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29jul2013---o-papa-francisco-concede-entrevista-coletiva-no-aviao-que-o-levou-do-rio-onde-participou-da-jornada-mundial-da-juventude-a-roma-o-pontifice-disse-que-se-uma-pessoa-e-gay-e-busca-deus-1375362930262_1920x108

 

“Sagrado” é uma palavra que está, ironicamente, sendo banalizada. Digo isso porque ouço o tempo todo as pessoas dizerem que isso ou aquilo é sagrado, como se dissessem que Nutella é uma delícia. Já percebeu? Para ganhar um debate, basta dizer que “tal coisa é sagrada”, sendo que é esta a coisa que você defende, ou qualquer outra à qual esteja intimamente relacionada, e uma vez dito, seu argumento se torna inquestionável.

Mas, afinal, o que é sagrado? Por que se formos parar pra pensar, as pessoas estão sacramentando tudo, desde meu bem querer (que é segredo, é sagrado, está sacramentado em meu coração) até as vacas da Índia, onde, aliás, os ratos também o são. Sagrado é o “coração de Jesus”, ou o de Maria, o manto de Nossa Senhora, o óleo ungido, o trevo de quatro folhas, o escapulário e o sinal da cruz. Sagrado é o Alcorão, a Torá, Meca, Israel, os amuletos, talismãs e patuás do candomblé, as oferendas a Iemanjá. Há quem sacramente satanás, assim, na cara dura, e ache ele um fofo. Há quem sacramente a ciência, o saber e até, pasme, Beyoncé (duvida?! Googla aí que cê acha). É sagrado o matrimônio, é sagrado o direito de expressão, a liberdade individual e a preservação da vida. Ah, estão sacramentando também o direito a tirar a vida, mas isso é tema para um próximo texto. O que nos interessa, é essa sacramentação de tudo, e se de fato ela procede.

O episódio terrorista contra a revista Charlie Hebdo reacendeu alguns debates, e este foi um deles. Já que até o Papa (que além de sagrado, é considerado infalível pelos dogmas do catolicismo), decidiu equivocadamente opinar a favor do terror (ainda que de forma velada), argumentando que “você não pode insultar a fé dos outros, você não pode zombar da fé”, pois, ao que consta nos autos do politicamente correto, a fé de alguém é algo, adivinha?, isso mesmo, sagrado! Segundo o Papa, portanto, seria errado ridicularizar quem acredita no bicho papão ou quem tem medo de reencarnar numa mosca varejeira, por exemplo. De acordo com ele, é errado expressar a sua conclusão a respeito de cultos canibalistas e ilustrá-lo de forma cômica.

Veja bem, eu não estou tentando relativizar valores morais fundamentais, como o direito à vida e à liberdade. Acredito que a maioria de nós concordamos com a legitimidade dos mesmos, embora os terroristas obviamente os ignore. Aliás, diversas culturas o fazem, a exemplo dos indígenas que matam suas próprias crianças nascidas com deficiência. Mas de acordo com o Papa e alguns relativistas culturais, o direito SAGRADO à vida dessas crianças sucumbiria então, diante do direito à fé que os índios têm de considerá-las amaldiçoadas? O que é mais sagrado, afinal?

Quando eu ouço alguém dizendo que “você não pode zombar da fé”, e usando esta declaração para justificar ou amenizar a gravidade de um atentado terrorista, lembro imediatamente de todos os vídeos perniciosos do Porta dos Fundos, dos inúmeros escárnios do movimento LGBT à fé cristã, e das manifestações pró-aborto com as vadias tripudiando publicamente de símbolos sagrados para os cristãos que ainda têm neles um pouco da sua fé, e se ofenderam profundamente com a penetração de crucifixos nas vaginas daquelas que buscam respeito usando a afronta. Quanto a nada disso o Papa jamais se pronunciou – inclusive quanto às ofensivas charges da mesma revista à Igreja Cristã.

Preciso discordar do Papa, e me perdoem os católicos por isso, mas o faço em favor da verdade. Não preciso respeitar a “fé” das pessoas, mas o seu direito de tê-la. Isso sim, é sagrado, e é esse direito fundamental que os islâmicos radicais estão tentando usurpar – querem extinguir a divergência de fé, pela força.

Para ser ainda mais clara, o nosso respeito é devido às PESSOAS, não às suas ideias, do contrário, não nos seria lícito debater pensamentos e crenças e, portanto, o nazismo ainda teria um lugar legítimo e cativo no nosso mundo, e a produção intelectual seria extinguida. Logo, se você crê que adorar ratos e vacas faz muito sentido, vou defender seu direito de crer nisso, mas me reservo o de achar bobo, irracional, hilário e estúpido, tudo ao mesmo tempo, e ainda postar no meu twitter usando de um pouco do sarcasmo que me é peculiar – nada pessoal, ta?

Mas estávamos falando do que é sagrado, e vou, finalmente ligar os pontos. É que o sagrado diz respeito à consideração, e não à substância, e a Bíblia (para mim, sagrada) nos ensina isso.

Se nos debruçarmos nas Escrituras, veremos que Deus considerava como sagrado aquilo que separava do uso comum, corriqueiro, para que fosse dedicado a ele. É por essa razão que ele mandou Moisés tirar as sandálias para que pisasse naquela terra que, segundo ele, era santa. Ela estava sendo destacada, naquele momento, como o lugar onde Deus se revelaria a Moisés, e a partir de então deixou de ser um lugar qualquer.

