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1003029_10201720737282985_1114260012_nA maioria das pessoas pensa na vida de modo compartimentado. Compartimento da Família. Do Estudo. Trabalho. Amigos. Relacionamento. Finanças. Diversão. Religião. Praticamente o mundo inteiro pensa assim, em “pedaços”. As pessoas sabem dividir bem as coisas quando é do seu interesse, e de fase em fase na vida, vão cuidando do compartimento da vez, conciliando alguns e negligenciando outros. Mas geralmente sem misturá-los.

Já temos os nossos ditados: “amigos, amigos, negócios à parte”; “não se deve levar trabalho pra casa”; “em briga de marido e mulher não se mete a colher”, e por aí vai… Tudo muito bom e útil, é verdade. Mas suspeito que desse padrão de pensamento resulte a premissa de que não se deve “meter religião” (ou Deus) nas outras coisas da vida. (Pior, não se deve sequer discutir religião, que entra na categoria de “indiscutibilidade” juntamente com política e futebol).

É uma dedução inconsciente mais ou menos assim: a VIDA (trabalho, estudos, amor, família, projetos, etc.) é o que acontece durante a semana, e religião (ou Deus) é coisa de domingo ou horários vagos esporádicos (de tédio).

As pessoas dizem coisas como, “minha vida profissional não tem nada a ver com a minha religião, são coisas completamente diferentes!”, e o mesmo vale para relacionamentos, estudos e tudo que se faça de inútil. (É claro que será ótimo se Deus quiser abençoar, e posso até orar por isso, mas “cada um no seu quadrado” – agradeço se depois de liberar a bênção Deus puder voltar ao dele.)

Li um artigo essa semana sobre uma modelo evangélica que fechou contrato com uma revista masculina para posar nua, e ela alegou justamente isso – “o que faço da minha vida profissional não tem nada a ver com minha religião”! Veja bem, eu não estou aqui para julgar a moça (longe disso!) e aprovar ou desaprovar sua conduta, mas fiquei pensando sobre o assunto desde então, ponderando se realmente são coisas que não se deve associar.

Aconteceu também algo interessante mês passado. Fui ferozmente “atacada” ao postar um texto relacionando fé e política, apenas cogitando qual seria o comportamento de Jesus diante dos protestos recentemente ocorridos na nossa nação e, consequentemente, qual deveria ser o nosso como cristãos. Alguns comentaram (não tão educadamente, claro), que misturar política e religião era um absurdo e uma falta de bom senso. Será mesmo?! Duvido, mas não vou entrar no mérito agora.

Lembro claramente, contudo, de ter sido evangelizada por um rapaz e ser impactada com essa impressão. Eu falava dos meus compartimentos, ele não. Pra ele, tudo estava conectado entre si, e sobretudo, com Cristo. Eu era tão organizada nos meus pensamentos para o futuro! Eu sabia quantas empresas queria ter e como seria a rede de lojas que eu montaria, e em que curso me graduaria, e pra não me alongar, tinha cada coisa no seu lugar, inclusive Deus, lá naquela caixinha do “Deus me livre, Deus me guarde, Deus me faça a feira”!

Mas na vida do rapaz era diferente. Deus estava lá, mas não timidamente. Não no quartinho dos fundos. Ele era como uma água que inundava todos os compartimentos e embebia cada um dos seus sonhos. De certo modo, ele os dissolvia e misturava. A essência de Deus estava ali, interligando todas as áreas, envolvendo-se nelas e envolvendo-as umas com as outras…

Na vida dele, Deus era SENHOR, não religião.

Lembro nitidamente de como ele não me olhava nos olhos enquanto falava. Seu olhar era perdido, lá em cima, e aquilo me intrigava. Era como se buscasse no alto a inspiração, enquanto eu, tão rasa, falava daqui de baixo… Eu pensava, “ei, não mete Deus na conversa agora, não tem nada a ver, estamos falando de trabalho!”, mas ele não fazia por mal, era só que Deus estava envolvido com sua vida profissional, então ele o mencionava. Daqui a pouco, ele já estava “convertendo” os filhos que ainda não tinha tido, dando o dízimo do trabalho que ainda não tinha conseguido, honrando a esposa que esperava encontrar, e compartimento após compartimento era inundado com a presença indispensável de Deus, sendo consequentemente abençoados por ele.

