aos teus inimigos, na terra que não conheces… Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e desesperadamente corrupto; quem o conhecerá?”

“Enganoso… meu coração… corrupto… servir meus inimigos… terra estranha… ferro no coração… pecado… Ai, Jesus, me acode!”, eu pensava. E ficava com aquele sentimento de condenação, tentando me lembrar de cada pecado não confessado, procurando “cabelo em sapo”, com medo de Deus, como se a qualquer momento pudesse ser fulminada.

Mas, ei! não era a respeito de mim que Deus estava falando aquilo. Nem é a seu respeito, irmão (aleluia, o conhecimento realmente liberta!). Isso não tem nada a ver conosco, mas eu me perguntava como podia haver tantas coisas boas e ruins ao mesmo tempo escritas sobre nós dentro da mesma Bíblia. Como poderia Deus parecer um bipolar, bastando, para isso, virar algumas páginas?!

Simples: o Antigo Testamento não foi endereçado a nós.

O que Jesus resumiu como “a Lei de Moisés, os Profetas e os Salmos” (Lc 24.44) – o Antigo Testamento – era direcionado aos judeus, e contava uma história e regulamentava um modo de vida que lhes servia naquele tempo, antes de Deus resolver as coisas de forma definitiva através de Jesus. Mas tudo aquilo durara até João Batista (Lc 16.16), e a partir de então começou a ser anunciado o reino de Deus e, somente depois, ser gerada a Igreja.

Para falar bem a verdade, a Igreja ainda não existia nos tempos do AT e ninguém sequer sabia que ela um dia haveria de ser – ela era um mistério. Ninguém tinha conhecimento de que os gentios (todo aquele que não era descendente de Abraão e, portanto, que não era judeu), um dia poderiam ser considerados como povo de Deus, e que o Todo Poderoso ia confundir a teologia dos doutores da Lei, unindo todos os seres humanos (judeus e não-judeus) num só Corpo – a Igreja.

Quando lemos o Antigo Testamento, portanto, estamos vendo Deus tratando com o homem nas limitações daquela época, quando Jesus ainda não tinha vindo e resolvido o problema do pecado, isto é, quando a Nova Aliança ainda não havia sido estabelecida no seu sangue e o coração do homem ainda não havia sido purificado pelo sacrifício de Cristo.

É por essa razão que não é bom que comecemos a ler a Bíblia a partir de Gênesis, mas o ideal é começar pelo Novo Testamento – formado pelos Evangelhos, Atos dos Apóstolos e pelas Epístolas, dando especial atenção a estas, pois foram cartas escritas pelos apóstolos para as igrejas da época com o intuito de instruí-las, corrigi-las e fundamentá-las na verdade.

Elas simplificam (e muito) a nossa vida pelo simples (e maravilhoso) fato de serem direcionadas a nós! Foram escritas para explicar-nos como deve ser a nova vida em Cristo, e quais são as regras que estão valendo depois de estabelecida a Nova Aliança!

Ora, esta é uma Nova Aliança ou um Novo Contrato que, segundo a explicação das epístolas, é superior à Antiga, firmada ou estabelecida em promessas superiores (Hb 8.6) e tem novas regras! (Hb 7.12)

A igreja tem errado em ficar se detendo na leitura e no estudo do Antigo Testamento, firmando suas pregações e ensinamentos naquilo que disse Moisés, naquilo que fez Elias, nas atitudes que teve Davi e os demais profetas. Estamos numa melhor condição que todos eles, e precisamos nos orientar pelos referenciais certos!

Irmãos, estamos numa aliança superior!!!

Biblia

A primeira dica realmente importante para quem quer ler a Bíblia corretamente, é entender que ela é uma revelação progressiva. Pode ser que você já tenha ouvido essa expressão, mas não saiba exatamente o que ela significa, e o objetivo aqui é esclarecer esse princípio.

Afinal, o que é essa tal revelação progressiva de que as pessoas tanto falam?

Significa dizer que Deus se revelou para o homem progressivamente, de modo que o homem sabia muito pouco a respeito de Deus no princípio, mas aos poucos, gradativamente, ele foi revelando a si mesmo e a seu propósito para a humanidade. É como se aquilo que era “obscuro” fosse clareando mais e mais, até que houvesse luz suficiente para que fosse visto com clareza.