Também é por isso que os objetos utilizados no Templo eram consagrados antes de serem usados e, portanto, sagrados a partir daquele momento. Os talheres do Templo, por exemplo, certamente não eram feitos de um material extraterrestre (obviamente eram de metal), no entanto, desde o momento da consagração, não mais eram usados como os da nossa casa, mas com um cuidado e consideração especiais, para um propósito definido estabelecido por Deus e, portanto, sagrado. É justamente daí que vem a crença de que as pessoas que se consagram a Deus são santas: não porque têm uma substância diferente de todas as outras, ou porque sejam moralmente superiores, mas porque a Bíblia ensina que uma vez separados para Deus pelo sangue de Jesus (do grego hagios), embora sejam de carne e osso, Deus assim as considera – santos, ou sagrados, como preferir.

O que eu quero dizer, finalmente, é que de forma prática o sagrado é aquilo que você assim o considera, e não podemos exigir que o mundo, na sua pluralidade de pensamento, respeite e engula nossa fé, como se ela fosse inquestionável. É assim que fundamentalistas agem, mas não é assim que Deus ensina. É assim que os xiitas pensam, mas não é isso que a razão contempla. Para os cristãos, sagrado deve ser aquilo que DEUS diz que é, e ponto final, mas quem se importa com isso além de nós?

O papa está errado, e eu vou continuar rindo de quem tem medo de passar embaixo da escada para não ter azar e lê horóscopo. Vou continuar matando ratos e comendo vacas. Eu também não respeito a fé dos satanistas, nem sou obrigada, mas respeito a cada um deles como PESSOAS, e seu direito de adorar a quem ou o que quiserem.

Como afirmou sabiamente o apóstolo Paulo na carta aos Romanos, “tens fé? tenha-a para ti mesmo”, e conforme-se de que muitos irão discordar dela, e outros tantos irão desrespeitá-la, mas a mantenha bem guardada no íntimo do seu coração, pois é “mediante a fé que sois salvos”, e é a fé o seu escudo contra o mal deste século – talvez não o mal dos jihadistas islâmicos, que pode nos roubar a vida natural, mas certamente o mal que pode nos roubar a eternidade.

 

 

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A Verdade Sobre a Tolerância

17 de fevereiro de 2013 — 7 Comentários

521689_544518985579829_596073571_nEu não gosto de começar meus textos com definições. Eu acho brega e pouco criativo. Foi por isso que demorei tanto a escrever esse – eu simplesmente não conseguia ver outra forma de começá-lo, senão assim, com uma definição. Até que me rendi.

É que parece que as pessoas não sabem o que a palavra tolerância significa, ou esqueceram. Na verdade, tenho uma teoria um pouco mais grave: a de que perverteram esse conceito. Nos dias atuais, tolerância deixou de ser o “respeito ao direito que os indivíduos têm de agir, pensar e sentir de modo diverso do nosso”, para ser considerado como aceitar que toda crença é verdadeira.

Trocando em miúdos, para ser tolerante hoje em dia, você precisa dizer amém e achar bonito alguém venerar uma vaca, por exemplo, afinal, aquela é a “verdade” da pessoa em questão Continue lendo…

Poesia de Verdade

6 de setembro de 2011 — 3 Comentários

Eu sei, parece que eu gosto de poesia… Mas gostar de poesia parece meio piegas, tipo sentimentalismo barato ou coisa parecida, e isso não combina muito comigo.

Tá, tudo bem, eu gosto. Mas não de todas. Detesto poesia que não entendo – enigmas indecifráveis que só servem aos seus autores e seus egos. Mundinho particular impenetrável que não diz respeito a ninguém, muito menos a mim. Pode ser poesia para qualquer um, mas no meu mundo eu não definiria como tal. Continue lendo…

Carta aos “Apologistas”

27 de março de 2011 — 7 Comentários

Para quem não sabe, apologista é alguém que toma para si a responsabilidade de “defender a fé”, a verdade da Palavra de Deus ensinada e testemunhada pelas Escrituras sagradas.

Poderíamos dizer que todo cristão tem potencial para ser apologista, e deveria sê-lo na prática, porque é necessário que estejamos sempre alerta aos falsos mestres e doutrinas enganosas que possam surgir, sendo infiltradas de modo sutil nas nossas igrejas, fazendo-nos enveredar por caminhos que não são o da Palavra de Deus.

Bom, isto é um fato, e eu particularmente adoro ver um apologista em ação, falando ou escrevendo algo que corrija um pensamento doutrinário equivocado, ou ensine o caminho correto segundo a Palavra. Entretanto, algo tem me dado náuseas, e eu decidi expressar minha indignação quanto a isso neste texto: são os “apologistas” sem ética. Continue lendo…

“Eu Tenho Inveja!”

21 de janeiro de 2011 — 10 Comentários

Lembro-me de um filme que assisti alguns meses atrás, no qual todas as pessoas do mundo só falavam a verdade, o tempo todo, em qualquer circunstância. Chegava a ser constrangedor. Acredite, foi uma experiência bem interessante. Fiquei pensando nestes últimos dias, depois de conversar com um amigo sobre alguns acontecimentos, que uma das coisas que as pessoas mais diriam se o mundo fosse assim, seria: “Eu tenho inveja!”. Continue lendo…