Aquilo me marcou de modo irremediável, embora eu não tenha compreendido bem o porquê no momento. Hoje, distante daquele dia, consigo ver melhor a imagem real das coisas. Ele estava seguindo o conselho inspirado do provérbio que diz, “reconhece-o [o Senhor] em todos os teus caminhos, e ele endireitará as tuas veredas.” (Pv 3.6).

É somente quando reconhecemos Deus nos nossos caminhos, que ele “ajeita” nossa vida. Quando reconhecemos o que Deus diz sobre nossas finanças, que a sua bênção as alcança. Quando o reconhecemos nos nossos relacionamentos, que teremos paz e harmonia neles. Quando o reconhecemos no trabalho, que prosperaremos e encontraremos satisfação… Em cada compartimento que o deixamos entrar e participar, a sua influência estará ali, presenteando-nos.

Honestamente, acredito que se possa viver uma vida compartimentada – uma vida mediana, que coloca Deus lá nos fundos. Uma vida indo ao culto/missa/reunião uma vez ou outra, e fazendo caridade pra se sentir menos insensível de vez em quando. Dá pra fazer, sim. Muita gente vive desse jeito, mesmo sendo (ou pensando ser) cristão. Mas eu não posso mais acreditar que esse é o melhor jeito de viver, por causa do brilho que vi nos olhos daquele rapaz, que me fizeram querer conhecer essa vida embebida no Espírito.

Hoje, eu jamais conseguiria dizer que minha carreira, meu trabalho, minha família, meus amigos, meus pensamentos, meus estudos, a sístole ou a diástole do meu coração, não têm nada a ver com Deus. Eu não seria capaz disso. Tudo tem a ver com ele. Tudo é dele, por ele e para ele! Nele vivemos, nos movemos e existimos. Todas as coisas convergem nele, e tudo só faz sentido por causa dele.

Não é que ele se meta na vida de ninguém, mas a gente bem que pode convidar o arquiteto do universo pra redecorar a nossa vida. Certamente ele vai querer derrubar algumas paredes e reconstruir algumas vigas, misturar alguns ambientes e mudar as cores. Mas a casa vai ficar mais bonita, sem dúvida alguma.

Ser cristão, na verdade é entender que não somos mais de nós mesmos e que nós servimos a um propósito maior que ecoa para a eternidade e se estabelecerá nela. Que tudo quanto fizermos, devemos fazê-lo em nome do próprio senhor Jesus, como se ele mesmo estivesse fazendo. Não se trata de religião, se trata de um modo de vida. Admitamos, não há como compartimentalizar nada radicalmente pensando assim…

Desconfio seriamente que aqueles que conseguem separar bem as coisas, ainda não compreenderam que aquele que se une ao Senhor é um só espírito com ele, e que uma vez que encontramos a Cristo, não mais vivemos, mas ele vive em nós.

Pode me chamar de bitolada, à vontade, por mim tanto faz. Mas depois de misturar-me com Deus e mergulhar minha vida inteirinha nele, eu ganhei aquele brilho nos olhos e me pego muitas vezes olhando para o “nada”, buscando inspiração para o futuro que estou construindo com ele… Assim, eu enxergo bem mais, e as águas do Espírito Santo de Deus encharcam os meus sonhos. Todos eles.

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200289543-002Agora que já entendemos que a Bíblia é uma revelação progressiva, podemos compreender que o Novo Testamento explica o Antigo e que muito do que foi escrito lá atrás era uma declaração específica, para um povo específico que estava numa condição específica, ou seja, não serve integral e especificamente para nós.

Não é o caso, entretanto, de ser inútil – isso seria, inclusive, uma blasfêmia, pois o apóstolo Paulo claramente aponta que “toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, correção e educação na justiça”. É só que ler o “obscuro” é o caminho mais longo para se compreender a vontade de Deus; além disso, verdade seja dita, indo por lá é mais provável que a gente se complique mais do que se ajude.

Veja bem, a questão é que nem tudo o que está escrito na Bíblia foi escrito para a Igreja! Nós podemos sim, tirar proveito de tudo o que está escrito de algum modo, mas isso não quer dizer que todas aquelas palavras foram direcionadas a nós, e é aí que temos errado.

Precisamos compreender que apesar de Deus não ter mudado, a situação em que o homem se encontra diante de Deus mudou muito ao longo das eras. Deus continuou sendo o mesmo, no entanto, a condição do homem mudou.

Adão, por exemplo, tinha uma condição antes de pecar e outra depois – ele já não era o mesmo depois de desobedecer a Deus, logo, seu relacionamento com ele e as regras que o regiam não eram iguais.