É por essa razão que nos embaraçamos tanto quando lemos a Bíblia do começo, a partir de Gênesis, pois queremos entendê-la olhando para o nebuloso, quando o ápice da revelação de Deus se dá com a presença de Jesus na Terra. Hebreus diz:

“Há muito tempo Deus falou muitas vezes e de várias maneiras aos nossos antepassados por meio dos profetas, mas nestes últimos dias falou-nos por meio do Filho, a quem constituiu herdeiro de todas as coisas e por meio de quem fez o universo. O Filho é o resplendor da glória de Deus e a expressão exata do seu ser…” (Hebreus 1.1-3)

Sim, Deus falou com o homem desde o princípio, não poucas vezes, mas muitas, e não somente de uma maneira, mas de diversas. Deus falou com o povo por meio dos profetas e da Lei, no entanto, desde que Jesus começou seu ministério até os tempos de hoje, é por meio dele que Deus nos fala, e é a ele que devemos ouvir, pois ele é a “reprodução precisa de Deus em todos os aspectos”.

Jesus é o ponto final da progressão na qual Deus se revelou, o clímax dela. Ele é aquele que dá sentido ao início, meio e final da Bíblia. Diz-se que ele é a “chave hermenêutica” das Escrituras, e essa expressão tão bonita quer dizer, simplesmente, que se quisermos compreender qualquer coisa que esteja escrita entre Gênesis e Apocalipse, devemos ter em mente que tudo é sobre Jesus, aponta para ele e converge na sua pessoa. Ele é a expressão EXATA de quem é Deus, e ao mesmo tempo de como nós, filhos, devemos ser.

Isto nos mostra que o Novo Testamento é a palavra final. Ele interpreta o Antigo. O livro de Hebreus é um excelente exemplo disso, pois foi visivelmente escrito para esclarecer que todos os ritos e cerimoniais da Lei eram uma figura, um “tipo”, uma sombra da realidade consumada por Jesus. Na verdade, Hebreus explica o propósito do Pentateuco e encerra a questão – estamos em uma aliança superior, baseada em superiores promessas. (Hb 8.6)

É por isso que quando pregamos no Antigo Testamento devemos pensar sobre que aspecto de Jesus o texto mostrará, já que a tônica da pregação da Igreja deve ser Cristo. O uso correto da Bíblia, portanto, é que o Novo Testamento é a revelação final de Deus, e a Bíblia deve ser interpretada sempre à luz da pessoa e dos ensinos de Jesus.

Lucas 16.16 diz: A lei e os profetas duraram até João [Batista]; desde então é anunciado o reino de Deus, e todo o homem emprega força para entrar nele.

Por que, então, ainda queremos tomar o Antigo Testamento regra de fé? Porque não compreendemos isso muito bem, mas vamos chegar lá!

João, inspirado pelo Espírito Santo, disse algo fantástico que lança muita luz nessa questão:

Ninguém jamais viu a Deus, mas o Deus Unigênito [Jesus], que está junto do Pai, o tornou conhecido. (João 1.18 – NVI)

Jesus fez com que soubéssemos quem é Deus, ele nos mostrou o Pai! A versão Revista e Atualizada diz que ele o REVELOU, e de fato, a palavra grega utilizada é exegeomai, que quer dizer “intérprete”, “porta-voz”, “aquele que guia ou conduz até”, assim como os mestres da Lei se levantavam nas sinagogas para interpretá-la. Jesus, entretanto, interpreta Deus para nós com exatidão, e não com uma vaga ideia a seu respeito.

Mas olha só, o mais importante é que João não diz isso assim, “do nada”. Ele diz essas palavras justamente depois de afirmar que Deus havia dado a Lei a Moisés (o Antigo Testamento), mas que a GRAÇA e a VERDADE vieram por meio de Jesus Cristo (v.17), o que significa que ele está dizendo basicamente algo como: “Nem mesmo Moisés, a quem Deus entregou a Lei, chegou a vê-lo (apesar de tradicionalmente os judeus pensarem que ele o viu face a face); logo, ele não o conhecia bem o suficiente a ponto de falar a seu respeito com propriedade, já que tinha uma noção muito limitada da sua pessoa. Moisés nem sequer trouxe a verdade, mas a Lei, que apenas conduzia até aquele que a traria”.

Em contraste com isso, João diz que Jesus trouxe a graça e a VERDADE, o que equivale dizer, em termos práticos, que antes de Cristo não havia verdade no mundo, mas apenas vislumbres dela. E ele não somente viu a Deus, como nos revelou o seu caráter e propósitos, posto que os conhece muito bem.

