Arquivos para renúncia

O que Deus quer para você?

27 de janeiro de 2011 — 6 Comentários

“…não vos torneis insensatos, mas procurai compreender qual a vontade do Senhor.” (Efésios 5.17)

Eu sei, essa é uma das perguntas mais feitas pelos cristãos. A gente se converte, passa instantaneamente a ter prazer na Lei de Deus, e já começa a “fuçar” nas coisas espirituais a vontade de Deus para nossas vidas. Queremos saber o que o Pai espera de nós, os planos que ele tem a nosso respeito. Desejamos fazer a sua vontade imprescindivelmente. Continue lendo…

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Então, aproveitando que é Natal, estou postando um texto que achei maravilhoso e fala sobre o real sentido do cristianismo genuíno… Ainda sem tempo para escrever, vou aproveitando para colocar aqui os pensamentos dos meus irmãos que escrevem tão maravilhosamente bem! Seja abençoado!

“A história cristã mostrará a cada um de nós que o cristianismo floresceu através de sangue. Primeiro, Jesus na cruz e sua morte violenta. Depois os apóstolos que morreram defendendo a verdade de que Jesus era ( e é ) Deus e que ressuscitou dos mortos. Uns foram transpassados por lanças. Outros, crucificados ou decapitados. Depois vieram os mártires dos séculos pós-apóstolos. O coliseu com suas feras. As fogueiras. As torturas. Cada morte mais horrenda. Um deles – um desses cristãos que não são nada parecidos com os atuais – foi amarrado pelos pés a um cavalo, que saiu disparado por uma escadaria e seguiu arrastando o corpo do cristão por muitas ruas. Que morte! Que testemunho! Podemos falar de Policarpo, que aos 85 anos respondeu ao procônsul que não temia as feras, nem a fogueira ou qualquer outra coisa. Ele disse que era cristão e que isso significava o seguinte em suas palavras: “porque para o cristão o arrependimento do melhor para o pior não é algo permitido para nós”. Assim, firme e resoluto, Policarpo foi morto. Continue lendo…

A Ponta do Iceberg

25 de novembro de 2010 — Deixe um comentário

É muito fácil falar bonito sobre o amor. A própria palavra já evoca coraçõezinhos voadores e rechonchudos nas nossas mentes, além de histórias dramáticas de amores infinitos e não-consumados. Falar de amor ou de novela hoje em dia pode representar a mesma coisa para alguns, entretanto, o amor bíblico é bem diferente.

Não pretendo que este texto seja mais uma apologia a 1 Coríntios 13. Eu sei que este é considerado o “capítulo do amor”, pois a precisão de Paulo ao falar sobre o assunto foi marcante e oportuna, além de muito útil. Mas eu não tenho visto mais este capítulo como a única ou principal chave para o conhecimento do amor, pois tenho percebido que fechamos os olhos para a forma como a Bíblia ousa defini-lo.

Notei que ainda mais rica que a descrição poética, precisa e fervorosa de Paulo sobre o verdadeiro amor, inspirado pelo doce Espírito Santo, é a insistente demonstração do mesmo por toda a Bíblia, sobretudo nos evangelhos.

Lemos 1 Coríntios 13, esquecendo-nos ou ignorando que ele está demonstrado de forma prática em cada atitude expressa de Deus, e principalmente na forma como Jesus viveu.

Quer ver como estamos enganados, todos nós? Pergunte a um ímpio sobre amor, e ele lhe falará sobre “paixão avassaladora” ou sobre envelhecer ao lado de alguém; pergunte a um cristão, e ele lhe falará de uma cruz.

Não que a cruz de Cristo seja um problema, pois de fato, ela foi a solução. Mas entenda, vemos a cruz, pontualmente, o momento da crucificação, da morte, lá no monte… A cruz, os cravos, a dor. Mas eu acredito piamente que a cruz de Cristo foi apenas – e me perdoe pelo “apenas” – a “ponta do iceberg”.

Os icebergs são grandes blocos de gelo imersos no mar que parecem ser pequenos, pois apenas 10% da sua massa aparecem do lado de fora da água (a ponta do iceberg), dando uma impressão equivocada sobre as suas reais dimensões.

Não é interessante perceber que Jesus viveu certo tempo neste mundo e, assim como um iceberg, seu ministério – a parte “visível” da sua vida – tenha correspondido a aproximadamente 10% deste período? Foram trinta e três anos dos quais só temos conhecimento de cerca de 3 anos e meio.

Certamente Jesus não sofreu apenas no Calvário, ou durante seu tempo de ministério nesta terra, pois de que valeria a cruz de Cristo, se ele tivesse vivido “de qualquer jeito”, sem nenhum tipo de sofrimento, fazendo o que queria sempre que “dava na telha”? Não teria valor algum! Foram os 33 anos de “dores” que o prepararam para aquele momento que dividiria os tempos!