Do mesmo modo, depois da Lei ser entregue a Moisés, a situação do homem perante Deus também mudou, pois a partir de então um regulamento que deveria ser seguido e pelo qual o homem seria julgado foi estabelecido.

Com a vinda de Cristo, sua morte e ressurreição, outra realidade foi instituída e, consequentemente, uma nova era (a da graça) com uma nova lei (do amor) se iniciou.

É claro que estou sendo simplista e resumindo tudo pra facilitar a nossa vida! O que eu quero, é que fique claro que a Bíblia é um conjunto de livros que, reunidos, contam uma história que só faz sentido quando sabemos lê-las.

A primeira coisa a ser considerada aqui, portanto, é que o Antigo Testamento não foi escrito para a Igreja de Cristo, isto é, não foi direcionado a ela. Se ele fosse uma carta, no campo “destinatário”, estaria escrito “aos Judeus Israelitas”.

Ora, isso explica muita coisa!

Explica, por exemplo, porque eu me senti tão mal ao ler as terríveis palavras de Jeremias para o povo de Judá.

De vez em quando, na minha infância espiritual, eu abria a Bíblia com o intuito de conhecer Deus e, como alguém havia me dito que a Bíblia era Deus falando comigo, como boa crente que sempre fui (e modesta, é claro, rs…), acreditei naquilo. Abri em Jeremias 17 e li:

“O pecado de Judá está escrito com um ponteiro de ferro e com diamante pontiagudo, gravado na tábua do seu coração e nas pontas dos seus altares… os teus bens e todos os teus tesouros darei por presa, como também os teus altos por causa do pecado, em todos os teus territórios! Assim, far-te-ei servir aos teus inimigos, na terra que não conheces… Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e desesperadamente corrupto; quem o conhecerá?”

“Enganoso… meu coração… corrupto… servir meus inimigos… terra estranha… ferro no coração… pecado… Ai, Jesus, me acode!”, eu pensava. E ficava com aquele sentimento de condenação, tentando me lembrar de cada pecado não confessado, procurando “cabelo em sapo”, com medo de Deus, como se a qualquer momento pudesse ser fulminada.

Mas, ei! não era a respeito de mim que Deus estava falando aquilo. Nem é a seu respeito, irmão (aleluia, o conhecimento realmente liberta!). Isso não tem nada a ver conosco, mas eu me perguntava como podia haver tantas coisas boas e ruins ao mesmo tempo escritas sobre nós dentro da mesma Bíblia. Como poderia Deus parecer um bipolar, bastando, para isso, virar algumas páginas?!

Simples: o Antigo Testamento não foi endereçado a nós.

O que Jesus resumiu como “a Lei de Moisés, os Profetas e os Salmos” (Lc 24.44) – o Antigo Testamento – era direcionado aos judeus, e contava uma história e regulamentava um modo de vida que lhes servia naquele tempo, antes de Deus resolver as coisas de forma definitiva através de Jesus. Mas tudo aquilo durara até João Batista (Lc 16.16), e a partir de então começou a ser anunciado o reino de Deus e, somente depois, ser gerada a Igreja.

Para falar bem a verdade, a Igreja ainda não existia nos tempos do AT e ninguém sequer sabia que ela um dia haveria de ser – ela era um mistério. Ninguém tinha conhecimento de que os gentios (todo aquele que não era descendente de Abraão e, portanto, que não era judeu), um dia poderiam ser considerados como povo de Deus, e que o Todo Poderoso ia confundir a teologia dos doutores da Lei, unindo todos os seres humanos (judeus e não-judeus) num só Corpo – a Igreja.

Quando lemos o Antigo Testamento, portanto, estamos vendo Deus tratando com o homem nas limitações daquela época, quando Jesus ainda não tinha vindo e resolvido o problema do pecado, isto é, quando a Nova Aliança ainda não havia sido estabelecida no seu sangue e o coração do homem ainda não havia sido purificado pelo sacrifício de Cristo.

É por essa razão que não é bom que comecemos a ler a Bíblia a partir de Gênesis, mas o ideal é começar pelo Novo Testamento – formado pelos Evangelhos, Atos dos Apóstolos e pelas Epístolas, dando especial atenção a estas, pois foram cartas escritas pelos apóstolos para as igrejas da época com o intuito de instruí-las, corrigi-las e fundamentá-las na verdade.