Em suma, o objetivo do texto é mostrar que é somente por meio de Jesus que podemos conhecer a Deus. Que Cristo é o único que tem propriedade, competência, condições de nos mostrar quem é o Pai. É olhando para Cristo que entendemos os porquês do antes (Antigo Testamento), do agora e do depois (o milênio que iremos inaugurar com a sua segunda vinda, e a eternidade que nos aguarda).

Certa vez Filipe pediu ao próprio Jesus que lhes mostrasse o Pai, e se Jesus fosse nordestino, tinha chamado ele de abestado, tenho certeza! “Ta vendo não, menino?! Pelamordedeus, olhe pra mim que é a mesma coisa, meu filho! Esse tempo todo pra cima e pra baixo com vocês, e ainda não perceberam que tudo o que eu faço é pra mostrar quem ele é? Aquilo que eu digo é porque ouço dele, e aquilo que faço é porque vejo ele fazer!” (João 14.8-11). Entendeu agora ou quer que eu desenhe?! (essa parte digo eu, não o Senhor, só pra descontrair rsrs…)

Mas o fato, é que isso Moisés e a Lei não podem fazer, até porque não lhes pesa como obrigação (a Lei nunca pretendeu revelar Deus, mas guiar o homem até aquele que o faria). Davi também não o pode, mesmo com tantos salmos maravilhosos e proféticos, inspirados pelo Espírito. Elias e Eliseu, com toda a sua unção e poder, apenas o apontam e glorificam, mas nenhum deles lhe explica de fato. Afinal, nenhum míope pode produzir uma pintura fidedigna à realidade da “paisagem”.

*Continua no próximo post… Até lá! 😉

Medo da Vontade de Deus

28 de outubro de 2012 — 7 Comentários

Houve um tempo (não muito recente e nem muito far away), em que eu temia a vontade de Deus. Para mim, ela era uma incógnita, um grande mistério insondável a respeito do qual eu não me atrevia a pensar e receava questionar, afinal, fosse lá o que ele tivesse em mente a meu respeito, como Deus soberano criador de céus e Terra, ele devia saber o que estava fazendo.

No entanto, ter ciência de que Deus certamente era preciso em seus projetos não me tranquilizava. Eu me pegava, por muitas vezes, imaginando-o Continue lendo…

Seja um idiota

5 de janeiro de 2012 — Deixe um comentário

A idiotice é vital para a felicidade.

Gente chata essa que quer ser séria, profunda e visceral sempre. Putz! A vida já é um caos, por que fazermos dela, ainda por cima, um tratado? Deixe a seriedade para as horas em que ela é inevitável: mortes, separações, dores e afins.

No dia-a-dia, pelo amor de Deus, seja idiota! Ria dos próprios defeitos. E de quem acha defeitos em você. Ignore o que o boçal do seu chefe disse. Pense assim: quem tem que carregar aquela cara feia, todos os dias, inseparavelmente, é ele. Pobre dele. Continue lendo…

Esta é a paráfrase da afirmação feita por Tassos Lycurgo no Café Filosófico da UFRN, cujo vídeo está disponibilizado no You Tube, e estou reproduzindo neste post. Eu sei, com conhecimento de causa, qual o sentimento compartilhado pelos ateus, pois eu tive durante cerca de 10 anos o ceticismo e o orgulho que cega aqueles que se dizem pensadores, mas rejeitam todas as evidências INCONTESTÁVEIS de que a existência de Deus é mais lógica e plausível, do que a negação do seu ser.

Nestes dois videos que se complementam, Tassos mostra de forma imparcial e não religiosa, que o conhecimento científico não nega, mas pelo contrário, aponta para a existência de um DEUS criador e pessoal. Continue lendo…

Google God

26 de agosto de 2011 — 1 Comentário

Indagaram-me, nestes dias, o que seria buscar a Deus. E eu, que pensava que isso era assunto encerrado, prego batido com ponta virada, mais uma vez me equivoquei nas minhas deduções particulares. Entretanto, esse não é o tipo de pergunta que se responde com três palavrinhas, e pedi que me dessem a chance de respondê-la com um breve texto. Vamos lá? A Bíblia diz:

O Deus que fez o mundo e tudo o que nele existe… de um só [Adão] fez toda a raça humana…; para buscarem a Deus se, porventura, tateando, o possam achar, bem que não está longe de cada um de nós; (Atos 17.24-27)

Sim, a Bíblia afirma que Deus fez toda a raça humana para buscá-lo, mas a questão é: o que isso significa? O que, de fato, implica a busca? Continue lendo…

Olá gente, paz a todos!