Essa cruz, tão falada e tão amada, foi o ápice de uma vida crucificada. Muitos a apontam como o supremo ato de amor de Cristo, todavia, ela foi o cume de uma trajetória de renúncias e agonias por amor a nós, e ao Pai.

Penso honestamente que, às vezes, nos esquecemos de que Jesus era gente. Sim, gente como a gente, de carne e osso, que possui desejos, sonhos, fome, sede… Gente que vai ao banheiro, que fede quando sua e se aborrece quando é contrariado. É como se ignorássemos o fato de que, junto com o corpo preparado por Deus para ele (Jo 1.14, Hb 10.5), também tenham vindo as concupiscências da carne.

Não! Não venha me dizer que Jesus não tinha concupiscências, pois a Bíblia fala que ele foi tentado como nós, porém, sem pecado (Hb 4.14-15), e “cada um é tentado, quando atraído e engodado {ou seduzido} pela sua própria concupiscência” (Tg 1.14). Logo, se Jesus foi tentado, foi atraído e seduzido pela concupiscência que havia nele.

Sim, Jesus era preservado do pecado pela comunhão que nutria com Deus, entretanto, ele sofria às tentações penosamente, crucificando a carne com as suas concupiscências cada vez que decidia não mentir, não se ensoberbecer, não invejar, não fornicar… Enfim, cada vez que renunciava “cometer seus próprios erros”, que como ser humano poderia sentir-se no “direito” de cometer.

Já pensou se ele tivesse falado as coisas que ouvimos alguns cristãos dizerem por aí? Tipo: “É a minha vida, tenho direito de errar, ninguém tem nada com isso…” ou “errar é humano”. Não, ele não fez isso… Ele SOFREU.

Amor que é amor é aquele que renuncia o seu direito em favor do outro. Isso sim é uma cruz! É aquele que paga o preço de não lançar mão até do que lhe é permitido quando isto significa prejudicar alguém; que sente a dor para não ver o outro agonizar; que acredita e investe quando o terreno parece árido e infértil…

Paulo disse que o amor é sofredor, e é importante frisar que Jesus não sofreu apenas na cruz.

Particularmente, eu penso em quantas vezes ele quis ceder à sua carne, e jogar bola com os amiguinhos ao invés de ler a Bíblia…

Penso como ele pode ter desejado deitar numa rede e descansar em vez de “ir a pé até Cafarnaum” debaixo de sol escaldante, ou em como deve ter sido duro para ele suportar as injúrias, os escárnios, a incredulidade da própria família, a companhia de um traidor e o irritante som das multidões alvoroçadas, quando tudo que ele queria fazer talvez fosse “reclinar sua cabeça” e ter um pouco de sossego…

Penso em quantas vezes ele quis dar uma resposta desaforada e atrevida aos fariseus, ou talvez até a Maria, quem sabe…?

Quanto “sapo” Jesus deve ter engolido, sendo homem, para fazer a vontade do Pai e representá-lo fielmente!

A Bíblia diz que a prova do amor de Deus foi ter-nos dado Jesus, SEU filho, herdeiro e sócio dos negócios celestiais, quando ainda éramos pecadores. Eu, porém, digo que a prova do amor de Jesus, pelo Pai e por nós, foi ter suportado paciente e penosamente, tudo que lhe fora confiado.

Foi pensando sobre tudo isso que concluí que não sabemos ainda o que é amar… Bom, pelo menos a maioria de nós ainda não aprendeu como amar a Deus e aos nossos como convém, com esse amor incondicional e sofredor, que nega a si mesmo e se desgasta pelo outro, acreditando que esse é o caminho para a glória.

Quando estivermos dispostos a ter uma vida assim, crucificada, dia após dia, e não apenas um momento, saberemos que o amor é um andar cotidiano, e não um gesto momentâneo, um texto na internet, ou uma pregação na calçada…

Assim, portanto, a exemplo da cruz de Cristo e dos icebergs, seja também o nosso proceder. Nem sempre as pessoas verão tudo o que fazemos e sofremos por amor ao Senhor e à sua Palavra, contudo, é este sofrimento que irá nos aperfeiçoar com um peso de glória que ecoará por toda uma eternidade.

“… se com ele sofremos, também com ele seremos glorificados. Porque para mim tenho por certo que os sofrimentos do tempo presente não podem ser comparados com a glória a ser revelada em nós… Como está escrito: Por amor de ti, somos entregues à morte o dia todo, fomos considerados como ovelhas para o matadouro.” Romanos 8.17-18,36

Luciana Honorata