Elas simplificam (e muito) a nossa vida pelo simples (e maravilhoso) fato de serem direcionadas a nós! Foram escritas para explicar-nos como deve ser a nova vida em Cristo, e quais são as regras que estão valendo depois de estabelecida a Nova Aliança!

Ora, esta é uma Nova Aliança ou um Novo Contrato que, segundo a explicação das epístolas, é superior à Antiga, firmada ou estabelecida em promessas superiores (Hb 8.6) e tem novas regras! (Hb 7.12)

A igreja tem errado em ficar se detendo na leitura e no estudo do Antigo Testamento, firmando suas pregações e ensinamentos naquilo que disse Moisés, naquilo que fez Elias, nas atitudes que teve Davi e os demais profetas. Estamos numa melhor condição que todos eles, e precisamos nos orientar pelos referenciais certos!

Irmãos, estamos numa aliança superior!!!

Biblia

A primeira dica realmente importante para quem quer ler a Bíblia corretamente, é entender que ela é uma revelação progressiva. Pode ser que você já tenha ouvido essa expressão, mas não saiba exatamente o que ela significa, e o objetivo aqui é esclarecer esse princípio.

Afinal, o que é essa tal revelação progressiva de que as pessoas tanto falam?

Significa dizer que Deus se revelou para o homem progressivamente, de modo que o homem sabia muito pouco a respeito de Deus no princípio, mas aos poucos, gradativamente, ele foi revelando a si mesmo e a seu propósito para a humanidade. É como se aquilo que era “obscuro” fosse clareando mais e mais, até que houvesse luz suficiente para que fosse visto com clareza.

É por essa razão que nos embaraçamos tanto quando lemos a Bíblia do começo, a partir de Gênesis, pois queremos entendê-la olhando para o nebuloso, quando o ápice da revelação de Deus se dá com a presença de Jesus na Terra. Hebreus diz:

“Há muito tempo Deus falou muitas vezes e de várias maneiras aos nossos antepassados por meio dos profetas, mas nestes últimos dias falou-nos por meio do Filho, a quem constituiu herdeiro de todas as coisas e por meio de quem fez o universo. O Filho é o resplendor da glória de Deus e a expressão exata do seu ser…” (Hebreus 1.1-3)

Sim, Deus falou com o homem desde o princípio, não poucas vezes, mas muitas, e não somente de uma maneira, mas de diversas. Deus falou com o povo por meio dos profetas e da Lei, no entanto, desde que Jesus começou seu ministério até os tempos de hoje, é por meio dele que Deus nos fala, e é a ele que devemos ouvir, pois ele é a “reprodução precisa de Deus em todos os aspectos”.

Jesus é o ponto final da progressão na qual Deus se revelou, o clímax dela. Ele é aquele que dá sentido ao início, meio e final da Bíblia. Diz-se que ele é a “chave hermenêutica” das Escrituras, e essa expressão tão bonita quer dizer, simplesmente, que se quisermos compreender qualquer coisa que esteja escrita entre Gênesis e Apocalipse, devemos ter em mente que tudo é sobre Jesus, aponta para ele e converge na sua pessoa. Ele é a expressão EXATA de quem é Deus, e ao mesmo tempo de como nós, filhos, devemos ser.

Isto nos mostra que o Novo Testamento é a palavra final. Ele interpreta o Antigo. O livro de Hebreus é um excelente exemplo disso, pois foi visivelmente escrito para esclarecer que todos os ritos e cerimoniais da Lei eram uma figura, um “tipo”, uma sombra da realidade consumada por Jesus. Na verdade, Hebreus explica o propósito do Pentateuco e encerra a questão – estamos em uma aliança superior, baseada em superiores promessas. (Hb 8.6)

É por isso que quando pregamos no Antigo Testamento devemos pensar sobre que aspecto de Jesus o texto mostrará, já que a tônica da pregação da Igreja deve ser Cristo. O uso correto da Bíblia, portanto, é que o Novo Testamento é a revelação final de Deus, e a Bíblia deve ser interpretada sempre à luz da pessoa e dos ensinos de Jesus.

Lucas 16.16 diz: A lei e os profetas duraram até João [Batista]; desde então é anunciado o reino de Deus, e todo o homem emprega força para entrar nele.

Por que, então, ainda queremos tomar o Antigo Testamento regra de fé? Porque não compreendemos isso muito bem, mas vamos chegar lá!