Voltei com a parte 5, finalmente. Entretanto, vou avisando que logo logo terei que postar a parte 6, continuando a série, porque esse assunto é como abrir uma lata de minhocas – depois que se abre é difícil fechar.

Espero que vocês sejam abençoados. Abraço e até mais!

“Esta é uma das maiores dúvidas que as pessoas têm, e um dos maiores motivos pelos quais muitas pessoas não querem ficar solteiras – elas acreditam que nasceram para casar. Isto quer dizer que elas acreditam ser esta a sua “missão suprema”, seu propósito de vida, seu alvo. Eu mesma já ouvi não apenas uma, mas várias mulheres fazendo essa afirmação, enquanto argumentavam que Deus lhes havia confiado esta tarefa. Elas dizem: “nunca serei completa se não tiver alguém para auxiliar, porque fui criada para isto – ser a auxiliadora de um homem”. Continue lendo…

Aposto

7 de agosto de 2011 — 4 Comentários

Oi gente!

Saudades de estar aqui…

Antes de qualquer coisa, vou explicando que não apareci porque não deu mesmo! E para quem estava esperando um retorno com a série “Essa coisa de ser solteiro…”, cuja parte 5 eu prometi para logo, vou avisando que vai sair ainda essa semana, ta ok? Ta meio caminho andado… Por enquanto, vou postar essa reflexão que tive num momento difícil e que achei muito importante compartilhar com vocês. Um grande abraço a todos, e eu volto em breve!

=)

Aposto

Quem sabe que, no português, o aposto é uma palavra ou expressão que explica ou se relaciona com um termo anterior com a finalidade de esclarecer, explicar ou detalhar melhor esse termo? Continue lendo…

Eu to quase uma vlogueira esses dias, né? rs.. só postando videos… É que tem chegado uns ótimos nas minhas mãos, e já que to sem tempo de escrever, vou aproveitando para compartilhar. Este é do espalheoamor.com.br, e considerei muito edificante!  Aproveita aí enquanto não dá pra gente conversar como de costume…

Grande beijo e até o próximo post!

Deus existe?

14 de junho de 2011 — 5 Comentários

Um vídeo interessante para quem ainda está em dúvida a respeito da existência de Deus…

Humildade x Orgulho

4 de janeiro de 2011 — Deixe um comentário

Esta semana, meditando sobre este tema e sendo ministrada nele, o Senhor lembrou-me este texto que eu havia lido há um tempo atrás. Desejei muitíssimo lê-lo novamente, e fui em busca dos meus arquivos pessoais a fim de encontrá-lo. Nossa! Fui muito edificada (novamente), e desejei compartilhá-lo com vocês…

Amanhã, postarei uma pequena parábola acerca do mesmo assunto, para enriquecer a nossa meditação, amém? Fica ligado, e aproveita para se julgar e corrigir, caso necessário. Grande abraço!

Luciana Honorata

“Você já deve ter ouvido muitas vezes a palavra humildade, não é mesmo? Esta palavra é muito usada, mas nem todas as pessoas conseguem entender o seu verdadeiro significado. Continue lendo…

Debruçados na Janela de Deus

12 de novembro de 2010 — 4 Comentários

Palavras nada mais são do que “pedaços de nós” em forma de letras ou sons. Cheguei a esta conclusão enquanto meditava sobre o valor que Deus atribui à sua própria Palavra.

A Bíblia nos fala que Deus e a sua Palavra são um, e consequentemente, se nós fomos feitos à imagem e semelhança do nosso Pai, ou como dizem por aí, “uma duplicata em espécie da sua própria categoria”, porque seria diferente conosco?

Nós somos aquilo que falamos, pois as palavras são apenas uma expressão de nós mesmos.

Expressão é a “enunciação do pensamento por meio de gestos ou palavras escritas ou faladas; é o verbo; é o ato de manifestar-se, mostrar-se, dar-se a conhecer”.

As palavras, então, por si mesmas, não têm valor algum. Quando soltas em um dicionário, por exemplo, chegam a ser entediantes, de tão inertes e sem vida. No entanto, quando usadas por nós, são recheadas de significado, pois traduzem aquilo que somos na essência, revelando vontades, emoções, pensamentos e planos.