João, inspirado pelo Espírito Santo, disse algo fantástico que lança muita luz nessa questão:

Ninguém jamais viu a Deus, mas o Deus Unigênito [Jesus], que está junto do Pai, o tornou conhecido. (João 1.18 – NVI)

Jesus fez com que soubéssemos quem é Deus, ele nos mostrou o Pai! A versão Revista e Atualizada diz que ele o REVELOU, e de fato, a palavra grega utilizada é exegeomai, que quer dizer “intérprete”, “porta-voz”, “aquele que guia ou conduz até”, assim como os mestres da Lei se levantavam nas sinagogas para interpretá-la. Jesus, entretanto, interpreta Deus para nós com exatidão, e não com uma vaga ideia a seu respeito.

Mas olha só, o mais importante é que João não diz isso assim, “do nada”. Ele diz essas palavras justamente depois de afirmar que Deus havia dado a Lei a Moisés (o Antigo Testamento), mas que a GRAÇA e a VERDADE vieram por meio de Jesus Cristo (v.17), o que significa que ele está dizendo basicamente algo como: “Nem mesmo Moisés, a quem Deus entregou a Lei, chegou a vê-lo (apesar de tradicionalmente os judeus pensarem que ele o viu face a face); logo, ele não o conhecia bem o suficiente a ponto de falar a seu respeito com propriedade, já que tinha uma noção muito limitada da sua pessoa. Moisés nem sequer trouxe a verdade, mas a Lei, que apenas conduzia até aquele que a traria”.

Em contraste com isso, João diz que Jesus trouxe a graça e a VERDADE, o que equivale dizer, em termos práticos, que antes de Cristo não havia verdade no mundo, mas apenas vislumbres dela. E ele não somente viu a Deus, como nos revelou o seu caráter e propósitos, posto que os conhece muito bem.

Em suma, o objetivo do texto é mostrar que é somente por meio de Jesus que podemos conhecer a Deus. Que Cristo é o único que tem propriedade, competência, condições de nos mostrar quem é o Pai. É olhando para Cristo que entendemos os porquês do antes (Antigo Testamento), do agora e do depois (o milênio que iremos inaugurar com a sua segunda vinda, e a eternidade que nos aguarda).

Certa vez Filipe pediu ao próprio Jesus que lhes mostrasse o Pai, e se Jesus fosse nordestino, tinha chamado ele de abestado, tenho certeza! “Ta vendo não, menino?! Pelamordedeus, olhe pra mim que é a mesma coisa, meu filho! Esse tempo todo pra cima e pra baixo com vocês, e ainda não perceberam que tudo o que eu faço é pra mostrar quem ele é? Aquilo que eu digo é porque ouço dele, e aquilo que faço é porque vejo ele fazer!” (João 14.8-11). Entendeu agora ou quer que eu desenhe?! (essa parte digo eu, não o Senhor, só pra descontrair rsrs…)

Mas o fato, é que isso Moisés e a Lei não podem fazer, até porque não lhes pesa como obrigação (a Lei nunca pretendeu revelar Deus, mas guiar o homem até aquele que o faria). Davi também não o pode, mesmo com tantos salmos maravilhosos e proféticos, inspirados pelo Espírito. Elias e Eliseu, com toda a sua unção e poder, apenas o apontam e glorificam, mas nenhum deles lhe explica de fato. Afinal, nenhum míope pode produzir uma pintura fidedigna à realidade da “paisagem”.

*Continua no próximo post… Até lá! 😉

66259b93b65e3f9b01c0-54Que nós devemos, como crentes, ler a Bíblia, todo mundo sabe assim que nasce de novo (aliás, até os incrédulos têm conhecimento disso); o que muita gente não sabe, entretanto, é como fazê-lo.

Quando eu me converti, eu queria conhecer Deus. Eu não queria ser religiosa – queria aprender a ser filha, conhecer a vontade do meu Pai, aprender sobre a nova vida que estreara no maravilhoso dia do “sim, eu te recebo, Jesus”.

Já haviam me dito que a Bíblia é a Palavra de Deus, e que tudo o que eu precisava saber estaria lá, então, eu imediatamente pensei, “ah, ficou fácil, eu adoro ler!”. Fico pasma em perceber o quão redondamente enganada eu estava! Não acerca da fonte da verdade, muito menos acerca do meu amor pela leitura, mas definitivamente pela ingenuidade de acreditar que seria tão simples assim.

Tive muitas dificuldades. Com a linguagem pra lá de rebuscada, primeiramente. Depois, com relação à sequência de ler a bendita (o que não deveria ser um problema, já que um livro “deve” ser lido sequencialmente, da sua primeira página, à ultima, não é vero?! Afinal, quem é o doido que começa a ler uma obra pelo meio? Bem, veremos que a Bíblia poderá muito bem ser uma exceção a esta regra.)

Além do mais, depois de Gênesis o negócio ficava tão “tenso” (vulgo complicado), que eu perdia a motivação pra ler. As genealogias, os rituais, os nomes de todos aqueles povos que eu não tinha ideia de quem eram e de como danado tinham caído de paraquedas nas histórias, as profecias excêntricas e “confusas”, a narrativa cansativa (cheia de simbolismos que eu ignorava), os eufemismos… Era tanto empecilho, que acabava se tornando muito desgastante para um bebê espiritual! (Você sabe, o tempo de atenção de uma criança é bem curto, já dizem os pedagogos…)

Eu ficava meio condenada por causa disso, e lia um salmo ou outro, escolhido aleatoriamente, pra aliviar minha consciência.  Às vezes, lia alguns capítulos de algum dos evangelhos (também sem ordem), ou de alguma epístola, mas ficava aquela sensação de desorganização. Eu pensava , “estou lendo um livro, como vou entender sua história se continuar assim, pra lá e pra cá, sem obedecer uma sequência?”.

Foi mais ou menos nessa fase que eu meio que desisti da Bíblia e decidi procurar livros cristãos e estudos bíblicos em blogs e sites na internet, para matar minha fome de conhecimento – o que não me ajudou muito, vale salientar. É claro que há muita coisa boa escrita por muita gente experiente no assunto, mas diante de tanta coisa diferente sendo afirmada com tanta veemência, como eu saberia o que realmente era bom?

Sem pensar muito nisso, devorei dezenas de livros em meses, e me engasguei com muitas “espinhas” que me incomodaram por anos. Por onde tenho passado ensinando a Palavra e conversando com as pessoas, tenho percebido que este é o calcanhar de aquiles de muito crente bem intencionado e estudioso, que tem caído em pegadinhas doutrinárias, enganos e erros simples (só que não), que poderiam ser evitados ou resolvidos com um pouco mais de conhecimento.

Mas graças a Deus, a luz chegou! Gradativamente, comecei a compreender algumas coisas acerca da Palavra de Deus que foram fundamentais na minha busca pela verdade, e senti o desejo de compartilhá-las aqui no blog.

É claro, entretanto, que não dá pra fazer isso em um texto apenas. É por essa razão que será necessário transformar esse post num tipo de série. Mas quero ressaltar que não pretendo ser sistemática ou “profunda” demais, embora vá pontuar algumas “regrinhas” que descobri como muito relevantes para a leitura e interpretação bíblicas.

Minha ideia é facilitar! Quero, de forma simples e direta, ajudar os irmãos a também usufruírem melhor do estudo das Sagradas Escrituras.

Espero que você seja abençoado, e quero que saiba que pode comentar e/ou fazer perguntas relacionadas ao assunto, dando sugestões que poderão (ou não, tá pessoal?) tornar-se tema dos posts.

Paz a todos e até lá!

Oi pessoal!

Totalmente sem tempo de escrever, passei aqui somente para compartilhar um texto de um blog novo sobre literatura e paixão pela escrita/leitura que achei belíssimo!!! Amei o blog Literatortura, e estou indicando para todos aqueles que são apaixonados pelas palavras! Espero que vocês gostem tanto quanto eu.

Beijos e até o próximo post.

Lu Honorata

O TEXTO SEM DE FATO INÍCIO, SEM DE FATO MEIO, SEM DE FATO FINAL. IMITANDO A PALAVRA.

(gra.fo.ma.ni.a)
sf.
1. Psiq. Compulsão patológica de rabiscar, de registrar graficamente, de escrever. 

O texto sem de fato início (porque sempre esteve), sem de fato meio (porque não se pode encontrar), sem de fato final (porque nunca acaba). Imitando a palavra.

A paixão. O ato sublime de euforia. O ponto final entusiasmado. Completo; A obra. O conto. O texto. O artigo. O livro. O personagem. O poema. O vício. Dentre tantas definições de escrever, não recairei no ato poético de que escrever é salvar a vida [como diria Lispector]. Escrever é uma doença. E das mais vertiginosas. Escrever é um vírus impossível de tratar, uma pandemia interna. Continue lendo…