É por meio delas que expressamos quem somos e o que pensamos a respeito de nós mesmos e do mundo que nos cerca. Por meio das palavras, nós aparecemos de fato.

Porque, quem sabe as coisas do homem, senão o próprio espírito que nele está? (1 Co 2.11)

O mundo interior é vasto, profundo e particular, mas torna-se parcialmente público por meio das palavras, permitindo-nos ser “compartilhados” às pessoas.

Para mim, foi magnífico descobrir que as pessoas nos “experimentam” por meio do que dizemos. Tudo aquilo que somos e nos permitimos expressar, “entra” nelas por meio daquilo que falamos: as nossas opiniões, as nossas experiências, as sensações… Elas “saem” de nós e alcançam as pessoas, levando-nos em porções para dentro delas, pois palavras são muito mais do que fonemas articulados, e infinitamente mais do que letras unidas e pintadas num papel, elas são idéias vivas!

Gosto de imaginar como se nós fossemos uma grande montanha de areia, e as palavras fossem apenas caminhõezinhos carregados de nós, a levar-nos para outros lugares, para onde as enviamos…

Não me admira que Jesus tenha dito que as palavras que ele falara eram Espírito e Vida (Jo 6.63), visto que as letras, os sons e os gestos são apenas veículos pelo qual as palavras se fazem conhecidas, pois na realidade, elas são algo espiritual.

Perceba que as letras se unem para formar um vocábulo, que gera dentro de nós uma imagem, uma idéia, um pensamento. Estas, por sua vez, geram sentimentos que nos fazem reagir positiva ou negativamente.

Foi justamente por essa razão que Jesus falou que havia limpado os discípulos pelas palavras que os tinha falado, pois a sua vida, as suas idéias, o que Jesus era “por dentro”, foi participado aos discípulos por meio das palavras que pronunciara.

Jesus falava, e suas palavras eram mais do que simplesmente sons. Ele falava não só com a voz, mas com a sua própria vida. Por meio das “palavras” ele se comunicava no sentido mais profundo, “dando-se aos pedaços”, partilhando com os discípulos do seu próprio espírito, das suas convicções, dos seus pensamentos, daquilo que ele é em toda a sua essência. As palavras de Jesus penetravam no coração deles e cresciam como uma semente em terra fértil, limpando-os por dentro!

A expectativa de Deus acerca da vida humana era conhecida por Jesus e, com suas palavras ele trazia os discípulos para o mesmo ponto de vista, fazendo-os enxergar a vida de outro ângulo, incitando-os a experimentar a realidade sob uma nova perspectiva, a qual os homens em geral não possuem, justamente por causa das palavras que receberam em discordância com a Palavra de Deus.

Na verdade, percebi que é como se Jesus estivesse “debruçado na janela de Deus”, sendo participante do ponto de vista divino exposto pelas Escrituras e conhecido apenas por aqueles que se dispõem a buscar a verdade com diligência e sinceridade de coração.

Então, da “janela celestial”, ele vê a vida de uma maneira franca, e nos convida a contemplar a mesma paisagem: o horizonte do plano original do Pai, onde nossos umbigos não são o centro do universo e a felicidade não é privilégio de poucos.

Sabe, já estávamos acostumados a “olhar da nossa própria janela”, cuja vista geralmente dá para os terrenos baldios do egoísmo e da ganância. O diabo “semeou” palavras dentro de nós que falam de um mundo cruel e pervertido. Palavras essas, que embaçaram as nossas vidraças e deixaram a nossa casa suja e bagunçada. Palavras que nos fazem pensar sobre nós mesmos e sobre a vida de uma forma diferente daquele que nos gerou.

Deus nos enviou sua Palavra, Jesus Cristo, para nos “tomar pela mão” e nos “debruçar na sua janela”, a fim de apreciarmos a existência do ponto de vista divino, imutável e indefectível, que nos leva à sua vontade que é boa, agradável e perfeita, e é por meio das palavras que ele faz isso.

Atentemos, portanto, para o Espírito e a Vida que estão na Palavra e nos levam a olhar a realidade sob a perspectiva certa!

“Se permanecerdes em mim, e as minhas palavras permanecerem em vós, pedireis o que quiserdes, e vos será feito” (João 15.7)

Luciana Honorata